quinta-feira, 23 de outubro de 2025

A Europa está Hospitalizada

O REI VAI NU e a EUROPA não viu...

   D. Vance foi a Munique afirmar o princípio da força como fundamento do poder, o princípio da unidade do poder e negar as bem-intencionadas teses da divisão tripartida dos poderes, executivo, legislativo e judicial de Montesquieu. O vice presidente dos EUA foi a Munique expor a realidade em que assenta o poder nos Estados Unidos: a lei dos xerifes do Oeste: a lei sou eu e o meu revólver. Os poderes tradicionais e os não tradicionais devem estar submetidos ao detentor do poder executivo. J. D. Vance explicou que o êxito dos Estados Unidos e a vitória de Trump resultam do facto de o poder ser exercido por uma conjugação de tirania e oligarquia, na classificação de modos de governo estabelecido por Platão em "República".

   Perante uma assembleia de funcionários políticos europeus (raros políticos eleitos), o vice-presidente dos EUA afirmou que o governo de Trump respeita a hierarquia de Platão, de que a oligarquia é preferível à democracia, que durante milénios foi eficaz para os poderosos exercerem o seu poder e gozarem os seus privilégios, que a oligarquia constitui o único sistema de governo que o que atualmente (desde o final da Segunda Guerra Mundial) é designado por “democracia” são versões de oligarquias adaptadas aos meios para as legitimar.

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OXIGÉNIO PRECISA-SE PARA UMA UE DOENTE

Na ala de urgências da Europa, há um paciente em estado crítico: a Alemanha. Chegou pálida, com a pressão económica em queda e a temperatura industrial abaixo dos 36 graus. A enfermeira-chefe, Ursula von der Leyen, tenta aplicar uma injeção de fundos e sanções, mas o doente não reage.

No monitor, os números tremem: produção industrial, exportações, confiança empresarial - tudo em linha descendente. Do outro lado da cama, um médico francês observa, de estetoscópio pendurado, mas ele próprio cambaleia com tonturas fiscais e febre social. É o Dr. Macron, especialista em diagnósticos grandiloquentes e em reformas que causam mais convulsões do que curas.

Na sala de espera, os restantes membros da União observam a cena com aquela expressão de quem já sabe que o seguro de saúde não cobre tudo. A Itália pede calma, a Espanha finge estar melhor, a Hungria fuma no corredor e a Polónia ameaça mudar de hospital. No fundo, ninguém tem oxigénio suficiente para si, quanto mais para o outro.

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O caso da Alemanha é paradigmático: Décadas a viver do músculo industrial e da energia barata russa, e agora descobre-se dependente de baterias chinesas e burocracias de Bruxelas. A máquina produtiva está presa a tubos verdes - impostos climáticos, metas ambientais, e regulamentos que exigem painéis solares até nos telhados das fábricas falidas. O diagnóstico é unânime: anemia energética crónica.

Mas o tratamento é controverso. Uns dizem que precisa de transfusões de gás russo; outros, de terapias verdes mais intensivas.

Enquanto isso, a economia perde sangue e o paciente murmura baixinho: “Vielleicht war es besser mit Nord Stream...”. A França, no leito ao lado, não está muito melhor. O pulso político é irregular, entre protestos e dissoluções parlamentares. O coração europeu da igualdade e da fraternidade bate em arritmia, e cada nova tentativa de Macron de reformar o sistema provoca uma nova inflamação nas ruas.

Ambos, França e Alemanha, os outrora “motores da Europa”, agora lembram dois carros híbridos avariados à beira da autoestrada, à espera de um reboque que nunca chega.

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Entretanto, Bruxelas organiza reuniões de emergência - verdadeiros simpósios de cardiologia orçamental. Os ministros das Finanças debatem pacotes de estímulo, fundos de resiliência, planos de transição, e tudo termina em comunicados otimistas redigidos em linguagem que nem os tradutores acreditam. É o natal longínquo da esperança europeia, com presentes embrulhados em PowerPoints e promessas de “coordenação fiscal” que nunca se concretizam.

E enquanto o soro financeiro pinga lentamente, o mundo gira lá fora. Os Estados Unidos cobram tarifas e vendem gás caro, a China disputa o mercado elétrico, e a Rússia observa tudo com o ar paciente de quem sabe que, mais cedo ou mais tarde, o hospital fechará por falta de fundos.

Se houvesse justiça poética, alguém abriria a janela e deixaria entrar um pouco de ar fresco - oxigénio, enfim. Mas em Bruxelas, o protocolo exige máscara de formalidade e luvas de tecnocracia.

A Europa asfixia lentamente, presa entre dogmas e dívidas. E a única máquina que ainda funciona é a de ventilação política, que repete sem parar: "A recuperação está a caminho... a recuperação está a caminho..."

