sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

A Sufocante Miséria Europeia

A Europa sufoca a Liberdade com mentiras

    Durante décadas a elite europeia sentiu-se confortável com a "protecção" americana. O largo e decisivo chapéu nuclear, as imponentes bases militares, a arrogante NATO avançando para Leste à procura do comunismo perdido, os fundos inesgotáveis que compravam as vozes convenientes e calavam as outras. Afundados na sua comodidade burguesa, desprezaram os seus povos esquecendo o que tinha feito a grandeza da Europa no pós II guerra mundial.

    O último lutador pela independência e unidade esclarecida da Europa, Charles de Gaulle, desapareceu e com ele levou os seus sonhos. Os valores europeus afundaram-se perante a subserviência aos interesses americanos. Adeus democracia, adeus ordem internacional e as suas leis, adeus legitimidade das instituições internacionais. Tudo o que os americanos atropelavam os europeus calcavam de seguida.

    O embuste da guerra do Iraque, a mentira das armas de destruição massiva, a subjugação da Sérvia e destruição da Jugoslávia próspera, a destruição da Líbia, o apaparicar dos grupos terroristas "do bem", a indiferença perante o sofrimento atroz do povo palestiniano.

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     Em boa verdade, em boa verdade histórica, nós europeus vendemos a alma ao diabo. Por último e para cúmulo da subserviência decidimos acompanhar e participar no sonho da administração Biden/Harris, tão bem expresso pelo general Austin, "vamos infligir uma derrota estratégica à Rússia" tornando-a irrelevante e eventualmente dividindo-a a nosso bel prazer, como afirmou Kaja Kallas. Kallas imagem perfeita do escravo encantado com o poder do senhor.

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    Porém, os interesses americanos mudaram e os lacaios entraram em desvario. Os USA querem agora afastar a Rússia da China para cujos braços a leviandade estratégica da UE a lançou. Ninguém sabe qual o resultado de tão dramática inversão, mas uma coisa é certa, a Europa está perante a sua própria miséria moral. Ou se redime ou morre.

Rodrigo Souza e Castro – 20-02-2025

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OPINIÕES COM SENTIDO

Carlos Matos Gomes – 21-02-2025

   O dilema europeu: o escravo alforriado, entre a escravidão e a liberdade

   Escravidão, vassalagem e opressão em contra ponto com a coragem, resistência autonomia, são as marcas dominantes da História. A luta pela liberdade e a igualdade contra o domínio aceite ou forçado determina o papel dos povos ao longo dos tempos.

   Existem dois tipos de atitudes perante a opressão, a dos que a aceitam a obediência voluntária e a dos que não sabem o que fazer com a sua autonomia e livre arbítrio. Este dilema foi particularmente visível com o final da escravatura nos Estados Unidos e nas colónias francesas. Com o fim da escravatura, os escravos viveram o paradoxo de serem livres e não terem senhor ou dono que lhes garantissem a segurança e a sobrevivência.

   A Europa está a viver o paradoxo do escravo alforriado. Os Estados Unidos dispensaram-na, a Europa deixou de ser necessária para a sua estratégia e passou a ser um empecilho.

   A Europa, tal como os escravos alforriados, mantem-se na fazenda dos patrões, oferece-se para ser trabalhador sem salário, ou com um contrato de prestação de serviços, disposta a tudo, sem armas, sem aliados, para já à mercê da venda dos seus melhores ativos à China. Quanto à relação com os EUA, o que tem a União a oferecer e que justifica a ida de Macron a Washington? Os Estados Unidos de Trump estão a impor um negócio leonino à Ucrânia de Zelenski: o pagamento da guerra que desencadearam com as matérias primas ucranianas. A Europa, agora alforriada, isto é dispensada pelos senhores, vai oferecer-se para fazer o papel de guardas e gendarmes para assegurar que o negócio entre os EUA e a Ucrânia seja feito em segurança.

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Politicamente Incorrecto

    Numa sala que parece saída de um casamento entre a monarquia absolutista e a cafonice moderna, reuniu-se a mais gloriosa inutilidade da política europeia. A fina nata da burocracia, os campeões do nada, os medalhados olímpicos da indecisão. Ali a decidir o futuro do velho continente, ou pelo menos fingir que sim, enquanto bebem o cafézinho e esperam, uns pelo conhaque, outros pelo bagaço.

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    Ao centro da geringonça europeia, temos o nosso Costa, um homem que sobreviveu anos a governar Portugal sem nunca decidir nada. E agora? Agora está ali, com a sua clássica pose de vendedor de seguros, pronto para explicar a líderes de países gigantes como se faz política à base de promessas vagas, tachos bem distribuídos e o sorriso de quem sabe que, no fim, ninguém vai ser responsabilizado por nada.

