terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Atribulações do Combatente

Para Memória:


 NOTA-PRÉVIA:


O que temos a seguir, é um episódio profundamente incómodo e demonstrativo da maneira de aplicação da justiça em tempos de guerras ultramarinas.


Embora seja salutar rever as  "Boas Memórias", tal como referimos em - https://picadasdamicaia.blogs.sapo.pt - as más memórias também servem para nos fortalecer e acautelar. 


  VER mais:  https://jotasousa39.wixsite.com/coelho


Sábado, 17 de Outubro de 2009


Ilha do Ibo - Fortim e Prisão


...........Fortim Ivo1.jpg


 Fortim de má memória... com final para a estória! 


Casualmente, encontrei fotos do Fortim S.José, na ilha do Ibo, Moçambique, e não pude suster a emoção devido aos seguintes factos:


FORTIM DA ILHA DO IBO – PRISÃO POLÍTICA


Ao ver a imagem deste fortim não pude conter a emoção que me tocou fundo por lá ter estado detido uma semana no ano de 1967. Durante uma missão operacional a Sul de Antadora-Diaca, depois de ouvir as instruções do novo comandante de companhia, tenente Castro Gonçalves: “vamos assaltar um acampamento onde pernoitam elementos da Frelimo, onde vivem famílias que os apoiam na logística, e tudo que mexer é para abater. Não vamos fazer prisioneiros, mesmo da população civil”. Como é sabido, os Pára-quedistas eram rigorosos e eficazes no cumprimento das missões de combate, mas não dizimavam população civil, especialmente mulheres e crianças.


M-zona do rio Muera 52.jpg


Os murmúrios de descontentamento ouviram-se entre o pessoal da companhia; isso deu-me o ânimo suficiente para organizar o boicote à conclusão de tal assalto. Uma noite de chuva intensa ajudou a retardar o andamento da coluna que deveria estar nas proximidades do dito acampamento pela madrugada. Estando eu a recuperar dum ferimento sofrido na coxa esquerda, aquando duma emboscada no Vale de Miteda, por causa da fricção da farda molhada, comecei a ressentir-me e originei diversas paragens para ser socorrido pelo enfermeiro Franklin Armindo. Chegados ao local apropriado para preparar o assalto, a ribeira do Nango, afluente do rio Muera, estava caudalosa e impedia a passagem para o outro lado, onde estava localizado o dito acampamento. Esperando que as águas baixassem de nível, durante o dia, o pessoal foi dando sinais ao inimigo, tanto com o barulho dos cantis como ruídos de toda a ordem. Como à luz do dia não era aconselhável fazer o assalto, o tenente adiou para a manhã do dia seguinte, tendo sido encontrados apenas dois velhos dentro das palhotas. Vimos muitos sinais da presença de pessoas, mas nada mais foi encontrado.


A primeira missão do Tenente resultou num fracasso operacional. Logo fui acusado e ameaçado com processo disciplinar e tribunal de guerra.


Clik na Imagem para VER Boas Memórias:


0.Coelho Moç-C Delgado124+0.jpg


Regressados a Diaca, acantonámos no Sagal onde estava o médico da companhia que me receitou diversos medicamentos para minorar a infecção que tinha na perna. Enquanto recuperava, outras missões foram levadas a cabo pela companhia, sem a minha participação, embora o tenente tentasse obrigar-se a ir com o meu grupo de combate.


Após dois dias do regresso ao BCP31-Beira, fui informado pelo oficial de justiça, Tenente FAP Sousa e Silva,  que tinha uma grave acusação com vista à minha detenção até que fosse concluído o processo disciplinar. Aproveitei os meus conhecimentos das Leis militares para elaborar uma exposição dirigida ao Chefe de Estado-Maior da Força Aérea, tendo entregue uma cópia ao comando do Batalhão, mas só o fiz no dia seguinte ao registo da carta nos correios da Beira. Pois, corria o risco da carta ser interceptada antes de seguir ao destinatário.


Dois dias depois, pelas dez horas da noite fui detido no meu local de alojamento provisório (arrecadação de material de guerra do batalhão de que era responsável), onde trabalhava em fotografia. Pelas seis da manhã embarquei num avião DO-27, escoltado por um oficial Ppára-quedista e dois agentes da PIDE, seguindo até Nacala e depois para uma prisão na ilha do Ibo. Por outros casos antecedentes, receei pela minha vida. E não fora a boa aceitação da exposição que mandei para Lisboa, que deu origem a um longo e complicado processo de averiguações, onde cerca de 40 testemunhas, escolhidas dum grupo de mais de 150 que se dispuseram a defender-me, não sei o que teria sido o futuro.


0.PM16 - Tentaram tirar-me a alma....jpg


Por decisão do comandante Tenente-coronel Argentino Seixas, fui proibido de usar armas militares até ao fim do processo disciplinar, que ficou parado enquanto se desencadeou a audição de testemunhas num “Inquérito” determinado pelo Chefe de Estado-Maior da Força Aérea. A pedido do Comandante de companhia, capitão Mascarenhas Pessoa, passei a desempenhar funções de vague-mestre, dando boa assistência alimentar ao pessoal da companhia, durante as missões operacionais em Maúa, Macomia e Mocimboa do Rovuma. Ao fim de oito meses, por acordo entre as partes, foi encerrado o “inquérito”, ilibando-me de quaisquer responsabilidades.


Para atenuar o meu desconforto, o comandante determinou que o chefe da secretaria me concedesse “guia de marcha” para gozar licença na metrópole, onde acabei por estar dois meses. Aproveitei para visitar cinco países da Europa, à conta do chefe do conselho administrativo, que tinha desviado uma avultada quantia em dinheiro através das “saídas” para alimentação em zona operacional, sob a minha vigência de vague-mestre.


Curiosamente, em 2004, durante uma palestra na Quinta de Bonjóia, no Porto, encontrei-me com o então padre da Paróquia de Mueda, Faustino Limbombo. Ao ouvir a sua apresentação nessa conferência, apercebi-me que o mesmo nasceu precisamente na aldeia que pretendíamos assaltar e destruir. Disse que a mãe teve que fugir da tropa portuguesa e caminhar até outra aldeia mais a sul junto à mesma ribeira Nango, perto de Muidumbe; que isso aconteceu quando ele tinha oito dias de vida. Dos croquis e diário de missão que levava comigo e referentes a essa data, chegamos à feliz conclusão de que, a ser consumada a vontade do tenente Gonçalves, o padre Faustino seria uma das vítimas desse assalto. Há situações que nunca chegarão a ser esclarecidas como neste caso.


