terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Ucrânia e UE - Tragédias Anunciadas

NOTA Prévia:

Há muito tempo que a Europa perdeu o rumo e a União Europeia ficou refém da incompetência dos seus dirigentes. Gente sem capacidade de visão política mundial, perderam o tino e conduzem a Europa para a insolvência dos seus princípios básicos e falência financeira: criar um espaço de convivência pacífica e proteccção social das populações. Ora, perdidos os valores solidários da comunidade, perdidos os importantes meios de produção e desenvolvimento, a UE está atulada em dívidas e compromissos financeiros que jamais conseguirá cumprir, especialmente com os Estados Unidos da América. 

Assim, com governantes predominantemente acéfalos, perdidos nas nuvéns da ambição desmedida, o futuro dos cidadãos começa a ficar miseravelmente perdido nas catacumbas dos gabinetes de Bruxelas.

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Propaganda, Negação e o Sacrifício da Ucrânia
 
É hoje praticamente impossível abordar a guerra na Ucrânia sem reconhecer o ambiente intelectual peculiar em que o debate foi sendo moldado. Desde muito cedo se tornou evidente que qualquer tentativa de formular uma crítica ponderada — ou simplesmente de reconhecer a complexidade do conflito — era recebida com uma agressividade quase ritual. Bastava insinuar que o governo de Zelensky não correspondia ao ideal romântico de liderança patriótica, ou recordar que a queda de Bakhmut, em Junho de 2023, revelava a derrocada estratégica de Kiev, para que o autor dessas observações fosse imediatamente classificado como inimigo interno, marioneta do Kremlin ou traidor moral do “Ocidente democrático”.
A resposta automática — “Então vai para Moscovo!” — funcionava como espécie de senha emocional que dispensava análise, suspendia o pensamento crítico e bloqueava qualquer tentativa de discutir os factos. Não era apenas uma reacção infantil; era um reflexo bem estudado de uma cultura política que já não se alimenta da discussão racional, mas de slogans que funcionam como marcadores identitários.
O que se passou na Europa, sobretudo após 2022, não foi, portanto, apenas a construção de uma narrativa política: foi a consolidação de uma cultura de propaganda. Não a propaganda clássica, ingénua, de contornos patrióticos, mas uma propaganda mais sofisticada, regressiva na sua essência e emocionalmente manipuladora. Uma propaganda que se sustenta tanto no que afirma como, sobretudo, no que deliberadamente omite.
Ao longo dos últimos anos, assistiu-se à fusão progressiva entre discurso político e discurso mediático, produzindo um sistema de informação que opera segundo lógicas de mobilização emocional permanente. A Ucrânia tornou-se, neste sentido, um laboratório privilegiado. As omissões, as distorções e as leituras unilaterais funcionaram como dispositivos destinados a produzir o ambiente psicológico necessário para legitimar uma confrontação estratégica com a Rússia.

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O mais paradoxal, contudo, é que mesmo quando surgiram sinais ténues de racionalidade por parte de Kiev — nomeadamente a disponibilidade para explorar caminhos diplomáticos — não foi a Ucrânia quem determinou o rumo da política de guerra. Foram os governos europeus que, com uma mistura de voluntarismo moralista e arrogância civilizacional, decidiram que negociar com Moscovo equivaleria a capitular perante o inimigo. Assim, a soberania ucraniana, tantas vezes evocada em discursos inflamados, foi rapidamente relativizada sempre que se tornava inconveniente para os objectivos estratégicos de Bruxelas e Washington.
Convém recordar um ponto essencial, frequentemente varrido para debaixo do tapete: Zelensky foi eleito em 2019 com um mandato explícito de pacificação. Os ucranianos votaram num candidato que prometia pôr termo a um conflito que já durava desde 2014. Esse mandato foi, no entanto, progressivamente esvaziado, primeiro pela pressão das forças nacionalistas ucranianas e depois — de forma muito mais profunda — pela realpolitik ocidental, que sempre encarou a Ucrânia como instrumento e não como sujeito político.
A cronologia não mente: o conflito não teve início em 2022, mas numa sequência de decisões geopolíticas que procuraram transformar a Ucrânia num tampão militar e num vector de pressão estratégica contra Moscovo. É neste contexto que deve ser entendida a crescente intromissão do chamado “Ocidente colectivo” nos processos eleitorais, legislativos e militares ucranianos. A Ucrânia foi sendo moldada como peça de um xadrez cujo tabuleiro nunca controlou.
À medida que a guerra avançava e a realidade se impunha — cidades devastadas, um país exaurido, perda demográfica irreversível, uma economia reduzida à dependência externa — a narrativa oficial limitou-se a insistir num voluntarismo que já não enganava ninguém. A Europa, em vez de reavaliar os seus pressupostos, reforçou-os. O mecanismo psicológico é típico de todas as grandes ilusões políticas: quando a realidade ameaça desmentir a narrativa, reforça-se a narrativa para afastar o desconforto cognitivo.
A ironia final deste processo reside no facto de que muitos dos governos europeus envolvidos sabiam perfeitamente que estavam a empurrar a Ucrânia para um confronto impossível. Sabiam que a Rússia encarava a aproximação militar da NATO como ameaça existencial. Sabiam que estavam a lidar com um país marcado por tensões internas profundas, por redes nacionalistas radicais e por níveis de corrupção estrutural que incompatibilizariam qualquer candidatura séria ao modelo democrático europeu. Apesar disso, prosseguiram como se operassem num laboratório sem custos humanos.