Eis a geringonça europeia: monumento supremo à inutilidade

Mário Rui Fernandes Alves - Qual deles o mais hipócrita e mais mentiroso. Escolhidos a dedo porque nunca foram eleitos.

Carlos Matos Gomes  - A descrição de Donald Trump dos acontecimentos que detonaram a invasão da Ucrânia pela Ucrània - uma provocação para justificar uma reação, como o presidente dos EUA o faz com a frieza de um punhal desmonta a narrativa que se tornou obrigatória na comunicação social europeia e em Portugal. Essa narrativa foi paga diretamente por organizações (agências americanas, NATO, U E) ou através de organizações ucranianas. Os vários meios de manipulação de massas receberam as retribuições adequadas e contrataram os painéis de publicista adequados aos quais, dentro da regra de ouro publicada pelo poeta António Aleixo, de que a mentira para ter profundidade tem de ter alguma verdade, juntaram um pequeno núcleo de analistas competentes. Agora veremos as cambalhotas que as estações vão dar e quem vão despedir entre as tropas de especialistas de defesa e segurança de que se desconhece a origem e a sabedoria.

Luis Galhardo - Os políticos EU que serviram de testemunhas-palhaço para assinarem os falsos acordos de Minsk, sabendo que eram apenas para dar tempo à Ucrânia para ser armada e postar um exército junto às fronteiras russas, são os mesmos que sofreram um ataque de amnésia… pois, continuam na trapaça e só se lembram que a Rússia se antecipou e avançou com a Operação especial. A Ucrânia foi sendo armada desde o apoio dos USA à revolução Maidan de 2014 e aceitou fazer a guerra dos USA+NATO contra a Rússia – o cúmulo da hipocrisia.

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Rogerio Bombardeiro - Dizer que a guerra na Ucrânia começou com a invasão de 2022 é tão inteligente como dizer que os hambúrgueres vêm do frigorífico. E é tão isento como dizer que o Zelensky é um patriota que está preocupado com a Ucrânia, quando não se quer submeter a eleições em período de guerra… e Putin que se submeteu a eleições, nas mesmas condições de guerra, ganhou por larga maioria, é um ditador...

Tiago Mouta - Os mesmos estados unidos que, com o auxílio da UE instrumentalizaram Zelensky contra a Rússia, hoje, deixam-no cair com estrondo e queimam o Judas em praça pública.

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terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Incompetência dos Governantes Afunda a Europa

Governantes Europeus em Pânico

1 - Lá seguimos com expectativa defraudada a tertúlia dos governadores-gerais dos Estados-clientes caídos em desgraça ante o governo imperial de Washington. Se não se conseguem pôr de acordo sobre óleos vegetais, seria manifestamente severo esperar que aqueles náufragos conseguissem encontrar uma justificação que oferecesse à Europa e ao mundo uma só razão que legitimasse impedir o concerto da paz. Querem a guerra, mas não podem nem têm meios para exibir músculo. Querem meios para armar a Europa, destruindo-lhe o presente e o futuro, mas não querem exceder os 2% destinados à Defesa. Querem dar guerra a Putin, mas na hora decisiva, todos, salvo os pobres e patéticos britânicos, recusaram veementemente enviar tropas para a Ucrânia. A causa da UE, como sempre, uma causa sem efeito.

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2 - Agora já querem sentar-se com Hitler?

Por que razão teria Putin de descer da condição de estadista para discutir com aquela pandilha desesperada, impotente e tóxica que ontem se reuniu aterrorizada em Paris, após lhe terem mentido entre 2014 e 2022 e, depois, o terem comparado a Hitler nos últimos três anos?

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3 - A imprensa dá conta do propósito norte-americano em reduzir a remanescente Ucrânia a colónia de exploração, privá-la de todas as riquezas conhecidas e ainda das riquezas por descobrir, roubar-lhe qualquer futuro, num tal modelo «asteca» de rapina sistemática, implacável e grosseira que só nos ocorre o despudor e crueldade das cartas do rei Leopoldo II da Bélgica ao explorador Stanley. A franqueza norte-americana acaba por se revelar como didáctica e necessária para despertar os sempiternos ingénuos.

Tal como os britânicos no passado, o sistema de domínio americano baseia-se na invocação de grandes princípios para logo legitimar o esbulho sistemático. Agora que se tornou claro que a ajuda do "Ocidente" era movida por um misto de primitivismo anti-russo e apetite voraz em apossar-se dos recursos ucranianos, talvez se comece a esboçar um movimento de compreensão pelo medo russo em ter junto da sua fronteira tal entidade. No fim, os ucranianos terão de se virar para os seus irmãos russos para evitarem cair nas malhas da escravatura perpétua dos novos negreiros americanos.