DSC_01 (534).jpg


Juntamente com um grupo de 67 Antigos Paraquedistas que combateram em Moçambique, em 2005 desloquei-me até Mueda, onde encontrei o Padre Faustino na difícil lide com os fiéis da sua paróquia, que percorre, por picadas e estradas, de bicicleta ou de motorizada, consoante tenha ou não dinheiro para a gasolina. Fazia os percursos até Nangade e Mocimboa da Praia, todas as semanas.


M-Mueda, Padre Limbombo recebe ofertas34.JPG


A nossa comitiva transportou grande quantidade de material escolar que entregámos à Associação de Combatentes pela Independência de Moçambique e ao Padre Limbombo, além de medicamentos e dinheiro (meticais e euros) como agradecimento por terem providenciado a limpeza do cemitério militar de Mueda, onde repousam mais de duzentos militares Portugueses, num deplorável e vergonhoso estado de abandono.


Reporter:   Joaquim Coelho


Poemas-Ilha do Ivo, Coelho.jpg


 


M-Mueda, monumento,Coelho-Pq333.jpg


M-Mueda, cemitério mjlityar456.JPG


M-Mueda, cemitério miklitar26.JPG

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Os Combatentes e o Futuro dos nossos Netos

 NOTA PRÉVIA:


Por se tratar de uma reflexão abrangente das vidas dos Combatentes das guerras africanas e comparação com o futuro dos nossos netos e gerações vindouras, trago à consideração dos leitores um texto de profunda preocupação e consequências nos modos de vida das pessoas nascidas nos séculos XX e XXI.


Comungo destes princípios de análise de âmbito cultural, social e cívico, pela sua dimensão na formação da sociedade comunitária, para o que procuro contribuir com empenho desmedido na convicção de um mundo mais igualitário, esclarecido e mentalmente livre para pensar e agir na senda de melhores condições de vida. 


.......Arouca anos 50.jpg


 


Angelino Santos Silva (a)


  NÓS, OS COMBATENTES.


“E O FUTURO DOS NOSSOS NETOS?”- Jota Coelho



  • PORQUE NOS TORNARAM PROSCRITOS?



  1. Para responder à questão, temos de recorrer à História, não só à que nos diz directamente respeito, mas também à dos nossos pais, ou seja, à história do país do séc. XX.


 A vida é um somatório de passos por caminhos sinuosos com encruzilhadas à mistura. Por vezes temos dúvidas quanto ao caminho a tomar, porém, temos consciência de que temos de prosseguir por um. Noutros, alguém os escolhe por nós sem apelo nem agravo e poucas saídas nos restam para o evitar e sempre com custos elevados.


Nós, os Combatentes pertencemos a este último grupo: perante a maior encruzilhada que a vida nos reservou, alguém nos traçou o caminho e sem qualquer recurso, tivemos que o percorrer.


.


Vamos aos factos históricos.


A nossa Geração nasceu no período compreendido entre o início da II Guerra Mundial e poucos anos após o fim da mesma, ou seja, entre 1941 e 1953. Olhamos à distância de 70 ou 80 anos e sentimos um amor incomensurável pelos nossos pais, que nasceram no período compreendido entre o fim da Monarquia e os princípios da I República.


Enquanto miúdos, víamos o enorme sacrifício que faziam para nos subtrair a um estilo de vida de grande dificuldade que lhes era imposto pelo Estado Novo. Nessa época quase metade da população portuguesa era analfabeta, principalmente nas aldeias, sendo que – analfabeto - significava apenas não saber ler e escrever com desenvoltura, porque da vida e do trabalho os nossos pais eram mestres: aos dez anos iniciavam uma profissão, aos vinte sabiam quase tudo sobre a mesma e aos trinta eram mestres na arte que escolheram para ofício. Para um país retrógrado como era o nosso, tal capacidade e empenho significava uma enorme riqueza, não aproveitada por um regime que mantinha pobre o seu povo e fazia da emigração, ou antes, dos dinheiros enviados pelos emigrantes, o seu pote de ouro. Porém, beneficiaram os países que acolheram a emigração, aproveitando a mão-de-obra barata depois do descalabro da II Guerra Mundial.


..........Tempo antigo.jpg


Por cá, o esforço e empenho dos nossos pais, também não foram aproveitados por quem tinha o dever de melhorar o nível social do país e acompanhar o desenvolvimento social da Europa do pós-guerra mundial. Aproveitamos nós - seus filhos - cada um por si e todos criamos condições para melhorar a vida de nossas famílias. E assim aconteceu: perante cada encruzilhada que nos foi surgindo após o Serviço Militar, não tivemos grandes dúvidas em escolher um caminho, sempre com os olhos postos no exemplo de nossos pais: os que continuaram a estudar após a 4ª classe (o ensino básico era obrigatório até aos 14 anos para quem reprovava) fizeram-no com o intuito de arranjar o melhor emprego possível e os que foram trabalhar legalmente após os 14 anos de idade, fizeram-no com o mesmo propósito. Todos melhoramos substancialmente as nossas vidas, criamos as bases para erradicar o analfabetismo e os nossos filhos têm hoje um razoável nível de vida. Parte significativa é licenciada e alguns já exibem um doutoramento. Porém, os seus filhos – nossos netos – estão nos antípodas das gerações de seus avós e pouco sabem sobre a nossa missão enquanto Combatentes na Guerra Colonial em África. Tudo é diferente nesta Nova Geração. Aparentemente, os miúdos do Século XXI – aos quais designo por Geração de Cristal – têm tudo ao seu alcance, mas na realidade, perante uma encruzilhada que lhes surja pela frente, já não têm tanta certeza, como a tiveram os seus pais e avós. É claro, que não é por culpa própria, mas sim pelas decisões políticas erradas tomadas pelas elites governantes, que a pretexto de salvar a “economia” criam dificuldades inultrapassáveis para a maioria das pessoas. Esta nova forma de “olhar o mundo“ e geri-lo sob um conceito estritamente económico, - o mesmo que dizer, proteger interesses dos mais ricos - está a transformar a vida dos jovens em uma “caixa de pandora”. No ensino, parte dos cursos académicos estão desajustados às necessidades do tempo actual e de pouco servem aos licenciados, que se veem obrigados a aceitar um emprego para o qual não estudaram, precários e mal remunerados. Além da frustração que tal opção acarreta, os jovens tornam-se permeáveis aos problemas de foro psíquico e o recurso aos antidepressivos é cada vez mais frequente. Portugal é um dos países da Europa com maior prevalência do número de doenças psiquiátricas. No primeiro semestre de 2022 os portugueses compraram perto de 10,9 milhões de embalagens de ansiolíticos, sedativos e antidepressivos, o que representou um encargo para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) de cerca de 32,5 milhões de euros. Em média, venderam-se mais de 59.732 embalagens de ansiolíticos, sedativos, hipnóticos e antidepressivos por dia, totalizando 10.871.282 nos primeiros seis meses do ano, o que representa um aumento de 4,1% face ao mesmo período de 2021 (10.439.500), segundo dados do Infarmed.