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Os acontecimentos mais recentes — incluindo investigações que apontam responsabilidades de agentes ucranianos em actos de sabotagem, como no caso das explosões do Nord Stream — expõem uma contradição moral difícil de ignorar: aqueles que proclamam defender a liberdade e a ordem internacional aceitaram, na prática, uma política que instrumentaliza povos inteiros para alcançar objectivos geoestratégicos que já nem eles próprios conseguem justificar integralmente.
A história demonstrará, com a sua habitual sobriedade cruel, que o Ocidente sacrificou a Ucrânia não por altruísmo, nem sequer por mero cálculo estratégico, mas por uma incapacidade estrutural de admitir que a sua própria narrativa estava errada desde o início. E quando a incapacidade de reconhecer erros se transforma em programa político, o preço é sempre pago por terceiros — nunca pelos que tomam as decisões.
A Ucrânia foi, assim, transformada numa das mais trágicas vítimas de uma era marcada por propaganda, cinismo e uma crescente deserção das responsabilidades morais da política. No centro desta tragédia não está apenas um país destruído; está a revelação inquietante de uma Europa que perdeu o sentido da prudência e o respeito pela verdade.
E talvez seja isto, no fim, o mais perturbador.
Tenho dito
1/12/25
ADRIANO PIRES
 

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Última HORA:
A ex-Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros, Federica Mogherini, acaba de ser PRESA POR FRAUDE.
A UE vive de corrupção, e essa corrupção só virá à tona quando a guerra na Ucrânia terminar.
BILHÕES FORAM PARAR DIRETAMENTE NOS BOLSOS DAS ELITES UCRANIANAS E DE BRUXELAS.
ESTÁ ASSIM DESVENDADO O MISTÉRIO DE TÃO GRANDE ADESÃO DA CONTINUAÇÃO DA GUERRA DA UCRÂNIA POR PARTE DA UE.

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Putin rejeitou as propostas europeias, considerando que “as exigências europeias são inaceitáveis para a Rússia”. Acusou ainda os líderes europeus de “dificultarem” as propostas dos EUA e insistiu que “não têm uma agenda pacífica”. O presidente russo afirma que a Europa esteve afastada das negociações do plano de paz por sua própria culpa.
Putin diz que a Rússia não quer a guerra, mas “se a Europa quiser fazer a guerra, estamos prontos agora”, acrescentou, segundo a Reuters.

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SIMBOLISMO, SEM GRANDES PRENDAS

A encenação de um encontro - e as suas limitações
Hoje, no Eliseu, o encontro entre Zelensky e Macron pretendeu mostrar união e empenho - uma fotografia de diplomacia reforçada, uma imagem de apoio ocidental renovado à causa ucraniana. A agenda oficial fala de “paz justa e duradoura”, em coordenação com os esforços dos Estados Unidos e os diálogos de Genebra.
Mas a substância, a este ponto, permanece escassa.
O plano americano, de 28 pontos - amplamente criticado por favorecer Moscovo - teve de ser revisto, e mesmo assim alimenta dúvidas em muitas capitais europeus. A componente militar de apoio parece esbarrar no receio político de muitas lideranças ocidentais, sobretudo aquelas sob pressão interna, o que reduz o que originalmente se podia vislumbrar como compromisso real de segurança.
Uma década de promessas não cumpridas - e a sombra de 2014
Desde 2014, com os Acordos de Minsk, a liderança ucraniana optou por caminhos políticos e militares de resistência e pressão - nomeadamente em Donbass - em vez de cumprir integralmente os acordos de cessar-fogo e descentralização. Isso condicionou, desde logo, a credibilidade da via diplomática.
A insistência, ao longo dos anos, numa aliança de facto com Washington - e numa dependência das políticas de pressão dos EUA sobre Moscovo - consolidou uma trajetória que hoje se aproxima de um beco sem saída. O plano americano atual surge como herdeiro dessa aposta: Kiev, sem garantias sólidas, não tem margem para reivindicar grandeza; arrisca-se, sim, a perder o que tinha como esperança.
No momento em que se reavivam negociações de paz, o custo da escalada militar e da dependência externa assume proporções dramáticas: território perdido, população devastada, infraestrutura destruída. A “vitória” prometida, se vier, dificilmente será radiosa - mais provável é uma paz imposta pelas circunstâncias, com compromissos umbilicais frágeis, à espera do primeiro desafio de Moscovo.
O “esgar” - rostos que falam mais do que palavras
Nas imagens da recepção de hoje, nota-se algo mais do que cortesias protocolares. O olhar de Zelensky, tenso; o semblante sério de Macron; o gesto contido, quase de obrigação. Mesmo os acompanhantes - incluindo as respetivas esposas - parecem carregar o peso do simbolismo: não há sorrisos fáceis, não há gestos espontâneos de confiança.
Esse “esgar” - mistura de apreensão, diplomacia cansada e consciência de um contexto frágil - transmite mais do que palavras: revela incerteza. A cena pública busca transmitir unidade, mas revela, no corpo, no rosto, o receio de quem sabe que “apoiar” hoje pode significar deixar para amanhã o desenlace do problema.

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A paz que vem - provável - mas sem glória
É possível que, nos próximos meses, a guerra esfrie. Que a diplomacia, os bombardeamentos exaustivos e o desgaste bélico conduzam a um cessar-fogo. Talvez haja trocas, garantias provisórias, alguma reconstrução. Mas dificilmente será a paz dos sonhos de 2014 - ou mesmo dos apelos de 2022.
Quando chegar esse momento, Kiev vai, ou deveria, olhar para trás e perceber que ao longo da década fez escolhas: apostar tudo na resistência militar e na pressão ocidental como forma de assegurar futuro. Se esse futuro chegar com concessões territoriais, com condicionamentos à soberania, com dependência externa reforçada - estaremos, de facto, perante uma derrota estratégica.
Porque, afinal, o que se vê hoje no Eliseu é o coroar de anos de reforço militar, promessas geopolíticas e diplomacia de palco - mas sem que essa retórica tenha gerado, de facto, a segurança real que prometia e a compreensão das razões que tinha um lado considerado inimigo.
 
02-12-2025
João Gomes in Facebook
 

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quinta-feira, 23 de outubro de 2025

A Europa está Hospitalizada

O REI VAI NU e a EUROPA não viu...