Miguel Castelo Branco   - 17-02-2025

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Elites e o exército de soldadinhos de chumbo

O “espanto” e a “surpresa” que os dirigentes europeus dizem ter sofrido com o discurso de J. D. Vance, vice presidente dos EUA, na conferência de Munique deve ser entendido, isso sim, como causa de espanto e surpresa por parte dos cidadãos europeus. Esse espanto e essa surpresa das elites europeias revela a sua incompetência para entenderem vários aspetos essenciais mas básicos nas relações entre a Europa e os Estados Unidos.

Em Munique estiveram em confronto dois conceitos de sociedade e dois conceitos de elites, de classe dominante (ruling classes), que foram expostos numa obra clássica de 1945; “The American Business Elite: A ColIective Portrait”, Journal of Econorruc History” de Wright MiIIs. Os burocratas europeus não leram e agora agitam-se como moscas dentro de um prato de azeite.

O que Wright Mills explicou, ainda mal a Segunda Guerra havia terminado, é que a elite americana é constituída por um grupo cujo elemento definidor se encontra no domínio do poder económico, o que a distingue das elites europeias que surgem associadas à produção de ideias e à administração pública. Na Europa a entrada na elite é feita maioritariamente através formação técnica, e pelo acesso às grandes escolas, depende em boa parte do background social dos candidatos que são maioritariamente destinados a administrar o Estado. Pelo contrário, as elites dos Estados Unidos, são recrutadas no mundo dos negócios e dos produtores de violência (militares e agentes de serviços secretos — makers of violence). É esta elite económica e de ação violenta que controla o processo de tomada de decisão política para obter ganhos económicos. Para esta elite as guerras são negócios, um deve e haver.

Em Munique estiveram em confronto estes dois tipos de elites. A elite de Trump, semelhante à elite de Bush Jr que conduziu a invasão do Iraque e do Afeganistão, a elite de Clinton que conduziu o ataque à Sérvia e o desmantelamento da Jugoslávia. Os atores da trupe de Trump não são diferentes do vice Dick Cheney e de Rumsfeld no que diz respeito ao desprezo pelos europeus e pelos princípios! Os europeus presentes desconheciam estas personagens? Desconheciam Vitoria Nuland funcionária da CIA (da elite dos makers of violence) que serviu nas administrações de Trump e de Biden e pilotou o processo que levou a Ucrânia à política de ameaça à Rússia?

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J D Vance referiu que o inimigo da Europa é a cristalização em que a Europa vive, a sua resistência à mudança, o emaranhado de poderes que se esgotam em quezílias de vaidades. A União Europeia, em contra ponto à Rússia e à China, vive hoje como se o mundo fosse o da Guerra Fria, as suas elites são burocratas que administram programas a que falta um desígnio, um objetivo estratégico além de satisfazer clientelas ao sabor das circunstâncias.

J D Vance foi a Munique dizer o óbvio: a Europa não justifica um inimigo externo! (O desprezo é a mais dolorosa ofensa.) Veio dizer que os Estados Unidos concluíram que a Europa é um peso morto e as elites americanas no poder, as do MAGA, partilham essa visão com as novas elites russa e chinesa, pragmáticas, rudes e focadas nos resultados. Um oligarca americano está muito mais próximo intelectualmente dos novos oligarcas russos ou até dos chineses (que são mais sofisticados) do que de um “enaca” ou de um politécnico francês, ou de um graduado por Oxford ou Cambridge. Sendo esta a visão que as elites americanas e russas partilham da Europa e dos seus dirigentes, porque carga de água a Rússia iria invadi-la e tomar conta dela, vir por aí abaixo, no imortal resumo de Ana Gomes, especialista em slogans dos gloriosos tempos de ouro do MRPP, para ocupar um continente de velhos e de burocratas, um asilo?

E assim chegamos ao absurdo delirante de, sem saberem o que fazer para se manterem no poder, os cérebros dos líderes europeus, os tais burocratas políticos, terem acendido a ideia luminosa de constituir um exército europeu! Isto num continente que não fabrica uma turbina para aviões de combate: a Rolls Royce a General Electic e a a Pratt&Whitney são americanas.