.....Perigo depressão.jpg


A pandemia veio acelerar este consumo, sendo que nos jovens se verificou o maior aumento.


.


Ao prosseguir nesta forma de “olhar o mundo” ou seja, sob orientação puramente económica, chegaremos a 2030 com uma juventude sem perspectivas quanto ao futuro, com um curriculum académico puramente administrativo que pouco serve, sem emprego ou com emprego mal pago, insuficiente para fazer face à vida. Chegados aqui, teremos a Geração de Cristal transformada na “Geração dos Nem, Nem” ou seja, Nem estudam, Nem trabalham, porque mais vale viver de subsídios. Se isto não for corrigido, a geração dos nossos netos será confrontada com um recuo civilizacional de um século e chegará ao tempo da Monarquia.



  1. É muito importante que falemos aos nossos netos. É muito importante que lhes expliquemos, por que motivo existe desde o 25 de Abril, um esforço da parte dos governantes em ignorar os Combatentes e se possível, fazer deles, cidadãos Proscritos ou seja, banidos da História de Portugal.

  2. Este esforço tem sido feito por todos os governos com maior ou menor disfarce e todos comungam do mesmo objectivo: passar em branco as páginas da História da Guerra Colonial e nela, a dos Combatentes.

  3. Cabe-nos, não permitir que tal objectivo tenha sucesso. Como fazer isso? Escrever. Escrever muito sobre nós, Combatentes.

  4. Porque o tempo não pára e porque estamos confrontados com a verdade inquestionável da idade, deparamos com uma nova e derradeira encruzilhada: escrever sobre nós, utilizar as redes sociais falando sobre nós, porque no ensino escolar ninguém o faz.

  5. Os nossos filhos também não, porque ao longo da vida familiar pouco falamos sobre a nossa presença em África, absorvidos que estávamos – tal como os nossos pais – a trabalhar para lhes dar um nível social melhor do que o nosso.

  6. Entre nós falamos muito, facto que por vezes causava espanto aos nossos familiares, quando nos acompanhavam aos Encontros Anuais e encontros de ocasião.

  7. Mas devemos falar mais, porque o tempo urge. Seremos hoje cerca de 250 (580) mil, número com algum impacto, se unidos, coisa complicada num país que se uniu para derrubar o Estado Novo, mas logo se dividiu nas artimanhas dos políticos.

  8. Porque, parte significativa de nós anda entre os 70 e 80 anos – os mais velhos já ultrapassaram este limite – daqui a 10 anos seremos talvez, menos de 50 mil, porque segundo as estatísticas é na idade dos 80 em diante que morre mais gente. Não fugiremos a esta realidade, até porque em cima de nós vieram algumas mazelas que nos causaram desgaste físico e psíquico.

  9. De abril de 74 para cá, temos andado divididos entre religião, futebol e política. Tem sido este o desenho bem aproveitado pelos políticos, que sabem que quem não tem potencial para fazer lóbi, fica irremediavelmente para trás. E assim tem acontecido e acontece com os Antigos Combatentes, disfarçado com esmolas que “desarmam” alguns.

  10. Se nos achamos injustiçados e entendemos fazer alguma coisa, está na hora de encontrar o caminho, porque o tempo urge e já não teremos outra encruzilhada pela frente. Esta será a última das nossas vidas.uanto à pergunta, PORQUE NOS TORNARAM PROSCRITOS?


Guiné - zona de Bafatá.jpg


- Quanto à pergunta, PORQUE NOS TORNARAM PROSCRITOS?


A resposta é fácil: depois de manipuladas e arregimentadas as gerações que fizeram a Guerra Colonial e por consequência, a divisão do grupo de Capitães/Combatentes, que se tinham unido para derrubar o Estado Novo, nenhum dos governantes conheceu a guerra colonial portuguesa em África...


Um abraço a todos Combatentes..


Angelino dos Santos Silva - (a) Escritor


Combatente na Guerra Colonial Portuguesa na Guiné-Bissau


..........Porto.vinho d.o porto em bois.jpg

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Quem GOVERNA o Mundo?

Nosso Tempo em Ebulição Tumultuosa


O presente do nosso tempo representa um grave declínio do humanismo e dos valores que sustentam a sua renovadora filosofia na solidariedade e no respeito pelos outros, e tende a agravar as condições de vida dos cidadãos.


Cada vez mais pessoas trabalham para sobreviver e não vivem para trabalhar com empenho e gosto de aplicarem a sua sabedoria. As escolas são um local triste, caminhando para formar pessoas medíocres, em vez do ensino do desenvolvimento das capacidades natas e da criatividade nos ensinamentos adequados à vida profissional com qualidade.


O Estado perde-se nos meandros do compadrio e está refém de uma grande quantidade de agentes acomodados, medíocres dirigentes e camaleões insurgentes a danificar a vida dos cidadãos que precisam dos seus serviços para a normalidade das suas vidas com o serviço público.


As empresas banalizam a natureza dos seus empregados, privando-os do necessário apoio formativo e evolutivo, tornando-os um bem amorfo e desinteressado na evolução dos conhecimentos de aprendizagem com sentido produtivo.


Muitas das famílias vivem ao um ritmo desenfreado atrás do consumismo, que nem se apercebem do disfarce que encobre as suas debilidades perante a agressividade da propaganda dos bens supérfluos em desfavor dos essenciais. É uma corrida que deforma as mentes da juventude e despreza os alicerces para uma vida saudável e de sucesso.


Caminhamos para o colapso da família, para o abismo da depressão de contornos de loucura, para a escravatura à mercê do capitalismo monstruoso capaz de triturar o que resta da sociedade social, tornando o horizonte sombrio e preocupante para não dizer trágico.


Perante este cenário terrível, continuamos a assistir a uma chusma de comentadores idolatrados pelos distraídos e acomodados, perigosamente ao serviço dos grandes impérios do poder oculto que se prepara para nos trucidar sem retorno. Se os órgãos de informação estão cada vez mais concentrados e controlados pelos grandes grupos económicos e financeiros, os servis comentadores são os coveiros que ajudam a cavar as covas onde os desprotegidos cidadãos acabarão por sucumbir.


Dificilmente conseguiremos barrar o caminho da desgraça que se avizinha, porque a nossa fragilidade e, até, indiferença perante a sanha tenebrosa que progride a olhos vistos, nos torna vulneráveis às consequências do desastre económico e humanitário que se afigura no horizonte da humanidade.


A cobardia dos acomodados, aliada à timidez do cidadão comum e aproveitada pelos poderes instalados ao serviço da corrupção, são as maiores causas do avanço do populismo, dos oportunistas sem escrúpulos e dos matadores de sonhos dos que ainda conseguem lutar por causas nobres.