   D. Vance foi a Munique afirmar o princípio da força como fundamento do poder, o princípio da unidade do poder e negar as bem-intencionadas teses da divisão tripartida dos poderes, executivo, legislativo e judicial de Montesquieu. O vice presidente dos EUA foi a Munique expor a realidade em que assenta o poder nos Estados Unidos: a lei dos xerifes do Oeste: a lei sou eu e o meu revólver. Os poderes tradicionais e os não tradicionais devem estar submetidos ao detentor do poder executivo. J. D. Vance explicou que o êxito dos Estados Unidos e a vitória de Trump resultam do facto de o poder ser exercido por uma conjugação de tirania e oligarquia, na classificação de modos de governo estabelecido por Platão em "República".

   Perante uma assembleia de funcionários políticos europeus (raros políticos eleitos), o vice-presidente dos EUA afirmou que o governo de Trump respeita a hierarquia de Platão, de que a oligarquia é preferível à democracia, que durante milénios foi eficaz para os poderosos exercerem o seu poder e gozarem os seus privilégios, que a oligarquia constitui o único sistema de governo que o que atualmente (desde o final da Segunda Guerra Mundial) é designado por “democracia” são versões de oligarquias adaptadas aos meios para as legitimar.

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OXIGÉNIO PRECISA-SE PARA UMA UE DOENTE

Na ala de urgências da Europa, há um paciente em estado crítico: a Alemanha. Chegou pálida, com a pressão económica em queda e a temperatura industrial abaixo dos 36 graus. A enfermeira-chefe, Ursula von der Leyen, tenta aplicar uma injeção de fundos e sanções, mas o doente não reage.

No monitor, os números tremem: produção industrial, exportações, confiança empresarial - tudo em linha descendente. Do outro lado da cama, um médico francês observa, de estetoscópio pendurado, mas ele próprio cambaleia com tonturas fiscais e febre social. É o Dr. Macron, especialista em diagnósticos grandiloquentes e em reformas que causam mais convulsões do que curas.

Na sala de espera, os restantes membros da União observam a cena com aquela expressão de quem já sabe que o seguro de saúde não cobre tudo. A Itália pede calma, a Espanha finge estar melhor, a Hungria fuma no corredor e a Polónia ameaça mudar de hospital. No fundo, ninguém tem oxigénio suficiente para si, quanto mais para o outro.

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O caso da Alemanha é paradigmático: Décadas a viver do músculo industrial e da energia barata russa, e agora descobre-se dependente de baterias chinesas e burocracias de Bruxelas. A máquina produtiva está presa a tubos verdes - impostos climáticos, metas ambientais, e regulamentos que exigem painéis solares até nos telhados das fábricas falidas. O diagnóstico é unânime: anemia energética crónica.

Mas o tratamento é controverso. Uns dizem que precisa de transfusões de gás russo; outros, de terapias verdes mais intensivas.

Enquanto isso, a economia perde sangue e o paciente murmura baixinho: “Vielleicht war es besser mit Nord Stream...”. A França, no leito ao lado, não está muito melhor. O pulso político é irregular, entre protestos e dissoluções parlamentares. O coração europeu da igualdade e da fraternidade bate em arritmia, e cada nova tentativa de Macron de reformar o sistema provoca uma nova inflamação nas ruas.

Ambos, França e Alemanha, os outrora “motores da Europa”, agora lembram dois carros híbridos avariados à beira da autoestrada, à espera de um reboque que nunca chega.

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Entretanto, Bruxelas organiza reuniões de emergência - verdadeiros simpósios de cardiologia orçamental. Os ministros das Finanças debatem pacotes de estímulo, fundos de resiliência, planos de transição, e tudo termina em comunicados otimistas redigidos em linguagem que nem os tradutores acreditam. É o natal longínquo da esperança europeia, com presentes embrulhados em PowerPoints e promessas de “coordenação fiscal” que nunca se concretizam.

E enquanto o soro financeiro pinga lentamente, o mundo gira lá fora. Os Estados Unidos cobram tarifas e vendem gás caro, a China disputa o mercado elétrico, e a Rússia observa tudo com o ar paciente de quem sabe que, mais cedo ou mais tarde, o hospital fechará por falta de fundos.

Se houvesse justiça poética, alguém abriria a janela e deixaria entrar um pouco de ar fresco - oxigénio, enfim. Mas em Bruxelas, o protocolo exige máscara de formalidade e luvas de tecnocracia.

A Europa asfixia lentamente, presa entre dogmas e dívidas. E a única máquina que ainda funciona é a de ventilação política, que repete sem parar: "A recuperação está a caminho... a recuperação está a caminho..."

22-10-2025  João Gomes

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E TUDO a União Europeia ACEITOU

Há quem diga que a Europa é um velho continente cansado. Eu diria antes que é um continente crédulo - e de uma flexibilidade moral invejável. Depois de anos a marchar ao som da banda da NATO, entre discursos inflamados e bandeiras azuis estreladas, eis que, subitamente, a proposta de paz vem de Trump — sim, o mesmo que Bruxelas tratou como bufão populista, ameaça à democracia e, em certos jantares de comissários, quase como um bárbaro à porta do império.

Mas agora, com Kiev e os seus aliados a aceitar que a linha atual da frente seja o ponto de partida das negociações, a retórica heroica da União Europeia soçobrou como um balão furado. Afinal, não era a Ucrânia “a muralha da Europa”? Não estava Putin prestes a marchar sobre Varsóvia, Paris e quem sabe até Bruxelas (onde, ironicamente, já reina a confusão há muito tempo)?

Durante dois anos, a Comissão Europeia transformou a guerra num drama moral e identitário, onde quem pedisse diálogo era cúmplice do Kremlin, e quem falasse de paz era acusado de ingenuidade geopolítica. Agora, confrontada com a realidade militar - e com Trump, o novo maestro em Washington, a Europa engole em seco, muda o discurso e... aceita.

