quinta-feira, 24 de julho de 2025

História - Percepções e Verdades

NOTA-Prévia:

Por se tratar de um assunto muito importante para entendermos os conflitos bélicos do nosso tempo, confirmando a veracidade de muitos factos vividos no tempo em que fiz reportagens na Bósnia, Sérvia e Kosovo, leiam:  

BREVE HISTÓRIA DA VIDA E DA MORTE DA JUGOSLÁVIA,

POR QUEM LHE VIVEU A MORTE…

   Estive colocado na Jugoslávia, integrado na ONU, na UE e na UEO no decurso das guerras e pós-guerras dos anos 90; foram ao todo 12 anos, em funções várias de Comando, tendo sido a mais relevante a de Chefe de Estado Maior da Polícia Civil da ONU em 93/94, no pico das guerras.

   A História da Jugoslávia inicia-se no fim da 1ª GM em 1918, sobreviveu á 2ª GM e termina abruptamente em 1992 em guerras internas, chacinas e genocídios.

   Jugo/Slavia, Jugo é Sul e Slavia é Eslavos, significando Terra dos Eslavos do Sul, que são os Eslovenos, Croatas, Sérvios, Bósnios, Macedónios e Montenegrinos, mais os Búlgaros, estes sempre à parte na sua Bulgária.

   Até á 1ª GM estes povos estiverem integrados, uns no Império Turco Otomano e outros no Império Austro Húngaro; desfeitos estes impérios pela 1ª GM, ficaram livres e uniram-se voluntária e politicamente no Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos em 1918, que passa a chamar- se Reino da Jugoslávia em 1929.

   Em 1941, o Reino da Jugoslávia é invadido pelos Nazis; estes foram recebidos de braços abertos em Zagreb, na Croácia, de braços abertos pelos Muçulmanos em Sarajevo, na Bósnia, e de braços fechados em Belgrado, pelos Sérvios.

   Os Sérvios assumem-se assim inimigos de invasões e expansões territoriais e, desde então são considerados como tal pelos alemães e terceiros ocidentais ávidos do controle dos Balcãs, tal como foram de novo nas guerras de dissolução da Jugoslávia., nos anos 90.

   Hitler agradeceu aos Croatas a Aliança incondicional dos mesmos, dando pela 1ª vez na História, a Independência àquele País, de 1941 a 45; foi a República da Croácia.

   Nesse período de 4 anos de Independência, a Croácia limpou etnicamente 750.000 Sérvios ali residentes há séculos; juntamente com os Nazis, chacinaram-nos em festins de inacreditáveis crueldades, no campo de concentração de Jasenovac, na Croácia, onde está um museu e um memorial desse horror.

   O Comandante do campo de concentração, um croata, no fim da 2ª GM fugiu para a Argentina, e regressou em 96, à nova Croácia independente, já quase centenário; estava de novo entre amigos.

   No fim da 2ª GM, a Jugoslávia, com o nome de República Federalista Socialista da Jugoslávia, qual fénix, renasceu das cinzas, sob a Presidência de Josip Tito, um Croata e comunista, reconstrói-se nas décadas de 50 e 60 e é um País feliz até meados de 70.

   Em 1973 a crise do petróleo gera uma crise económica, e esta faz ressurgir os nacionalismos, os separatismos, as conflitualidades étnicas religiosas e uma clivagem entre as Repúblicas ricas do Norte, Eslovénia e Croácia e as Repúblicas do Sul, menos ricas como a Sérvia, Macedónia, Bósnia e Montenegro.

   Esta situação agrava-se a partir de 9 Maio de 80, data em que morre a Alma aglutinadora da Jugoslávia... o Presidente Josip Tito.... e agudizam-se ainda mais os nacionalismos e separatismos.

   Em 1985 aparece na URSS a figura inolvidável de Mikael Gorbachev que, confrontado com a crise do petróleo e a consequente crise económica, avança com a reestruturação da Ex URSS, a Perestroika e Glasnost, tendo despoletado um processo interno de nacionalismos e separatismos incontroláveis, tal qual como estava em curso na Jugoslávia.