Só uma vanguarda de gente sem medo, com sentido de entreajuda comunitária e visão de futuro mais promissor, conseguirá travar o avanço do domínio do supérfluo e da mediocridade. O progresso não deverá, nunca, fazer dos seres humanos instrumentos de arremesso contra as alterações sociais, nem contra as alterações climáticas, desvalorizando as suas capacidades de afirmação profissional e de evolução social. O desenvolvimento sustentável carece de lucidez e consciência colectiva a começar pelos grande grupos económicos e financeiros, detentores dos mais gravosos meios de poluição da atomosfera e dos mares.


Clube-Bilderberg4.jpg


Falam de crises… mas crises há muitas e de diversos matizes. O encanto pelas novas tecnologias sem ponderação e bom senso poderá ser o desastroso desencanto da essência da pessoa humana. As artimanhas escondidas nos argumentos dos defensores da propagada “Inteligência Artificial (IA)” são nocivas e perigosas, porque pretendem atrofiar a inteligência dos mais atentos e atirar para a sarjeta da sociedade os menos preparados para a consequente evolução tecnológica. Tratar a questão das oportunidades como um desafio artificial é um sofisma a que temos de estar atentos, atendendo à leviandade com que se propagam as ideias abstratas dos seus mentores.


....Recados-Inteligência art.jpg


O avanço das capacidades da Inteligência Artificial (IA) são reduzidos e estão longe de atender às necessidades do cidadão comum, porque não seguem a filosofia das tecnologias ao serviço da população em geral, mas sim para afinar o controlo da humanidade e aumentar a produção em proveito dos detentores de grande poder económico e financeiro, distantes das políticas promotoras do bem estar social humano.  


............bilderberg6.jpg


A sociedade está a sofrer uma atribulada mudança!


A meu ver, muitas "guerrinhas" que proliferam por todo o lado são alimentadas pelos poderes "ocultos" do comércio de armas, distribuição das drogas (veja-se quem são os defensores da liberdade do consumo de drogas), bem como o tráfico humano... E quem está por detrás de todos esses malefícios piores do que qualquer vírus: Fundações apoiantes das OMGs, clubes "secretos" como Bilderberg, Maçonarias, Opus dei, Capelos, Grémio Hebraico, Bucha e muitas outras com menor influência. Estas são as que definem as agendas do desenvolvimento dos negócios e das multinacionais, mas também determinam os rumos que a sociedade deve seguir, sempre com uma finalidade: restringir os direitos de cidadania e direitos sociais cujas previsões para o ano 2030 são deprimentes.


.....Recados.Donos do Mundo.jpg


Devemos estar atentos para entender e desvendar as personagens sinistras que se escondem por detrás das máscaras que se movimentam nas catacumbas dos poderes ocultos. Perante a avalanche de restrições à nossa liberdade de seres humanos com direitos, mais do que em outros tempos, precisamos de unir as nossas capacidades de resiliência para juntarmos as forças das pessoas comuns numa sagrada união de luta pela sobrevivência comum. Enquanto não perdermos as forças e os poucos elos que nos unem, precisamos de coragem e imaginação para enfrentar as forças do mal que nos atrofiam a condição de seres humanos com direito a sermos felizes.    


Temas de reflexão.


Valongo, Maio de 2006


.......Luta1-Maçonaria.jpg


NOTA: Os portugueses do Club Bilderberg:


Luís Amado (2012) – Visão de  07-06-2013


A escolha dos participantes portugueses na restrita conferência anual, que reúne personalidades influentes de vários ramos, é da responsabilidade de Francisco Pinto Balsemão.


O presidente do grupo Impresa é um participante permanente, desde 1988, e a ele cabe a escolha dos convidados portugueses para a conferência anual do Clube Bilderberg, que volta a reunir-se, de 6 a 9, no Hotel Grove, um resort de golfe, em Hertfordshire, Inglaterra. O secretário-geral do PS, António José Seguro, e o presidente do CDS e ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, são os convidados portugueses deste ano, para participarem numa assembleia que inclui também os “patrões” da Amazon, Google, Goldman Sachs, BP, HSBC, além de figuras como Henry Kissinger, David Petraeus, Juan Luis Cebrián, Christine Lagarde, Mário Monti, Robert Rubin e José Manuel Durão Barroso. 


https://visao.sapo.pt/atualidade/economia/2013-06-07-portugueses-no-clube-de-elite-bilderbergf733810/#&gid=0&pid=1


...............bilderberg1.jpg


...............hebraico.jpg

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Por um Futuro com Dignidade Humana

 Compromisso de Trabalho Solidário


para um Futuro mais igualitário


Aos meus Familiares, Amigos e pessoas de boa vontade, neste Novo Ano de esperança, em parceria com os companheiros de jornada solidária, deixo o compromissso sério de continuar a minha prestação e empenho na melhoria da saúde e bem-estar solidário, bem como nas sugestões capazes de prevenir e ajustar a vida de cada um às contingências provocadas por decisões e acções reconhecidamente prejudiciais para a comunidade da sociedade humana mundial, de que são exemplo as considerações e pareceres abaixo transcritos. A luta é importante, mas continuamos a acreditar que vale a pena, tal é a opinião dos milhares de pessoas a quem dedicamos o nosso trabalho solidário no país e na emigração.



RICOS E POBRES – QUE DIFERENÇA desde 2000


 Em 2002, o Prémio Nobel da Economia foi atribuído aAmartya Sem,que se expressou com a seguinte frase:


 “Aqueles que protestam contra a globalização, centrando as atenções nas desigualdades do mundo, merecem ser ouvidos e não agredidos.”


 1 - Bill Gates, usando a poderosa arma das tecnologias, é o principal promotor da globalização, em sintonia com as directrizes dos gurus do mercado globalista e donos absolutos das riquezas produzidas pelos trabalhadores que controlam através das regras impostas pelo sistema capitalista ao serviço da hegemónica estratégia dos Estados Unidos da América. Sistema manipulado de modo a proteger a elite financeira que lucra e domina o mundo, porque as tecnologias enriquecem os poderosos e marginalizam os pobres.


Curiosamente, é no país dito mais rico do mundo que temos o maior fosso da desigualdade entre ricos e pobres, com a riqueza acumulada em poder de 2% da população e a pobreza atingindo cerca de 30% de americanos.    


A especulação financeira nas bolsas de valores é um cancro da sociedade, dando cobertura aos maiores desvios de dinheiro para Offshores e paraísos fiscais, com a consequente fuga aos impostos, através de esquemas geridos por gurus dos "esquemas" que enriquecem com o dinheiro dos negócios das acções, bem como da exploração dos trabalhadores produtivos.