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Aceita que a Ucrânia não vai reconquistar Donetsk. Aceita que a NATO não manda mais na agenda global. Aceita que os seus planos de “autonomia estratégica até 2030” soam a promessa de ginásio: boa intenção, zero execução.

E tudo, claro, com ar sério e institucional, como se fosse exatamente isto que tinham planeado desde o início. A arte europeia da incoerência diplomática está viva e recomenda-se.

Entretanto, a retórica do “inimigo às portas” serviu bem: justificou aumentos orçamentais para a defesa, contratos milionários com as indústrias de armamento e o adiamento conveniente de debates sobre pobreza, energia e desigualdade. Agora que a paz volta à mesa - não pela mão da Europa, mas de Trump, em Bruxelas instala-se o silêncio constrangido de quem percebeu tarde demais que andou a fazer política externa com hashtags.

No fundo, a história é simples: a UE não conduz, segue. Segue Washington quando é democrata, segue Trump quando regressa.

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Segue a Ucrânia enquanto convém, e deixa-a seguir sozinha quando a realidade militar aperta. E quando tudo muda, a Europa faz o que melhor sabe fazer: aceita. Aceita com gravidade, com comunicados oficiais, com um ar de quem sempre teve razão. Aceita, porque recusar exigiria pensar por conta própria - e isso, convenhamos, não cabe nos tratados.

E ninguém se demite? Não: as mordomias salariais são muito boas e tapam todas as vergonhas...

Por: João Gomes

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Os Desafios à Humanidade

Como os poderosos nos tramam

   Há uma elite mundial, o grande clube, que usa todas as formas de mentiras e manipulação para tramarem os cidadãos comuns, tendo como finalidade a exploração e escravidão.

   São eles que provocam as crises, de onde saem mais ricos e os trabalhadores mais pobres. Porque contratam os mais dotados especialistas financeiros, psicólogos e técnicos, bem pagos, para lhes dizerem como organizar conflitos e arruinar as pequenas empresas até ao colapso. Estão bem preparados para ganhar com a falência dos pequenos.

   Como diz Maquiavel, tudo o que eles querem é paz e segurança e um povo manso sem pensar e sem reflexão. Planeiam tudo e estão cientes dos resultados: criam um mundo ilusório, propagam distrações fascinantes, criam problemas na assistência social e na educação, espalham as drogas e implantam lixo nas caixas cerebrais. Depois, apresentam-se como salvadores, fingindo governar ou proteger os interesses dos povos.

   Todos os sistemas financeiros, comerciais e sociais são controlados por entidades ocultas, trabalhando silenciosamente em cooperação, com tal poder que amedrontam os magistrados e membros das instituições ditas de fiscalização; e, assim toda a corrupção prospera, enquanto o povo empobrece e perde a lucidez.

   Portanto, aconselho as pessoas sérias a ler boas obras de autores credíveis, que ensinem a relacionar o que nos preocupa na sociedade e as razões da nossa pequenez. Se entendermos o mundo que testemunhamos e relacionarmos tudo com lucidez deixamos de ter medo de protestar e reclamar os nossos legítimos direitos. Quando dissiparmos esses medos de agir com razão, viveremos bem melhor; porque, viver com medo não é viver.

Joaquim Coelho - 21/07/2020

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O bárbaro mundo contemporâneo

Por: MANUEL AUGUSTO ARAÚJO

Estamos submergidos no imenso roído das tramas insidiosas dos poderosos que controlam a humanidade, numa espécie de mutismo solitário dentro das redes sociais.  Assim consumimos informação mentirosa e alienante, sem percebermos porque os estados-nação se demitem das definições de políticas de interesse público que, progressivamente as vão transferindo para o sector privado, que tem por máxima a lógica inexorável do mercado, em que a única hierarquia é o que é vendável com impacto máximo e obsolescência quase imediata. São os tempos em que a globalização nos domina e deprime.

«Enquanto, numa extensão sem precedentes, cada vez mais habitantes do planeta perdem a esperança e são atirados para a exclusão, a riqueza global vai-se concentrando num número cada vez menor de mãos. Nada é mais desigual que a igualdade entre desiguais nem há democracia possível com tamanha desigualdade»

Em nome da racionalização e da modernização da produção, está-se a regressar ao barbarismo dos primórdios da revolução industrial. O objectivo é a conquista do mundo pelo mercado dos poderosos gananciosos, onde as armas são financeiras e o objectivo da guerra é governar o mundo a partir de centros de poder abstractos. Megas pólos do mercado que não estarão sujeitos a controlo algum, excepto a lógica do investimento. Assim usam comunicação para preparar e justificar as acções políticas e militares imperialistas através dos meios tradicionais, rádio, televisão, jornais e redes informáticas, como é igualmente importante a construção de um imaginário global com os meios da cultura mediática de massas, usadas para legitimar empresas e marcas do capitalismo, onde o conservadorismo moral procura impor os seus códigos. É a universalização da cultura anglo-saxónica com os EUA no comando, que a usam como instrumento de subjugação, com o objectivo extremo de dispensar a necessidade de exércitos de ocupação. Vive-se num «casino cósmico», como o definiu concisamente Georges Steiner.