   Mikael Gorbachev era um pseudo intelectual de boa fé, crente na bondade do Mundo Ocidental e decidiu ir a Washington propor ao Presidente dos EUA, Ronald Reagan, um acordo de desarmamento mútuo dos mísseis nucleares de alcance intermédio na Europa, designado então por INF, e do qual os EUA saíram unilateralmente, anos pós colapso da ex URSS.

   Esses mísseis nucleares, no caso da URSS, eram os S-20, os quais possibilitavam á Rússia atingir qualquer ponto da Europa; os EUA e a NATO fariam o mesmo e assim, o equilíbrio do terror pela destruição mútua nuclear, no espaço europeu, desaparecia.

   Assim foi feito, mas os EUA entenderam tal proposta como prova de fraqueza e uma quase declaração de rendição militar e política da URSS perante os EUA, o que de certo modo foi.

   A crise do petróleo de então colocou a URSS de joelhos, financeiramente, porque a sua economia dependia das exportações e do preço do petróleo, o qual foi intencionalmente manipulado pelos EUA para esse fim.

   Em 1987, o Presidente dos EUA, Ronald Reagan, assina um plano Secreto, designado por NSDD 133, titulado “Política dos EUA para a URSS e Jugoslávia”, cuja finalidade lá expressa era incentivar e apoiar os nacionalismos e separatismos dos Países de Leste na URSS e nas Repúblicas da Jugoslávia, para fazer colapsar essas Uniões Políticas, como aconteceu.

   Concluímos, pois, que foram as crises económicas e as acções encobertas dos EUA que intensificando os nacionalismos, separatismos, divergências étnicas religiosas, clivagens económicas internas que fizeram colapsar a URSS e a Jugoslávia.

   A URSS é dissolvida a 26 de Dezembro 90 e a Jugoslávia é dissolvida a 01 de Março de 1991, três meses depois.

   Digamos que a CIA teve o bom senso de não juntar os dirigentes da Ex URSS e da Ex Jugoslávia no mesmo local para se auto destruírem em simultâneo; as implosões respectivas ocorreram com três meses de diferença no tempo; notório bom senso da CIA, passe a ironia.

   As Repúblicas da Jugoslávia declaram as respectivas independências: - a Croácia e Eslovénia a 21 de Jun 91, Macedónia a 17 Set 91 e Bósnia em Março de 92; estas independências foram o tiro de partida para as três guerras da Jugoslávia: - Croácia de 91 a 95, Bósnia de 92 a 95 e Kosovo de 98 a 99.

   As minorias Sérvias viviam em paz na Croácia, Bósnia e Kosovo, enquanto a Jugoslávia existiu; face ás independências e aos genocídios que enfrentaram na Croácia na 2ª GM e face a perspetivas similares na Bósnia com os muçulmanos, os Sérvios organizaram-se politica e militarmente na República Sérvia da Krajina/ Croácia e República Sérvia da Bósnia e lutaram pela suas autonomias e independências.

   Na Croácia os Sérvios foram mal sucedidos, chacinados e limpos etnicamente; na Bósnia foram parcialmente bem-sucedidos, pois conseguiram uma República autónoma, mas não independente.

    E foi assim que ocorreram as guerras dos Balcãs na década de 90.

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   As guerras foram dramáticas; os Sérvios foram demonizados e de tudo foram culpabilizados, como competia ao discurso politicamente correcto e interessava ao Ocidente, em particular aos EUA, Alemanha e seus vassalos.

   Os Croatas, Muçulmanos e Albaneses do Kosovo foram vitimizados e pelo Mundo Ocidental divinizados, em nome da defesa destes Povos contra os diabolizados Sérvios, o Ocidente e a NATO intervieram militarmente contra os Sérvios, e ganharam as guerras para os Croatas, Muçulmanos e Albaneses em fins de 95 e no Kosovo em 99.