2 - Defraudar a Europa no preço do gás, como faz os EUA, é ganância autodestrutiva, afirmam economistas…


Nelson Garrone - 15 de setembro de 2022


Após se submeter a sanções à Rússia ditadas por Washington, a Europa sofreu cortes no gás russo e ampliou a aquisição do produto dos EUA a preços exorbitantes e agora debate-se com acelerada recessão. Economistas apontam que essa ganância vai ser destrutiva também para a economia norte-americana.


Citando a secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, o próprio The Washington Post ressaltou que uma paralisação completa das exportações russas de petróleo afectará gravemente a economia dos EUA, dando um novo impulso aos preços globais da energia.


Mas esta não é a compreensão da Casa Branca, para quem o agravamento da crise na Europa será “modesto” internamente, apegando-se a alguns economistas do país, que acreditam ser a “recessão europeia positiva” para os Estados Unidos.



A ganância instituída nos governantes americanos permite aumentar substancialmente os lucros com as crises e pandemias. As parcerias comerciais com a União Europeia, para 2023, são a prova mais visível da hipocrisia negocial americana, quando quer continuar a penalizar a Europa em 9 pontos sensíveis das trocas comerciais e financeiras; tais como o preço do gás que oscila à volta do triplo dos custos correntes do fornecido pela Rússia e outros países do norte da Europa.



A União Europeia submete-se ao gás natural mais caro imposto pelos EUA:


Por Federico Pieraccini


Uma das batalhas energéticas mais importantes para o futuro está a ser travada no campo do gás natural liquefeito (GNL). Enquanto isso, um pouco à maneira do dólar norte-americano, o GNL está a transformar-se numa ferramenta que Washington pretende utilizar contra Moscovo à custa dos aliados europeus dos Estados Unidos. A recessão e consequências gravosas para as populações europeias vão demorar anos a recompor-se e deixam feridas sociais e na saúde difíceis de sarar.



3 - ANOTAÇÕES da RTP:


“Não são palavras à toa: "os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres, cada vez mais pobres". É que, apesar do contínuo desenvolvimento económico, as desigualdades na distribuição da riqueza continuam a acentuar-se. A pandemia da Covid-19 agravou a situação e estima-se que só as alterações climáticas venham a contribuir com mais 100 milhões de novos pobres até 2030.”


“Apesar do progresso significativo que se verificou nas últimas décadas, cerca de 10 por cento da população mundial vive em situação de pobreza extrema – com menos de dois dólares por dia. O objetivo estabelecido pela comunidade internacional era reduzir a pobreza mais grave para 3 por cento até 2030. Mas os abanões cíclicos da economia mundial e a pandemia adiaram esse objetivo. Além disso, os modelos económicos vigentes têm vindo a intensificar, nos últimos anos, o fosso entre ricos e pobres, criando maiores desigualdades sociais.”


“Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), mais de 10 por cento da população mundial vive com severas dificuldades para ter acesso a recursos básicos de saúde, de educação, água e saneamento. As áreas rurais são particularmente afetadas e as mulheres, bem como as crianças, continuam no topo da lista dos pobres mais pobres.”


Esta “lição” inspira-se nos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) um conjunto de prioridades e aspirações globais para 2030. Definidos pela Assembleia Geral das Nações Unidas, os ODS visam erradicar a pobreza e criar uma vida digna e com oportunidades para todos, e exigem o envolvimento de governos, empresas e sociedade civil, à escala mundial. Ora, estes programas servem para defraudar as espectativas da população, quando verificamos a hostilidade dos poderosos em contribuirem para reduzir as desigualdades sociais, porque vivem num mundo de gananciosos a acumular riqueza à custa dos pobres que a produzem com o seu trabalho mal pago.


....Recados-Agenda 2030.jpg


NOTA DO AUTOR:


Ora, as promessas do desenvolvimento em favor dos pobres jamais serão cumpridas, porque estão condicionadas pelos objectivos do lucro para os mais ricos que dominam o mundo financeiro, através da especulação nas bolsas e desvio dos lucros para Offshores, além dos milhões de dólares gastos nas loucas tentativas de subir ao espaço extratoeférico e lá permanecer por escassos segundos! O descarado exibicionismo das fortunas gastas serve apenas para deliciar os egos excêntricos, sem nada acrescentarem à inovação das tecnologias nas viagens interplanetárias há muito conhecidas.



17 out, 2022 - 07:00 • Filipa Ribeiro


Cerca de 4,5 milhões de portugueses tinham rendimentos abaixo dos 554 euros mensais, em 2020. No primeiro ano da pandemia, a pobreza em Portugal aumentou cerca de 12,5%. Portugal é o 13.º país mais pobre da União Europeia. 


Mais de 100 milhões de pessoas enfrentam a pobreza na União Europeia


De  Isabel Marques da Silva  


 José, desempregado espanhol, e Eeva-Marie, trabalhadora a meio tempo finlandesa, estão entre os 113 milhões de pessoas que enfrentam a pobreza e a exclusão social na União Europeia, equivalente a 22,5 por cento da população do bloco comunitário (dados do Eurobarómetro, 2019).


Em 2021, 21,7% da população da União Europeia (UE) estava em risco de pobreza ou exclusão social, uma ligeira subida face aos 21,6% do ano anterior, segundo dados divulgados pelo Eurostat.


Em 2021, 73,7 milhões de pessoas na UE corriam risco de pobreza, 27 milhões estavam em situação de privação material ou social severa e 29,3 milhões viviam em agregados com baixa intensidade laboral ou miséria extrema.


A Roménia (34%), a Bulgária (32%), Grécia e Espanha (28% cada) foram os Estados-membros com maiores taxas de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social.


Em contraste, as menores taxas de pessoas em risco foram registadas na República Checa (11%), Eslovénia (13%) e Finlândia (14%).


Em Portugal, em 2021 havia 22,4% de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social (20,0% em 2020), a oitava maior taxa entre os Estados-membros e acima da média da União Europeia (21,7%).


 


Atualmente, a União Europeia é vista como estando a trabalhar em favor dos mercados, mas não das pessoas.


Sian Jones Coordenadora, Rede Europeia Anti-Pobreza


 NOTA:


Perante o alinhamento da União Europeia com os Estados Unidos da América, nós por cá seguimos tristemente para essa calamidade de miséria social.


Joaquim Coelho


                     


                           ##############$$$#############


 Por que os EUA têm os piores índices de pobreza do mundo desenvolvido.


Por Gerardo Lissardy - da BBC News Mundo em Nova York


Este é um dos grandes paradoxos dos nossos tempos: os Estados Unidos, país mais rico do mundo, têm alguns dos piores índices de pobreza no grupo dos países desenvolvidos.


Mais de meio século depois que o presidente Lyndon B. Johnson declarou "guerra incondicional à pobreza", os EUA ainda não descobriram como vencê-la.