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A cultura e arte tornaram-se elementos de normalização e controlo social e de legitimação da exploração pelas empresas capitalistas, até a cultura se transformar num turbilhão de resíduos que invade o quotidiano. Um labirinto construído muro a muro em que se procura aprisionar definitivamente a humanidade, com a consequência política de desembocarem numa amálgama de conformismo e acomodamento com o estado de sítio da sociedade actual. Os labirintos são espaços em que nos perdemos, mas onde também nos defendemos, como nos mostra Stanley Kubrick no filme Shining. O minotauro da ideologia burguesa do neoliberalismo também o sabe, pelo que a porta de saída do seu labirinto abre para o campo de concentração do mundo digital onde distribuem em doses industriais o novo ópio da humanidade. Em que as redes sociais são o seu princípio mais activo, onde a alienação se espalha como um cancro por todas as actividades humanas até ao extremo limite da alienação de si próprio que voluntariamente se assume no consumo digital, em que, nas redes sociais, a vida de cada um se expõe como um reality show aberto aos continentes sem limites de seguidores e amigos virtuais – a alienação dos amigos reais – que se colhem como papoilas e de quem se esperam aprovações ou desaprovações em emojis e comentários. É o grau zero do social em que tudo acaba por ser idêntico sem experiência alguma, sem conhecimento algum. Uma degradação do star-system com que o cinema fabricou produtos para serem consumidos, em que coexistiam estandardização e singularidade, para produzir fascínio, desejo, emoção, prazer, numa  oferta consumidora em que trabalham as indústrias culturais e criativas, vendendo um entretenimento pronto a usar e a esquecer nos jogos de sedução filtrados pelas estratégias do marketing que sobrevaloriza a distracção para destruir as políticas culturais de democratização da cultura, substituindo-as por uma cultura do divertimento submetida ao capitalismo artístico de uma hipercultura comunicacional e comercial em que tudo se degrada.

O vertiginoso processo do metabolismo político e sócio-cultural é um processo de submissão que refinadamente inculca a insustentável leveza de uma falsa sensação de liberdade, de facto controlada pelo olhar panóptico do algoritmo, que tem a férrea lógica política social e ética do pensamento dominante que é imposto pelos novos senhores feudais do universo digital, que ameaçam tanto o trabalho físico como o espírito humano para que a perda de esperança colectiva seja uma realidade. Para os mais lúcidos de bom senso é imperativo denunciar e desocultar o objectivo último das políticas neoliberais: fazer coincidir a dominação com essa ilusão de liberdade. Um complexo e sofisticado mecanismo que faz com que os envolvidos, por via de regra, pareçam não entender exactamente no que estão envolvidos enquanto protagonistas e que Mészàros considera ter atingido um ponto praticamente incontrolável, e nem Orwell, com toda a sua lucidez, sequer conseguiu antever.

O trabalho, no neoliberalismo, aprofunda a escravizante subordinação dos indivíduos à divisão do trabalho e da divisão entre trabalho intelectual e manual, em que a alienação e desrealização dos trabalhadores atingem o seu alfa e o seu ómega na lógica ultra-perversa da uberização (desvalorização do trabalhador) em que o trabalhador se torna um explorador de si-próprio.

(Artigo de opinião Resumido)

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quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Esperança na Cura do Câncer

Vacinas contra o Cancro

NOTA PESSOAL:

Porque sei quanto importante é manter uma imunidade elevada para combater as células cancerígenas, fiquei mais atento e solidário depois de ter sido atacado por dois tumores cancerosos. Sei quanto sofri e quantos dias e meses de ansiedade passei - dois anos sujeito a cirurgias e tratamentos dolorosos na incerteza de sobreviver - lutei com vontade e todas as capacidades e venci! Aproveitei a esperiência e fui "Voluntário" no IPO e Hospital de S. João do Porto, ajudando a minimizar o sofrimento de outros pacientes durante oito anos. Tenho documentos sugestivos e elaborados com a experiência, os quais posso enviar a quem o deseje, desde que os solicitem no e-mail:  jotasousa39@gmail.com

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1 - PREVENÇÃO contra células cancerígenas:

Um Estudo da Universidade de Harvard, com mais de 15 anos, recomenda a melhor prevenção contra o desenvolvimento de células cancerígenas é alcalinizar o corpo, com um PH entre 8 e 9,5.

O Sódio é uma forma de o fazer mais rapidamente.

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2 – Laboratórios científicos russos anunciaram o desenvolvimento de vacinas contra o câncer, com previsão de distribuição gratuita a partir de 2025, para todos os pacientes.

Enteromix é o imunizanteUma vacina que utiliza uma combinação de quatro vírus não-patogênicos. 

Objetivo: A vacina é vista como uma esperança no tratamento do câncer, mas é importante ressaltar que ela não é uma cura, e sim um meio de preparar o sistema imunológico do paciente para combater o tumor existente.

Função: São um conjunto de vírus capazes de destruir células malignas e, ao mesmo tempo, ativar a resposta imunológica do paciente contra o tumor. 

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Como funciona a vacina de mRNA contra cancro:

Análise genética: É feita uma análise genética do tumor de cada paciente. 

Produção personalizada: Com base nesses dados, é criada uma vacina única para o paciente, utilizando a tecnologia mRNA. 

Ativação do sistema imunológico: A vacina instrui o sistema imunológico do paciente a reconhecer e atacar as células tumorais, que contêm proteínas específicas do câncer. 

Previsão de distribuição: Rússia prevê iniciar a distribuição gratuita da vacina personalizada em 2025, com base em resultados de testes pré-clínicos que teriam sido positivos. 

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Falta de dados transparentes:

Cientistas e veículos de comunicação Ocidentais alertam para a falta de dados publicados sobre a eficácia e segurança dessas vacinas, o que gera ceticismo e pede mais transparência no processo. 

3 - Outras vacinas em desenvolvimento:

  1. a) - Universidade de Harvard:

Também houve pesquisas de Harvard sobre uma vacina contra o câncer que mostrou resultados promissores em animais, usando um método que estimula o sistema imunológico a combater células tumorais. Em alguns estudos, essa vacina foi capaz de prevenir a metástase e a recorrência do tumor, inclusive em tipos de câncer mais agressivos, mas ainda são necessários mais estudos em humanos para avaliar seu potencial e segurança.

Necessidade de estudos em humanos: Embora os resultados em animais sejam promissores, a vacina ainda não chegou à fase de testes em humanos, e estudos clínicos são necessários para validar sua segurança e eficácia na população humana.

Mas ainda nada foi aprovado pelos serviços de controlo “controlados” pelas grandes farmacêuticas!!!

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  1. b) - Cientistas italianos Criaram uma vacina para combater células cancerígenas.