22-10-2025  João Gomes

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E TUDO a União Europeia ACEITOU

Há quem diga que a Europa é um velho continente cansado. Eu diria antes que é um continente crédulo - e de uma flexibilidade moral invejável. Depois de anos a marchar ao som da banda da NATO, entre discursos inflamados e bandeiras azuis estreladas, eis que, subitamente, a proposta de paz vem de Trump — sim, o mesmo que Bruxelas tratou como bufão populista, ameaça à democracia e, em certos jantares de comissários, quase como um bárbaro à porta do império.

Mas agora, com Kiev e os seus aliados a aceitar que a linha atual da frente seja o ponto de partida das negociações, a retórica heroica da União Europeia soçobrou como um balão furado. Afinal, não era a Ucrânia “a muralha da Europa”? Não estava Putin prestes a marchar sobre Varsóvia, Paris e quem sabe até Bruxelas (onde, ironicamente, já reina a confusão há muito tempo)?

Durante dois anos, a Comissão Europeia transformou a guerra num drama moral e identitário, onde quem pedisse diálogo era cúmplice do Kremlin, e quem falasse de paz era acusado de ingenuidade geopolítica. Agora, confrontada com a realidade militar - e com Trump, o novo maestro em Washington, a Europa engole em seco, muda o discurso e... aceita.

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Aceita que a Ucrânia não vai reconquistar Donetsk. Aceita que a NATO não manda mais na agenda global. Aceita que os seus planos de “autonomia estratégica até 2030” soam a promessa de ginásio: boa intenção, zero execução.

E tudo, claro, com ar sério e institucional, como se fosse exatamente isto que tinham planeado desde o início. A arte europeia da incoerência diplomática está viva e recomenda-se.

Entretanto, a retórica do “inimigo às portas” serviu bem: justificou aumentos orçamentais para a defesa, contratos milionários com as indústrias de armamento e o adiamento conveniente de debates sobre pobreza, energia e desigualdade. Agora que a paz volta à mesa - não pela mão da Europa, mas de Trump, em Bruxelas instala-se o silêncio constrangido de quem percebeu tarde demais que andou a fazer política externa com hashtags.

No fundo, a história é simples: a UE não conduz, segue. Segue Washington quando é democrata, segue Trump quando regressa.

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Segue a Ucrânia enquanto convém, e deixa-a seguir sozinha quando a realidade militar aperta. E quando tudo muda, a Europa faz o que melhor sabe fazer: aceita. Aceita com gravidade, com comunicados oficiais, com um ar de quem sempre teve razão. Aceita, porque recusar exigiria pensar por conta própria - e isso, convenhamos, não cabe nos tratados.

E ninguém se demite? Não: as mordomias salariais são muito boas e tapam todas as vergonhas...

Por: João Gomes

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Os Desafios à Humanidade

Como os poderosos nos tramam

   Há uma elite mundial, o grande clube, que usa todas as formas de mentiras e manipulação para tramarem os cidadãos comuns, tendo como finalidade a exploração e escravidão.

   São eles que provocam as crises, de onde saem mais ricos e os trabalhadores mais pobres. Porque contratam os mais dotados especialistas financeiros, psicólogos e técnicos, bem pagos, para lhes dizerem como organizar conflitos e arruinar as pequenas empresas até ao colapso. Estão bem preparados para ganhar com a falência dos pequenos.

   Como diz Maquiavel, tudo o que eles querem é paz e segurança e um povo manso sem pensar e sem reflexão. Planeiam tudo e estão cientes dos resultados: criam um mundo ilusório, propagam distrações fascinantes, criam problemas na assistência social e na educação, espalham as drogas e implantam lixo nas caixas cerebrais. Depois, apresentam-se como salvadores, fingindo governar ou proteger os interesses dos povos.

   Todos os sistemas financeiros, comerciais e sociais são controlados por entidades ocultas, trabalhando silenciosamente em cooperação, com tal poder que amedrontam os magistrados e membros das instituições ditas de fiscalização; e, assim toda a corrupção prospera, enquanto o povo empobrece e perde a lucidez.

   Portanto, aconselho as pessoas sérias a ler boas obras de autores credíveis, que ensinem a relacionar o que nos preocupa na sociedade e as razões da nossa pequenez. Se entendermos o mundo que testemunhamos e relacionarmos tudo com lucidez deixamos de ter medo de protestar e reclamar os nossos legítimos direitos. Quando dissiparmos esses medos de agir com razão, viveremos bem melhor; porque, viver com medo não é viver.

Joaquim Coelho - 21/07/2020

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O bárbaro mundo contemporâneo

Por: MANUEL AUGUSTO ARAÚJO

Estamos submergidos no imenso roído das tramas insidiosas dos poderosos que controlam a humanidade, numa espécie de mutismo solitário dentro das redes sociais.  Assim consumimos informação mentirosa e alienante, sem percebermos porque os estados-nação se demitem das definições de políticas de interesse público que, progressivamente as vão transferindo para o sector privado, que tem por máxima a lógica inexorável do mercado, em que a única hierarquia é o que é vendável com impacto máximo e obsolescência quase imediata. São os tempos em que a globalização nos domina e deprime.