Desde a declaração de Johnson, em 1964, o país teve conquistas surpreendentes, como chegar à Lua ou gerir a Internet. Entretanto, nesse período, conseguiu uma tímida redução no índice de pobreza, que caiu de 19% para cerca de 14%. Isso significa que mais de 40 milhões de americanos vivem abaixo da linha oficial de pobreza.



4 - Desigualdades globais


A euforia dos gestores das tecnológicas em apresentarem as suas previsões para o século XX, deixaram os economistas sérios e realistas, estupefactos e inquietos. Porque libertos das pressões dos grandes grupos económicos, apresentavam teses pessimistas quanto aos benefícios da globalização tecnológica, do desenvolvimento da inteligência artificial (AI) e da qualidade de vida sustentável para diminuir as desigualdades.


Vinte anos passaram e os resultados dessa euforia estão bem visíveis na sociedade, com o agravamento dramático das desigualdades e grandes constrangimentos no desenvolvimento social, na educação cultural e cívica, na saúde e na justiça. Em vinte anos, as desigualdades sociais triplicaram e os ricos aumentaram exponencialmente e as riquezas acumuladas demonstram a ganância dos poderosos em açambarcar cada vez mais, em prejuízo dos pobres que se multiplicaram e estão cada vez mais pobres.


Perante esta cultura iníqua do acumular de riqueza, a sociedade corre o risco do colapso social e político. Ora, as oportunidades adquiridas com as tecnologias, as ciências e as economias sociais estão viradas para a injusta satisfação dos mercados de valores que proporcionam riquezas desmesuradas para um reduzido número de oportunistas, quando os seus benefícios deveriam ser partilhados pela população com menores recursos educacionais e sociais.


Existem forças antagónicas desproporcionais na luta por uma sociedade mais igualitária. Os que defendem que os “mercados” devem funcionar sozinhos, sem restrições legais ou governamentais na regulação de preços, entendem que assim tudo está bem! Os que entendem que a globalização sem regras é a principal causa das desigualdades e das angústias do mundo, provocando um ambiente sombrio onde se escondem os desprotegidos e se endeusam os poderosos com as riquezas consideradas imorais.


Muitos especialistas reclamam reformas estruturais necessárias para combater as desigualdades, mas os governos e reguladores da economia de mercado ignoram os seus rogos, porque os fluxos financeiros beneficiam quem governa e quem está nas instituições reguladoras.


O economista americano James Tobin, prémio Nobel da Economia em 1981, propôs um imposto sobre as transações financeiras internacionais, cujo resultado seria aplicado em reformas para reduzir as desigualdades sociais. Embora alguns países lhe dessem atenção, só a França pretendeu aplicar tal taxa em 2011, como forma de reduzir os efeitos da crise financeira mundial em curso. O milionário George Soros defendia que a dita taxa deveria aplicar-se apenas às instituições publicas. Os resultados foram nulos e a globalização continuou a ignorar as medidas estruturais necessárias para reduzir as desigualdades, disponibilizando mais apoios para irradicação da pobreza, capacitando as pessoas com mais educação e formação profissional, com melhores condições de acesso à saúde.


Vinte anos depois, as desigualdades continuam em expansão, com países ricos, como os Estados Unidos, sem segurança social nem assistência na saúde acessível aos carenciados, porque as companhias de seguros engordam com as apólices vendidas aos mais endinheirados. A vida dos outros depende de resistirem ou não às doenças e ao espectro da fome.



Ora, estamos perante um mundo sem conserto, porque os acordos do comércio global favorecem sempre os países mais ricos e os negócios das armas proliferam dramaticamente para enriquecer os poderosos grupos armamentistas, sendo os Estados Unidos beneficiados com mais de 50% de armas vendidas, seguidos da Inglaterra e da Rússia, parte das quais servem para desestabilizar os países pobres de África, Médio Oriente e América Latina, onde as populações sobrevivem sem esperança de futuro. 




 5 - Esperemos que 2023 nos traga mais estabilidade social para melhoria das condições de vida, numa sociedade cada vez mais globalizada, onde as oportunidades sejam acessíveis e proveitosas para todos. Temos esperança no fim das guerras que atormentam as populações em debandada, acreditando que uma nova ordem mundial, mais humanista e justa como factor de paz e de progresso na prosperidade.


Há sinais evidentes de que o sistema liderado pelos Estados Unidos da América está esgotado como padrão do desenvolvimento humano, porque cresceu através do assalto programado e tenebroso às matérias-primas dos países mais fracos e corruptos, produzindo lóbis dos muito ricos e uma multidão de pobres e indigentes. A ascensão económica e tecnológica de países com políticas mais sensíveis às necessidades e ao bem-estar das populações são promissoras; pelo que, a Nova Ordem Mundial passará pela China, India, Paquistão, Taiwan, Brasil e países da órbita de influência russa.  



  A China apresenta melhoria no desenvolvimento sustentável, com um crescimento económico anual na média de 7%, embora tenha piorado em questões ambientais.


 Por Laís Modelli, G1


 Dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Uidas, país avançou em 13, como aumento da educação e erradicação da pobreza. Contudo, piorou em 4, como combate às alterações climáticas e busca pela igualdade de gênero, segundo artigo publicado na 'Nature'. A China é dos poucos países com programas eficazes para a resolução das desigualdades e protecção social das pessoas.


A nível nacional, a China avançou nos seguintes objetivos:



  • Erradicação da pobreza,

  • Educação de qualidade

  • Fome zero

  • Boa saúde e bem-estar

  • Água limpa e saneamento

  • Energia acessível e limpa

  • Emprego digno e crescimento económico

  • Indústria, inovação e infraestrutura

  • Redução das desigualdades

  • Cidades e comunidades sustentáveis

  • Vida sobre a Terra

  • Paz, justiça e instituições fortes

  • Estabelecer parcerias para alcançar as metas.



6 - Rico e Pobres – Porquê?


 Nos últimos tempos, temos sido atormentados pelas crises que nos tolhem a qualidade de vida; crises reais e crises inventadas ou programadas pelos poderosos que governam o mundo à medida dos seus interesses e acumulação de riqueza.


Estamos sendo atormentados pelas crises e atrofiados pelos noticiários deprimentes e deliberadamente mentirosos. Os poderes ocultos têm em desenvolvimento as poderosas máquinas trituradoras dos direitos humanos, criando acontecimentos e situações propícias aos impiedosos interesses antagónicos à prosperidade das pessoas comuns, que trabalham e produzem para satisfazer a agenda do capitalismo obscuro.


Ora, a realidade da engrenagem confirma que ninguém sai das crises como entrou: ou se sai mais forte ou se fica mais fraco e pobre. Somos nós que temos que entender os contornos da engrenagem e saber enfrentar os poderosos com capacidade criativa e determinação, antes de ficarmos irremediavelmente fragilizados e inúteis. Se não aproveitarmos a energia de grupo para nos organizarmos e não nos impusermos com afinco e determinação consequente, ficaremos ainda mais pobres em direitos sociais, na saúde, na educação, no trabalho e na segurança da liberdade com dignidade: caminho agendado para definharmos até à escravidão, prevista para 2030.