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   As intervenções NATO na Bósnia e no Kosovo foram justificadas, perante a opinião pública mundial, como tendo carácter humanitário ou de imposição de valores civilizacionais superiores do Ocidente.

   A ONU, os EUA e a EU fundamentaram os bombardeamentos intensivos da NATO contra os Sérvios, com alegados crimes de guerra dos Sérvios, mas que na realidade foram planeados e levados á execução pelos Muçulmanos e Serviços Secretos Ocidentais... contra os próprios muçulmanos.

   De que são exemplo as duas situações de “explosões” ocorridas no Mercado Merkale em Sarajevo e não só, que assassinaram um total de mais de 100 pessoas muçulmanas, vitimaram centenas doutras e das quais acusaram os Sérvios, que nada tiveram a ver com aqueles actos de terrorismo.

   Aqueles actos terroristas foram executados pelos muçulmanos e pelos serviços secretos ocidentais, como disse, para culpabilizarem os Sérvios e usarem tais chacinas de civis, para justificarem perante a opinião pública mundial... os bombardeamentos da NATO contra os Sérvios… isto é a rotina nas guerras de hoje, chamam-se ataques de bandeira falsa.

   Afirmo isto, porque sei, de ciência certa que foi assim, estava lá, em posições elevadas e sei por informações classificadas e por testemunhos presenciais de pessoas locais.

   Enfim, a Jugoslávia, foi um sonho lindo dos Povos Eslavos do Sul, que quiseram viver Unidos politicamente sob a mesma Bandeira; dela já nada resta, depois duma vida conjunta de 84 anos.

   Nada mais resta a não serem os 150.000 cadáveres desses povos nestas guerras... a limpeza étnica de 300.000 Sérvios da Krajina... as deslocações étnicas de populações na Bósnia, em massa... pobreza generalizada.... fome encoberta... e novas guerras congeladas em espera de oportunidade na Bósnia, no Kosovo e Macedónia...

   Ah! e restam sete novos Estados...cada um várias vezes mais pequenos que Portugal... excepto a Sérvia... são nano Estados neocolonizados pela UE e pelos EUA... tutelados... em míngua permanente duns trocados euro americanos e europeus, para não morrerem de fome...

   Vivi com eles 12 anos, nas casas deles, falo-lhes as línguas fluentemente, participei-lhes nas guerras, sofri com eles nos vários lados dessas guerras as suas dores, perdas, horrores, medos, tragédias e sei, que é assim.… enfim... imperialismos e novas ordens mundiais em movimento.

   A breve prazo haverá mais conflitos político militares na Macedónia, Kosovo e Bósnia... estão apenas adormecidos.

José Luís da Costa Sousa > Superintendente da PSP

(foi nesta qualidade que integrei as várias missões)

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Outros Intervenientes numa guerra estranha

e Reportagem de Joaquim Coelho:

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A tragédia de um Povo dizimado por intervenção da NATO... 

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domingo, 13 de julho de 2025

O Medo sufoca a Liberdade

Atribulações no Carrocel da Vida

1 – PREMISSA: Viver é um desafio que muitos não conseguem disputar por falta de coragem ou maturidade para entender a sociedade. Mas, tudo que fazemos terá reflexos na escolha dos nossos caminhos. A vida é uma luta permanente de perfeição e realização. Quando desistimos, perdemos preciosas hipóteses de construir e realizar o que mais nos faz crescer e consolidar o sucesso esperado para viver com mais conforto e satisfação.

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2 - Ao longo da vida em permanente vigilância, passei perigos vários, ultrapassei obstáculos inimagináveis, sofri injustiças; sendo militar graduado e comandante de grupo de combate, por impedir um presumível massacre de população Makonde, fui entregue à PIDE e encarcerado num fortim na Ilha do Ivo, em Moçambique (perante a passividade e cobardia do Comandante Seixas)! Aí confirmei que o poder dos homens sem carácter se acomoda na cobarde fraqueza das decisões.