«Enquanto, numa extensão sem precedentes, cada vez mais habitantes do planeta perdem a esperança e são atirados para a exclusão, a riqueza global vai-se concentrando num número cada vez menor de mãos. Nada é mais desigual que a igualdade entre desiguais nem há democracia possível com tamanha desigualdade»

Em nome da racionalização e da modernização da produção, está-se a regressar ao barbarismo dos primórdios da revolução industrial. O objectivo é a conquista do mundo pelo mercado dos poderosos gananciosos, onde as armas são financeiras e o objectivo da guerra é governar o mundo a partir de centros de poder abstractos. Megas pólos do mercado que não estarão sujeitos a controlo algum, excepto a lógica do investimento. Assim usam comunicação para preparar e justificar as acções políticas e militares imperialistas através dos meios tradicionais, rádio, televisão, jornais e redes informáticas, como é igualmente importante a construção de um imaginário global com os meios da cultura mediática de massas, usadas para legitimar empresas e marcas do capitalismo, onde o conservadorismo moral procura impor os seus códigos. É a universalização da cultura anglo-saxónica com os EUA no comando, que a usam como instrumento de subjugação, com o objectivo extremo de dispensar a necessidade de exércitos de ocupação. Vive-se num «casino cósmico», como o definiu concisamente Georges Steiner.

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A cultura e arte tornaram-se elementos de normalização e controlo social e de legitimação da exploração pelas empresas capitalistas, até a cultura se transformar num turbilhão de resíduos que invade o quotidiano. Um labirinto construído muro a muro em que se procura aprisionar definitivamente a humanidade, com a consequência política de desembocarem numa amálgama de conformismo e acomodamento com o estado de sítio da sociedade actual. Os labirintos são espaços em que nos perdemos, mas onde também nos defendemos, como nos mostra Stanley Kubrick no filme Shining. O minotauro da ideologia burguesa do neoliberalismo também o sabe, pelo que a porta de saída do seu labirinto abre para o campo de concentração do mundo digital onde distribuem em doses industriais o novo ópio da humanidade. Em que as redes sociais são o seu princípio mais activo, onde a alienação se espalha como um cancro por todas as actividades humanas até ao extremo limite da alienação de si próprio que voluntariamente se assume no consumo digital, em que, nas redes sociais, a vida de cada um se expõe como um reality show aberto aos continentes sem limites de seguidores e amigos virtuais – a alienação dos amigos reais – que se colhem como papoilas e de quem se esperam aprovações ou desaprovações em emojis e comentários. É o grau zero do social em que tudo acaba por ser idêntico sem experiência alguma, sem conhecimento algum. Uma degradação do star-system com que o cinema fabricou produtos para serem consumidos, em que coexistiam estandardização e singularidade, para produzir fascínio, desejo, emoção, prazer, numa  oferta consumidora em que trabalham as indústrias culturais e criativas, vendendo um entretenimento pronto a usar e a esquecer nos jogos de sedução filtrados pelas estratégias do marketing que sobrevaloriza a distracção para destruir as políticas culturais de democratização da cultura, substituindo-as por uma cultura do divertimento submetida ao capitalismo artístico de uma hipercultura comunicacional e comercial em que tudo se degrada.

O vertiginoso processo do metabolismo político e sócio-cultural é um processo de submissão que refinadamente inculca a insustentável leveza de uma falsa sensação de liberdade, de facto controlada pelo olhar panóptico do algoritmo, que tem a férrea lógica política social e ética do pensamento dominante que é imposto pelos novos senhores feudais do universo digital, que ameaçam tanto o trabalho físico como o espírito humano para que a perda de esperança colectiva seja uma realidade. Para os mais lúcidos de bom senso é imperativo denunciar e desocultar o objectivo último das políticas neoliberais: fazer coincidir a dominação com essa ilusão de liberdade. Um complexo e sofisticado mecanismo que faz com que os envolvidos, por via de regra, pareçam não entender exactamente no que estão envolvidos enquanto protagonistas e que Mészàros considera ter atingido um ponto praticamente incontrolável, e nem Orwell, com toda a sua lucidez, sequer conseguiu antever.

O trabalho, no neoliberalismo, aprofunda a escravizante subordinação dos indivíduos à divisão do trabalho e da divisão entre trabalho intelectual e manual, em que a alienação e desrealização dos trabalhadores atingem o seu alfa e o seu ómega na lógica ultra-perversa da uberização (desvalorização do trabalhador) em que o trabalhador se torna um explorador de si-próprio.

(Artigo de opinião Resumido)

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