.13.pobreza33.jpg


.14.pobreza4.jpg


 


.15.pobreza2.jpg


.16.Luta-2.Povos.jpg


 

Boas Festas com Alegria

 Natal e Ano Novo - Entre a Alegria e a Esperança


 Festas do Natal, motivo de encontro das Famílias e partilha das emoções com os Amigos.


A vida é o que sentimos na lucidez da existência, razão do entusiasmo consequente. É uma paixão permanente, que nos anima e faz crescer. A felicidade é um enamoramento que nos deve preencher a vida inteira.


A serenidade é um dom que devemos cultivar, porque permite viver lúcidos no sentimento do amor e ser pacientes no entendimento da partilha com satisfação. 


Ver:    https://youtu.be/f2WosI7oqS4




 

Os Impérios Inplacáveis

PANDEMIAS - Mortos sem valor de mercado


Desenvolvemos uma sociedade onde tudo — mas tudo — tem um valor de mercado. Onde não existem pessoas, mas produtos e consumidores. Tudo é mercado. Esta é a civilização que criámos. O coronavirus expôs os fundamentos dessa “descivilização” que tem como farol os Estados Unidos da América e a Big Apple, Nova Iorque, como capital. Nós, os portugueses e os europeus, pertencemos a essa civilização. Quando o presidente dos Estados Unidos aponta o dedo à China como responsável pela pandemia está a dizer que a “nossa” civilização perdeu, apodreceu, está a reconhecer: A nossa Maçã está podre!


Há dias a comunicação social da nossa civilização mostrava a sede do império — Nova Iorque, a Grande Maçã, a metrópole que não dorme, a da Wall Street, a Bolsa que impõe o valor dos produtos no mercado, a Lota Mundial — a enterrar mortos do “vírus chinês” em valas comuns abertas por escavadoras, porventura chinesas, ou japonesas, ou coreanas, operadas por hispânicos! Conclusão a tirar da confissão de Trump: a China obrigou o nosso império a enterrar os seus mortos sem valor de mercado em valas comuns. Para aí vão os que, no Império do Mercado, não têm dinheiro para pagar um seguro privado de saúde, um fundo privado de pensões, um funeral como os que aparecem nos filmes, num campo relvado e música de fundo! As mesmas valas onde, provavelmente, há uns anos foram enterradas as vacas loucas, aquelas que sofreram uma degenerescência neurológica, ou os frangos da gripe aviária, ou os porcos da peste suína (que veio de Hong Kong) que também já foram sacrificados por não terem valor de mercado.


Há dias também surgiram imagens de milhares de americanos — os patrícios do nosso império — em filas de automóveis para levantarem uma ração alimentar de sobrevivência. Tinham deixado de ter valor de mercado. Estavam entregues, para já, à caridade. O primeiro passo para se tornarem párias, literalmente tramps, mais uns entre 50 milhões que é o número estimado para americanos abaixo do limiar da pobreza, vagabundos, os sacos do lixo ambulantes à espera de irem para uma vala comum.


Há dias surgiu a notícia de que um fedor a podre infestava um bairro de Nova Iorque — a Big Apple, a Grande Maçã cheirava a podre. O cheiro provinha de dezenas de corpos em decomposição que haviam sido atirados para o interior de carrinhas, de seres humanos sem valor que lhes permitisse serem sepultados. No império farol da nossa civilização aqueles corpos sem valor só foram dali retirados para um qualquer local ermo porque causavam mau cheiro e estragavam os negócios do bairro. Os donos das lojas não vendiam os seus produtos e os inquilinos não pagavam as rendas…



New York Times publicou uma lista dos maiores focos da pandemia nos EUA, as câmaras da morte. As primeiras 50 maiores lixeiras humanas são prisões e lares de velhos, com a intromissão de um porta-aviões (cujo comandante foi demitido por ter alertado para a situação — dos outros porta-aviões nada se sabe) e uma central de produção de eletricidade, por qualquer razão. Presos e velhos não têm valor de mercado, a comunicação social e o imperador não falam neles. Os casos referidos e extrapolados são os de uns navios de cruzeiro, de onde vêem o mundo as gentes com valor de mercado; Gentes que até beneficiam dos negócios da Bolsa  de Wall Street ou da especulação dos Bancos e das clínicas privadas.


O dito “vírus chinês “, na versão de sacudir o capote de Trump, o imperador louco, também revelou que o respeito pelos princípios do respeito pela pessoa humana da nossa civilização está ao nível daquele que a nossa civilização acusa o seu inimigo: um ser humano preso numa cadeia americana vale o mesmo que um ser humano preso numa cadeia chinesa. Nada. Não têm valor de mercado. Nesse aspeto, entre a nossa civilização e a da China não há distinção. Só para recordar: quer os Estados Unidos quer a China têm pena de morte. Os primeiros matam para aliviar espaço nas cadeias; os segundos matam logo que acabe o julgamento! No critério do valor de nercado, há apenas uma pequena diferença: na china existe alguma protecção para os mais carenciados de apoio social, nos Estados Unidos não existem apoios oficais porque não têm qualquer valor de mercado - são lixo a ocultar.



Todas as civilizações assentam no princípio do respeito por quem fez parte dela, por quem pertenceu a uma comunidadae e esse respeito reflete-se no último ato, com maior ou menor pompa. Este império, o nosso, produziu uma civilização, a primeira, em que os “seus mortos” são lixo desde que sejam pobres e, logo, sem valor. O coronavirus revelou a miséria desta civilização do mercado, da lei da selva, da ganância. Trump é o ogre que configura a monstruosidade desta civilização. A Maçã está podre e nós, os europeus, ou a deixamos apodrecer por si e nos afastamos, ou apodrecemos com ela.


Livrarmo-nos desta crise é afastarmo-nos da maçã podre.



O Professor Dr. Ladislau Dowbor, disponibiliza a "Pedagogia da Economia”: educando para o mundo real. 



NOTA: Durante a actual pandemia de coronavírus, o governo turco adoptou uma abordagem secular, proibindo funerais para aqueles que tenham morrido da doença e tomando a decisão inequívoca de fechar mesquitas às sextas-feiras, quando os fiéis normalmente se reuniam em grandes grupos para a oração mais importante da semana. Os turcos não se opuseram a essas medidas. Por maior que o nosso medo seja, é também sábio e tolerante.


Para que um mundo melhor surja após esta pandemia, devemos abraçar e nutrir os sentimentos de humildade e solidariedade gerados pelo momento actual.