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3 - Também sofri com os sensores do regime, que riscavam os meus escritos jornalísticos sobre as realidades da sociedade que incomodavam os poderes carunchosos, em tempo de guerras ultramarinas. Confrontei os sistemas incapazes de evoluírem no mundo em permanente mudança e avancei sem medo de alumiar o caminho da sabedoria dos meus companheiros para que melhorassem em literacia e ciência, proporcionando mais capacidades e atributos que lhes dessem um futuro com melhores condições de vida.

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4 - Investiguei dogmas, filosofias e doutrinas para perceber as origens e fundamentos e seus efeitos na sociedade; recolhi mais sabedoria para limpar as dúvidas que pairavam nas sombras do caminho. Nunca tive medo de caminhar no desconhecido até encontrar a luz que ilumina a realidade na essência da verdade irrefutável; assim, libertei a inteligência para manter a lucidez que me faz ver o mundo com mais transparência. Sabendo que a ignorância é o refúgio dos acomodados, sempre tento vestir o fato da iniciativa e levar por diante os projectos que podem melhorar o futuro; sabendo que terão muito mais efeitos práticos se tiver colaboradores prestáveis e firmes.

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5 - Porque assisti a tenebrosas formas de defraudar os fracos e humildes, combati e denunciei prepotentes dirigentes empresariais, teimosamente agarrados ao poder e criminosamente atentando contra os direitos dos trabalhadores. Não tive medo das represálias pelas denúncias oficializadas nos organismos do Estado e nos Tribunais.

6 - Cheguei a um tempo em que não tenho motivo para me preocupar com ninharias, mas olho o horizonte com esperança de que haverá sempre alguém a lutar por um mundo melhor. Pois, continuarei forte e lúcido para ajudar as pessoas a contrariar as injustiças, a denunciar as mentiras da comunicação social e seus palradores amestrados; jamais deixarei de divulgar cultura com sentido altruísta na defesa da dignidade humana.

Foi o tempo que temperou a minha existência no desafio permanente de realizar. Venho de longe, sempre equilibrando o tempo entre a moderada vida nos folguedos e a busca do conhecimento sociológico que permite melhor conhecer os meus semelhantes e com eles criar a empatia para realizações mais abrangentes. 

Já não tenho tempo para correr atrás de ilusões fantasiosas, mas, ainda terei tempo e vontade de procurar a verdade nas sombrias teias ardilosamente construídas para nos manipularem; pois, precisamos perceber por que a realidade se apresenta travestida de fantasiosas roupagens refulgentes, valorizando as coisas fúteis.

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7 - Por ter passado situações complicadas e perigosas ao longo da vida, em contratempo às convenções abstratas, mesmo privado de liberdade pessoal e financeiramente prejudicado, venci a injúria e renovei a esperança na certeza de que vale a pena insistir e progredir com mais força até à irradicação das injustiças e dos preconceitos ideológicos que são um entrave medonho contra o desenvolvimento social e cívico. A plenitude da vida é um teorema que nos confirma a possibilidade de realizar os sonhos possíveis com prioridade. Isto é viver com verdade na utilidade da vida no tempo.

 Na plenitude de todo o tempo que dispomos, é importante ter amigos que servem de inspiração para realizarmos grandes obras em favor da comunidade e contribuir para um mundo melhor. Essa é a essência da felicidade partilhada.

8 - NOBREZA: Habituei-me a procurar e valorizar a verdade, apreciando a lealdade e a respeitar as diferenças razoáveis; é com imensa satisfação que vejo a luz da realidade da vida e segui o melhor caminho sem enganos. Mas, sinto que à minha volta ainda há muita gente que acredita em fantasias sem conteúdo verdadeiro, porque vivem na escuridão e, muitas vezes, as sombras são a sua realidade.

Posso sentir divergências em alguns pontos de vista sobre a sociedade e a realidade social, mas isso não quer dizer que alguém está errado… apenas vemos as coisas de lugares diferentes, com conhecimentos diferentes, com a mente mais ou menos lúcida e limpa.