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QUANDO A CIÊNCIA TROPEÇA NOS COFRES DO LUCRO:

Imagine a cena: cientistas russos, de bata branca e olhares determinados, desenvolvendo uma vacina capaz de ensinar o corpo humano a combater o câncer. Um feito digno de aplausos, de notícias e de corações esperançados. Mas, como em toda boa tragédia moderna, há um obstáculo que nenhum tumor representa: o sagrado altar do lucro farmacêutico ocidental.

Porque aqui está o detalhe delicioso da história: você cria uma tecnologia que pode salvar vidas e, de repente, descobre que a parte mais complicada não é sequenciar o mRNA, nem identificar os neoantígenos, mas navegar pela burocracia dourada das grandes multinacionais que preferem manter o câncer como cliente recorrente. Sim, a mesma indústria que promete saúde global parece ter uma cláusula secreta: “não deixe que ninguém invente algo que possa realmente competir connosco”.

E assim, a vacina russa, essa heroína silenciosa, esbarra em muros invisíveis. Regulamentos aparentemente científicos, exigências de aprovação dignas de filmes de espionagem, atrasos estratégicos e revisões intermináveis - tudo isso com a cortesia de quem sorri educadamente enquanto calcula quantos milhares de milhões de dólares poderiam perder se essa pequena maravilha médica chegasse ao mercado global.

É irónico, quase poético: a inovação que deveria ser universal é, de repente, uma suspeita. A ciência russa, que ousa tratar o câncer de forma mais inteligente e menos lucrativa, é transformada num problema de segurança do mercado ocidental. Enquanto isso, nos salões climatizados das multinacionais, executivos erguem as sobrancelhas, sorriem para gráficos de lucro e pensam: “Sim, a cura é ótima, desde que não nos custe nada.”

No fim, a vacina não é apenas um avanço médico; é um teste de moralidade global. Será que a humanidade conseguirá deixar de lado interesses privados, sanções políticas e lucros astronómicos para abraçar algo que realmente salva vidas? Ou será que o câncer, ironicamente, continuará a ser o cliente mais fiel do mercado?

E, enquanto a resposta tarda, os cientistas russos continuam seu trabalho, silenciosos, persistentes, teimosos - lembrando-nos de que, no teatro da medicina moderna, a maior resistência muitas vezes não vem da doença, mas de quem a transforma em mercadoria.

  23-09-2025   João Gomes  

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segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Um Povo refém duma máquina de Guerra

Reconhecimento do estado da Palestina

NOTAS IMPORTANTES:

   A vida dos palestinianos sempre foi difícil e cheia de incertezas.

Atendendo ao contexto dos planos israelitas, não vai ser fácil a materialização definitiva do Estado da Palestina. Existem os COLONATOS espalhados nas melhores terras de cultivo da Cisjordânia. Esse é um dos mais complicados obstáculos à existência dum Estado livre, seguro e soberano.

Esperemos que os estados resolvam estas questões com justeza e sem mais mortandade. O Povo palestiniano tem direito a viver na sua terra em condições pacíficas e em igualdade de prosperidade como todos os povos. É tempo de pacificar e reconstruir para a paz duradoura e justa.

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- A vida nos colonatos da Cisjordânia: “Não importa onde estamos,

Israel controla tudo”

   Até hoje, Israel já construiu mais de 170 colonatos na Cisjordânia. Se há colonos que vivem nestes locais por motivos ideológicos, outros apenas procuram um local mais barato para viver. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu voltou a prometer anexar o Vale do Jordão como promessa eleitoral, o que tem alarmado os palestinianos que ali vivem.

   Israel ocupou a Cisjordânia e Jerusalém Oriental na Guerra dos Seis Dias de 1967 — o que nunca foi reconhecido pela comunidade internacional —, começando de imediato a instalação de colonatos.

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   Actualmente, cerca de 960 mil colonos israelitas vivem em colonatos instalados nos territórios palestinos ocupados da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental.

   A administração Trump declarou que não considera ilegais os colonatos israelitas nos territórios ocupados. Contudo, os colonatos são ilegais à luz do direito internacional, além de constituírem um importante obstáculo à constituição de um Estado palestino independente.

   A ONU e a União Europeia, nomeadamente, continuam a considerar ilegais os colonatos, embora se abstenham de tomar medidas concretas e decididas para pôr fim à descarada violação do direito internacional por Israel.

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- Colonos são um 'segundo' exército de Israel na guerra contra o Hamas

Governo de Netanyahu continua a estimular a violência contra palestinos na Cisjordânia, dizem ONU e ONGs de direitos humanos.

 - Por Luis de Vega - 26-02-2024

Desde o 7 de outubro, dia em que o Hamas assassinou mais de 1.200 pessoas em Israel, a violência dos colonos, assim como a impunidade e o apoio que recebem de parte do aparato de Estado aumentaram, denunciam a ONU e organizações de direitos humanos israelenses, como B’Tselem e Peace Now.

- Na senda de ocupação de terras, o governo de Israel aprovou a construção de 22 novos colonatos na Cisjordânia ocupada.

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João Gomes  - 21-09-2025

Amanhã despertaremos com mais uma nação no Mundo:

o Estado da Palestina.

Um Estado nascido do pó, das lágrimas, do suor, da fome - de tudo que os outros estados lançaram fora, porque tiveram liberdade.

Será um Estado sem muros de concreto que protejam, sem exércitos que guardem, sem hospitais que curem, sem portos que tragam esperança, sem navios de carga, sem camiões de água ou de petróleo.

Um Estado sem comércio, sem indústrias, sem centros urbanos que pulsem vida, sem polícia que vigie, sem nada que, no mundo, define um país - mas terá cidadãos.

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   Cidadãos que respiram sonho e resistência. Cidadãos que desejam liberdade como se fosse oxigénio, que desejam um hino que fale de dignidade, uma bandeira que carregue esperança, um chão que não seja só poeira e ruína.