  



 


A UNIÃO EUROPEIA E A GANÂNCIA DOS PODEROSOS


A «repugnância» do primeiro-ministro da República Portuguesa com o comportamento do ministro das Finanças da Holanda é legítima, saudável, até catártica. Ao mesmo tempo, porém, é estranha e surpreendente. Porque o chefe do governo português não pode ignorar que a atitude de Woepke Hoekstra não é um caso isolado, uma birra pessoal: reflecte exactamente o espírito e a prática da União Europeia, dos quais Portugal vai tendo a sua dose de experiência própria. E quando António Costa afirma dramaticamente que «ou a União Europeia faz o que tem a fazer ou acabará» isso não passa de um banal e inócuo sound bite: sabe perfeitamente que a União Europeia não fará o que, no seu entender de ocasião, «tem a fazer» – salvar pessoas da tragédia do COVID-19 – e muito menos irá acabar por causa disso.


A posição do ministro das Finanças da Holanda, neste caso em relação à situação em Espanha, está perfeitamente sintonizada com as medidas económicas, financeiras e políticas contra os cidadãos tomadas pela União Europeia, por exemplo à sombra da crise iniciada em 2008-2009 e que continuam válidas – passando a fazer parte do acervo genético da instituição. O que as troikas e outras criaturas fizeram, designadamente contra os gregos e os portugueses, os comportamentos coloniais de Bruxelas em relação a vários países, as normas aprovadas salvando elites e sacrificando pessoas encaixam perfeitamente na mentalidade reproduzida pelo empedernido Hoekstra.


O qual, aliás, mais não fez do que afinar o discurso pelo do seu primeiro-ministro, Mark Rutte, quando declarou: «Na Holanda os pacientes mais idosos ficarão a receber tratamento em casa, considerando-se que, dadas as poucas hipóteses de sobrevivência, será mais humano deixá-los nos seus lares».


Poder-lhe-íamos chamar «selecção natural», como aliás são obrigados a fazer, em desespero, profissionais de saúde italianos e espanhóis quando têm que decidir quais os pacientes a quem aplicam ou não aplicam os equipamentos de sobrevivência – uma vez que os existentes não chegam para todos os infectados pela pandemia.


Isto acontece na Europa que se considera desenvolvida e civilizada. Mas onde as instituições europeias, moldadas pelo regime neoliberal único e global, se têm dedicado a destruir os serviços públicos de saúde em nome do combate ao défice e da prevalência absoluta do euro – nem que seja através de apurados métodos de tortura social.


……………


Se dúvidas houvesse sobre o que é o Eurogrupo e como procede – sem quaisquer parâmetros humanos – basta ouvir as gravações das reuniões onde se programou o sacrifício dos gregos, captadas pelo ex-ministro Yanis Varoufakis. Está lá tudo expresso e explícito, sendo que a vocação punitiva não é de um ministro das Finanças holandês, de um alemão, de um austríaco, finlandês, lituano ou belga – é de todos. É a austeridade como sistema. Por isso, entregar a procura de uma pretensa solução contra os efeitos do COVID-19 a uma entidade austeritária como essa, chefiada por um obcecado do défice, só poderá dar os resultados a que estamos habituados, e que não se propõem salvar pessoas.


Hecatombe na saúde


«A realidade dos dias de hoje, marcada por uma catástrofe de âmbito global, confirma que o neoliberalismo é potencialmente genocida. Transformar a saúde e a segurança social do ser humano em negócios orientados pelo lucro máximo viola abertamente o direito à vida de milhões e milhões de pessoas.»


O Papa Francisco reconhece que assim é, ao chamar a atenção para a necessidade de pôr «as pessoas em primeiro lugar»: «(…) todos sabemos que defender as pessoas supõe gastos económicos; seria triste se a opção escolhida fosse a contrária, o que levaria à morte de muita gente, um genocídio viral».


…………………..


Já percebemos que o desprezo pela vida está latente nas palavras do primeiro-ministro holandês e do seu ministro das Finanças. Porém, elas não são mais do que expressões de uma mentalidade que há muito deixou de ter contemplações com o ser humano, idoso ou não, quando este se atravessa no meio das estradas dos lucros.


A pandemia gerada pelo novo coronavírus expõe talvez essa realidade como nunca; e põe a descoberto a cobardia do regime dominante contra os mais frágeis da sociedade.


Mark Rutte declarou que, «devido às suas poucas hipóteses de sobrevivência», os mais idosos deverão ficar a morrer em casa.


O seu conceito, aliás, nada mais é do que a reedição da tese de um ministro japonês das Finanças, Taro Aso, que em 2013 defendeu que «os cuidados de saúde com os mais idosos significam custos desnecessários».


…………..


Daí ao layoff


Postas as coisas nestes termos não surpreende que, com ou sem quarentena, esteja estabelecida como dogma a ligação entre o COVID-19 e o desemprego, mesmo que seja matizado com a nuance de layoff, esse método de pôr os trabalhadores e, ao mesmo tempo, contribuintes a sustentar as empresas através do Estado como maneira supostamente única de tentarem garantir os seus empregos após a pandemia.


Na mentalidade neoliberal, hard ou soft, não existe outra maneira de perspectivar a economia durante e após a pandemia que não seja sacrificando os trabalhadores e pondo o Estado a sustentar as empresas, isto é, o patronato.


Não há como crises genéricas ou pandemias para o Estado passar de maldito a salvador do «tecido empresarial», obviamente privado.


O que se adivinha no ar do tempo, através das movimentações dos expoentes neoliberais, com destaque para a União Europeia irmanada a Trump, é a necessidade de salvar o capitalismo do COVID-19, de produzir riqueza privada com recursos públicos; e para isso haverá que exigir mais sacrifícios humanos daqueles que, idosos ou não, escapem à peste do novo coronavírus.


……………..


Pelo caminho que as coisas levam, e recordando experiências recentes, se os cidadãos não se organizarem para fazer frente ao que aí vem na sequência do que aqui está não faltarão mais neoliberalismo, mais autoritarismo, mais sacrifícios e austeridade para a generalidade da população – que não para as elites – menos direitos sociais e humanos e, claro, menos liberdades e ainda muito menos democracia.


02-04-2022


José Goulão; Exclusivo O Lado Oculto/AbrilAbril


 



 NOTA JC: “Quem não perceber o que está em movimento contra os direitos humanos e contra a dignidade dos cidadãos, poderá ser surpreendido na sua ignorância e trucidado sem piedade pelo sistema genocida que avança para sufocar toda a forma de liberdade e os direitos cívicos e sociais.” 



Encavalitadas na onda de terror do medo inflamado pela comunicação social, as empresas multinacionais estão a arrecadar lucros fabulosos como nunca se viu. Então, as farmacêuticas aproveitam a maré do caos governativo dos tenores desta catástrofe social para programarem a evolução do coronavírus “ad eternam”, porque as instituições e os governos fracos e amorfos não lhes travam a ganância genocida.