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9 - Todo o pensamento emite sinais emotivos que podem influenciar a mente de pessoas com menor energia e que alteram a realidade à nossa volta. O equilíbrio entre os contrários é o fulcro da justiça.

 O equilíbrio entre as ideias, desejos e emoções é o fulcro da organização da vida em harmonia com a natureza. A perda do equilíbrio é escorregar para a perigosa rampa da implacável destruição dos sonhos. 

10 - Cheguei a um tempo da vida em que não procuro satisfazer sonhos nem seguir atrás de ilusórias fantasias. Procuro viver as realidades com momentos prazerosos primando pela conjugação da delicadeza entre as pessoas que sabem viver harmoniosamente com a natureza e sentem a amizade como uma suave envolvência no respeito e confiança.

Não há nada mais importante do que viver com a liberdade de realizar e sentir o retorno como o eco da nossa voz ou vontade de viver. O sucesso é o retorno de muito trabalho com empenho e humildade. Porque a vaidade destrói o carácter, é inimiga da humildade e tolhe a capacidade de realizar.  

11 - CERTEZAS: Quem tolera a hipocrisia e o fingimento, facilmente entra em jogos de faz de conta, aceita a falsidade e consente viver num mundo de aparências. Estas pessoas não cabem no meu círculo de amigos, porque preferem conversas vazias, superficiais e sem conteúdo reflexivo. São ocas… e usam máscaras!

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12 - Jamais esqueci a minha primeira revolta contra a injustiça. No final do primeiro ano da escola primária!... em Valpedre, Penafiel.  Apesar de ser considerado um aluno exemplar e com vocação para a escrita, por escrever redações das classes acima, levei meia dúzia de palmatoadas como todos os outros alunos da sala! Depois da professora insistir em perguntar quem mijou atrás da porta de entrada, ninguém respondeu… furioso, pela falta de consideração e injustas palmatoadas, saí ao recreio, enchi a saca de pedras e parti os vidros de parte das janelas da escola. No ano seguinte fui para a escola de S. Vicente. 

FIM: O mundo não respeita intenções; o que conta são as vivências, as realizações. Mas o mais importante é sentirmos satisfação e estar de bem com quem merece respeito e amizade.

V. N. de Gaia, Julho de 2024

Joaquim Coelho (peregrino por natural dedicação)

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Ilusões e Percepções Ocidentais

Não passarão!

    Faz hoje 85 anos que teve início a segunda guerra mundial, onde a URSS saiu vitoriosa com o seu exército vermelho, embora com 27 milhões de mortes. A firmeza das tropas do exército vermelho, terá obrigado a muitos dirigentes políticos da Europa a ajustar o seu azimute, abandonando o apoio camuflado, até então, a Hitler.

Kursk, na altura, foi a grande batalha vitoriosa contra o nazismo alemão, coadjuvado com grande empenho, pelos nazis da Ucrânia.

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    Zelenski terá sido "assediado" para tentar agora uma vitória sobre a Rússia em Kursk? Muito provavelmente, Boris Jonshson, o cego desvairado da coroa real inglesa, terá insistido com Zelenski da garantia da vitória sobre a Rússia. Veremos nas próximas semanas, qual e quanto será a fatura que a Ucrânia de Zelenski irá pagar por tal atrevimento.

    O fim da URSS, é sem dúvida um alerta muito importante, para perceber que esta união europeia, não tem vida longa nem próspera, por estar assente em pés de barro ou de alicerces putrificados.

    Uma União Europeia, assente na vassalagem de criadores desaparecidos e ultrapassados: o francês Miterrand, o sueco Olof Palme, Margaret Tacher de Inglaterra e Mário Soares entre os gravitacionais da Alemanha, Itália que não perceberam o que se estava a passar com o desmoronamento, acompanhado e saqueado pelos EUA, do fim da URSS.