Será um Estado que caminha com passos frágeis, sem estruturas, sem riqueza, sem aliados visíveis, mas com alma.

Um Estado que conhece a fome de pão e de justiça, que sente a sede de reconhecimento e de direitos, que sabe o peso da prisão invisível, da fronteira cerrada, da limitação imposta. Um Estado pária, talvez esquecido pelos mapas, mas vivo na memória de quem acredita que todo povo tem direito de existir, de erguer-se e de cantar sua própria história.

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Será pequeno em recursos, mas gigante em coragem.

Será frágil diante das tempestades do mundo, mas firme no coração dos seus filhos que recusam dobrar-se.

Será um Estado que aprendeu, desde o primeiro suspiro, que existir é um ato de rebeldia, que cada criança, cada idoso, cada mulher que ergue os olhos para o céu, é uma prova viva de resistência.

E amanhã, quando as primeiras luzes tocarem as suas ruas destruídas, os seus edifícios derrubados, os seus campos pejados de morte, sem vegetação, sem árvores de fruta, sem uma simples flor, será um Estado da Palestina que não terá palácios, nem grandes avenidas, mas terá vida, dignidade e história de resistência.

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O que ele ainda pode vir a ser - só o futuro dirá!

E isso, por si só, será a maior das vitórias.

João Gomes

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A DIPLOMACIA DO LOBO

   Há lobos que uivam à lua, outros que andam pelos bosques, e há ainda o Lobo da Diplomacia - esse animal raro que veste fato e gravata e se ofende solenemente sempre que alguém lhe aponta os dentes.

   Ontem, o Lobo Diplomático de Israel acordou amuado: Portugal reconheceu o Estado da Palestina. “Estamos profundamente desapontados!”, disse ele, de olhos marejados, como se tivesse sido vítima de uma injustiça cósmica. Mas a cena beira o teatro do absurdo: mais de 130 países já reconheceram a Palestina, e hoje outros três ou quatro vão engrossar a lista. O Lobo, coitado, corre de janela em janela, indignado, mas a aldeia inteira já viu que o Capuchinho Vermelho afinal não é uma ameaça - é apenas uma criança desarmada.

   No entanto, o Lobo insiste no papel de vítima. É como se depois de devorar a avozinha, engolir o Capuchinho, roubar o pássaro da gaiola e até sorver as moscas no leite, resolvesse bater à porta do vizinho e queixar-se: “Chamaste-me lambão! Estou profundamente desapontado contigo!”

   A plateia internacional olha de lado: que espécie de lamento é este? Que diplomacia é esta em que o agressor se apresenta como sentimental, ofendido, até incompreendido? O Lobo exige amigos fiéis, mas só lhe resta um: o gigante americano, sempre pronto a emprestar-lhe lenços de papel e munições. O problema é que até os gigantes mudam de humor - e quando trocarem de política, o Lobo talvez descubra que a floresta é grande, e que a sua melancolia diplomática não comove senão a si próprio.

   A tristeza do Lobo é uma farsa: não é a dor de quem perde a inocência, mas o fingimento de quem quer que acreditem que o Capuchinho é o culpado por ter sido engolido. Enquanto isso, a história repete-se, não como fábula, mas como tragédia.

E a diplomacia do Lobo… bem, essa já não engana ninguém.

João Gomes – 22-09-2025

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Julio De Jesus WagnerGEOPOLÍTICA - GLOBAL

  • 19-09-2025

   Relatório bombástico sobre o genocídio em Gaza dá à ONU o direito de intervir militarmente para travar Israel - antigo funcionário da ONU

Um inquérito da ONU concluiu que Israel está a cometer genocídio em Gaza.

   O antigo relator da ONU, Dr. Alfred de Zayas, explica porque é que isto é extremamente importante.

Principais conclusões:

   As ações de Israel (matar, mutilar, causar danos mentais a palestinianos, impor deliberadamente condições de vida calculadas para causar a sua destruição física, tomar medidas para impedir nascimentos) cumprem quatro dos cinco critérios da Convenção sobre o Genocídio de 1948 para o genocídio.

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Intenção comprovada

Crucialmente, afirma de Zayas, o inquérito mostra "como as declarações dos dirigentes políticos e militares israelitas comprovam a 'intenção' (exigida no artigo II da Convenção) de destruir, no todo ou em parte, a população palestiniana".

Cumplicidade do Ocidente

“Os governos que prestaram apoio militar, económico, político, diplomático e propagandístico” são também responsabilizados, afirma de Zayas. EUA, Reino Unido, França e Alemanha “são todos cúmplices do genocídio, nos termos do artigo III(e) da Convenção sobre o Genocídio”.

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Opções de resposta da ONU:

- reconhecimento do Estado palestiniano (que, infelizmente, “não salvará as vidas dos palestinianos”). 

- expulsão de Israel da ONU, nos termos do artigo 6º da Carta da ONU (improvável, dada a necessidade de aprovação do Conselho de Segurança e, por conseguinte, dos EUA). 

-retirada da acreditação de diplomatas israelitas na ONU, como foi feito contra a África do Sul na década de 1970, durante o Apartheid. 

  • A ONU tem o quadro legal para intervir utilizando a doutrina da "Responsabilidade de Proteger" de 2005.
  • A Assembleia Geral poderia adotar uma resolução "Unir pela Paz", autorizando as nações "a tomarem medidas militares" para impedir o genocídio, contornando o veto do Conselho de Segurança.

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A última oportunidade da ONU para salvar a sua credibilidade.

"Se as Nações Unidas não agirem", "perderão a pouca autoridade e credibilidade que ainda têm", alerta de Zayas.

@TheIslanderNews

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O que significa o reconhecimento do Estado da Palestina?

O Estado da Palestina é reconhecido por cerca de 75% dos 193 Estados-membros da ONU. No entanto, independentemente do número de países que reconheçam a independência palestiniana, continuará a ter estatuto de observador nas Nações Unidos, não tendo direito a voto.

