quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Combatentes=Lembrar...

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CLANDESTINO
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Nenhum sonho apaga a memória
na lucidez dos dias tristes
as minhas dores atravessam a noite
à procura da pátria-mãe...
esquecida dos corpos
ressuscitados dos estilhaços
mas hei-de vencer a distância
no empenho do regresso
a um mundo cheio de abraços...
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Mesmo que as rotas se percam
hei-de encontrar outros caminhos
para aí chegar
nem que o percurso
incerto, longínquo
seja clandestino
não deixarei esquecidos
os mortos nesta guerra.
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Sem os sonhos do desatino
até vou mostrar ao mundo
a terra ensanguentada
e os desastres com morte!
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Jamais se apagarão
as causas da minha razão
nos momentos de sorte
que se cruzam no meu destino
eu só quero acreditar no sonho
e esquecer o corpo que apodrece
na solidão do sertão medonho
onde chorei como um menino.
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Diaca, Setembro de 1967
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