    Os próprios EUA não quiseram ver o que estava mesmo à frente dos seus olhos, como muito bem lhes disse Putin, no discurso de Munique em 2007. O Ocidente sentou-se à sombra, do que afinal só tinha começado, e riram-se em Munique na cara de Putin. E Putin, calma e serenamente, deixou o aviso, e foi à sua vida com Lavrov e as suas doutrinas.

    Nunca perceberam, creio que até hoje, que o discurso de Putin vinha de profundas reflexões e estudos do final da década de setenta e início da década de oitenta, que, a intervenção de ajuda da URSS, ainda com Brejniev, ao Afeganistão veio clarificar e doutrinar políticas da Rússia de hoje, após a saída abrupta e de triste memória de Ieltsin, e a tomada do leme por Putin.

    O Ocidente, capitaneado pelos EUA com um velho sanguinário, louco e senil, confia cegamente num império que já não assusta, como assustou até ao final da primeira década deste milénio. Basta ver, apesar de tudo, que a questão da Palestina está longe de ser resolvida. Olhando para a América do Sul, deitando um olho ao que se passa na Venezuela onde Biden já meteu o rabo entre as pernas e agora se virou para as Honduras.

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    “Esta Europa comprometida no desmantelamento da Jugoslávia (em mini países pobres e destruídos pelas lutas entre etnias e doutrinas antagónicas, atiçadas por sabotadores pagos pelo Ocidente), através das forças militares da NATO e a mando dos Estados Undos da América, está em efervescência. Mas, ignorando os acordos de Minsk com a Rússia, entrou no ensaio mais abrangente com vista ao desmantelamento da Rússia e seus parceiros da antiga União Soviética, usando a Ucrânia como ponta de lança, num plano estrategicamente preparado para o Ocidente entrar na região e sacar as riquezas minerais, o gás e petróleo existentes para lá dos Urais.”   

    O primeiro sinal da queda do império foi dado com a saída de Biden da corrida à continuação do lugar que ocupa. Certo, teremos um império em decadência, que com seus cães amestrados do lado de cá do Atlântico, se convence capaz de derrotar uma Rússia modernizada militarmente, e, com um sentido patriótico não inferior ao exército vermelho, capaz de ir até às últimas consequências, guerra nuclear se necessário, porque sabe do saque e vassalagem a que seriam sujeitos, quando afinal só exigem uma Ucrânia desnazificada e sem adesão à NATO.

Coisa tão simples, que os EUA se convencem que derrotarão a Rússia, e se imporão ao mundo por séculos.

Não passarão!

01-09-2024   -  Filipe Rua

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 Temas Liberais em Análise

1 - Muito bom desempenho de PNS, malgré tout, frente a um Rui Rocha cheio de anos 90, com o tal afã de tudo privatizar e um ódio já anacrónico ao Estado. O espectro de Milei já paira como uma doença infecciosa sobre os nostálgicos das solturas que trouxeram a Europa, os EUA e o mundo ao quase colapso da anarquia liberal. Em suma, ninguém quer viver num condomínio com piscina, segurança e cercas eléctricas, quando tem ao lado uma favela a perder de vista habitada por sub-cidadãos sem hospital, sem escola e sem emprego estável.

Miguel Castelo Branco 

2  - Elvira Fernandes – essa do Rui Rocha, na doutrina da Iniciativa Liberal, denota uma formação nostálgica destinada àqueles que não querem pagar impostos ou para jovens que nunca trabalharam e sonham em ser ricos.

  

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3 - Análise de Carlos Branco 

É muito preocupante a trivialização da anormalidade. Eu não tinha idade para participar nas ações que conduziram ao “dia inteiro e limpo, onde emergimos da noite e do silêncio”, como cantou a poetisa, mas não hesito em afirmar que se a tivesse lá teria estado. Por isso, não posso permitir que ideias retrógradas e fascizantes desta índole, que devem ser condenadas, possam prevalecer na nossa sociedade. A Inquisição ainda está presente entre nós, com muitos candidatos a juízes do Santo Ofício. Algo errado aconteceu.

(Carlos Branco)

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