Rita de Sousa 

Reacções diplomáticas do ocidente:

O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou o reconhecimento do Estado da Palestina.

A decisão foi denunciada por Israel como uma "recompensa ao terror" e os Estados Unidos consideram-na "imprudente".

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"Bofetada"
Os Estados Unidos, aliados de Israel, também anunciaram que rejeitam “firmemente” o plano francês, considerando-o uma decisão “imprudente” que atrasa os planos para a paz na região.  
"Isto é uma bofetada na cara das vítimas de 7 de outubro", declarou o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

Pressões sobre o Reino Unido e Alemanha
A França tornou-se, assim, o primeiro país do G7 e o primeiro membro do Conselho de Segurança da ONU a tomar a decisão de reconhecer o Estado da Palestina. Até à data, pelo menos 142 Estados reconheceram um Estado palestiniano, de acordo com uma contagem da AFP.

Entre os países europeus, Eslovénia, Espanha, Irlanda e Noruega foram pioneiros no reconhecimento do Estado palestiniano, em 2024.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, reagiu quase de imediato ao anúncio de Macron. "Celebro que a França se junte a Espanha e a outros países europeus no reconhecimento do Estado da Palestina. Juntos, devemos proteger aquilo que [Benjamin] Netanyahu (primeiro-ministro de Israel) está a tentar destruir", publicou Sánchez no X,.

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Pacific Press – 21-09-2025

A posição foi assumida em conjunto com outros nove países: França, Andorra, Austrália, Bélgica, Canadá, Luxemburgo, Malta, Reino Unido e São Marino.

"A declaração de reconhecimento aqui proclamada resulta diretamente da deliberação do Conselho de Ministros do passado dia 18 de setembro, tomada no culminar de um procedimento de consultas em que se verificou a convergência do Sr. Presidente da República e de uma larguíssima maioria dos partidos com assento parlamentar", anunciou Paulo Rangel.

- Presidente Marcelo diz que decisão tem o seu "pleno apoio"

"Tem o pleno apoio do Presidente da República, que tem sido a posição portuguesa, que é defender a moderação para que essa fórmula [de dois Estados, de Israel e da Palestina] seja possível, e afastar-se dos radicalismos que se opunham a que a fórmula fosse possível".

- Livre saúda reconhecimento que envia "mensagem muito poderosa"

O porta-voz do Livre Rui Tavares saudou o reconhecimento, por Portugal, do Estado da Palestina, apesar de o considerar tardio, frisando que envia uma "mensagem muito poderosa" a Israel e não é um ato "meramente simbólico".

- PCP diz que reconhecimento da Palestina "peca por tardio"

O PCP considerou este domingo que o reconhecimento do Estado da Palestina por Portugal é uma "medida que peca por tardia e que há muito se impunha" e pediu que seja feito sem exigências ou condições.

- IL diz que reconhecimento é "relevante" …

A presidente da IL, Mariana Leitão, disse que o reconhecimento "não significa que passa a haver um Estado" naquele território do Médio Oriente, apesar de considerar o ato "relevante" em termos diplomáticos.

- Bloco de Esquerda diz que não pode ser apenas "gesto simbólico"

O Bloco de Esquerda considera que este não pode ser apenas um "gesto simbólico". Poucos minutos após este anúncio, nas redes sociais, a bloquista Catarina Martins escreveu que apesar de “justo”, este é um “passo curto”. 

- Chega de Ventura diz que reconhecimento não é prioridade

Ventura disse este domingo que "não tem a ver com poder reconhecer ou não reconhecer" o Estado da Palestina, mas sim de "um caminho que tem de ser feito, que tem que passar pelos reféns serem libertados". 

- CDS diz que "não é oportuno"

O parceiro de coligação do Governo de Luís Montenegro escolheu a véspera da declaração de reconhecimento para dizer ao país que é contra a decisão.

- As reações de Israel e do Hamas

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que não haverá um Estado palestiniano, num vídeo dirigido aos líderes ocidentais, nomeadamente do Reino Unido, Canadá e Austrália, que reconheceram anteriormente esse Estado.

. "Tenho outra mensagem para vocês: isso não vai acontecer. Nenhum Estado palestiniano será criado a oeste do [rio] Jordão", acrescentou.

Já um responsável do movimento islamita Hamas afirmou, este domingo, que os reconhecimentos de um Estado palestiniano por parte dos países ocidentais representa "uma vitória" para os direitos dos palestinianos.

disse Mahmoud Mardawi à agência France-Presse (AFP).

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Grito-me por dentro,

raiva de aço em sangue fervido,

tristeza como uma âncora presa ao coração -

e o Mundo, estúpido, ainda resiste a ver

o que é óbvio como sol no meio da noite!

Ódio contra o reconhecimento da Palestina!

Eles - os de mãos cerradas de rancor,

as bocas cuspindo veneno,

as almas encarquilhadas no medo do outro.

São o travão da história,

a ferrugem que rói a engrenagem da vida.

E eu, eu vibro entre lágrimas e gritos,

eu sinto o peso,

a exaustão da injustiça repetida em eco.

Mas há também alegria,

há um clarão no horizonte,

como se de repente uma criança abrisse a janela

e deixasse a primavera entrar sem pedir licença.

Esperança, sim!

Esperança como motor de navio gigante

a cortar o mar da indiferença,

esperança como cidade acesa no deserto da noite.

A Palestina é nome de futuro,

é corpo que resiste,

é palavra que não morre na boca dos povos.

E quando o reconhecimento rebenta,

há música que se levanta das ruínas,

há passos que dançam sobre a poeira da guerra.

Raiva e tristeza não são eternas.

Alegria e esperança são raízes fundas,

crescem, estalam o chão,

rompem muralhas.

E os odiosos?

Ah, os odiosos…

são apenas parte das sombras,

inevitáveis mas passageiras,

num Mundo que - queira ou não queira -

tem que abrir o caminho para a Paz.

João Gomes

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