Uma passagem de olhos pela história da Europa revela que o último ataque à Europa ocorreu no cerco dos turcos (império otomano) a Viena em 1693! Uma leitura superficial sobre os conflitos do século XX permite concluir que os exércitos europeus são exércitos historicamente derrotados. Na Primeira e na Segunda Guerra, os exércitos francês, alemão, polaco e italiano foram derrotados desde os Alpes a Stalingrado, o exército inglês na Segunda Guerra, retirou-se da Europa continental com a dramática operação de Dunquerque. Foram os Estados Unidos e a União Soviética que impuseram a descolonização à Europa através das dinâmicas do Movimento Descolonizador. No século XX quem decidiu a sorte das armas na Europa foram os Estados Unidos, a ocidente, e a União Soviética, a leste, que dividiram o continente entre si em Ialta e Potsdam, como o vão fazer atualmente, parece que na Arábia Saudita, uma zona decisiva, essa sim, para negociar a divisão do poder do futuro entre dois dos atores que verdadeiramente contam.

Enquanto pelas arábias dois dos grandes poderes de facto decidem lancetar o furúnculo da Ucrânia para passarem ao sério conflito do Médio Oriente, em Paris um pequeno grupo de funcionários reúne-se para discutir um “exército europeu”!

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Um “exército europeu” é uma figura que não passa de uma representação em miniatura da Grand Armée em miniaturas de soldadinhos de chumbo, um diorama! Os líderes europeus estão hoje em Paris, com Macron, de rabo para o ar a construir um diorama, ou um Lego. No final, se entre eles existir algum com senso e sentido de humor, esse gritará: Vamos mas é comer umas ostras!

Carlos Matos Gomes,  17-02-2025

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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

Ucrânia - O Despertar dos Mágicos

A Europa na Escuridão

    Numa permanente cegueira perante os profundos interesses comerciais e geopolíticos americanos, os governantes europeus perderam-se em retiros de reflexão e promessas de massivos apoios à Ucrânia, que se vislumbram falíveis, entrando numa letargia económica e estratégica perigosa e de progressivo declínio da vida social das populações.

    As profecias do Presidente Donald Tramp estão em franco desenvolvimento e a Europa corre o risco de ficar numa penumbra económica demasiado perigosa e deprimente para as nações europeias. As anunciadas previsões para negociar o fim da guerra na Ucrânia são como um "Despertar dos Mágicos" perante os lunáticos governantes europeus, que perderam os benefícios do gás russo barato e entraram em perigosa derrapagem da economia e garantias sociais!

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     O Presidente Donald Tramp afirmou: 

"Eu só tive um telefonema longo e altamente produtivo com o presidente Vladimir Putin da Rússia. Discutimos a Ucrânia, o Oriente Médio, a energia, a inteligência artificial, o poder do dólar e vários outros assuntos. Nós dois refletimos sobre a Grande História de nossas Nações, e o fato de que lutamos tão bem juntos na Segunda Guerra Mundial, lembrando que a Rússia perdeu dezenas de milhões de pessoas, e nós, da mesma forma, perdemos tantos! Cada um de nós falou sobre os pontos fortes de nossas respectivas nações e o grande benefício que um dia teremos em trabalhar juntos. Mas primeiro, como ambos concordamos, queremos impedir que as milhões de mortes ocorram na guerra com a Rússia / Ucrânia. O presidente Putin até usou meu lema de campanha muito forte de “COMMON SENSE”. Nós dois acreditamos muito fortemente nisso. Concordamos em trabalhar juntos, inclusive em visitar as nações um do outro. Também concordamos em que nossas respectivas equipes comecem as negociações imediatamente, e começaremos ligando para o presidente Zelenskyy, da Ucrânia, para informá-lo da conversa, algo que farei agora. Pedi ao secretário de Estado Marco Rubio, ao diretor da CIA, John Ratcliffe, ao conselheiro de segurança nacional Michael Waltz e ao embaixador e enviado especial Steve Witkoff para liderar as negociações que, eu sinto fortemente, serão bem-sucedidas. Milhões de pessoas morreram em uma guerra que não teria acontecido se eu fosse presidente, mas isso aconteceu, então deve acabar. Não mais vidas devem ser perdidas! Quero agradecer ao presidente Putin por seu tempo e esforço em relação a esta chamada, e pela libertação, ontem, de Marc Fogel, um homem maravilhoso que eu pessoalmente cumprimentei na Casa Branca. Acredito que esse esforço levará a uma conclusão bem-sucedida, espero que em breve!"

 

NOTA IMPORTANTE, sobre comentadores e mentirosos:

Três anos após ter começado a guerra na Ucrânia, concluímos que as televisões estão atulhadas de lixo esquizofrénico nos noticiários "comentados". Como diz Miguel Castelo Branco:

"Ao rever estas imagens datadas de 4 de Março de 2022, muitos compreenderão a honestidade de quantos, desde o primeiro dia da guerra, pediam racionalidade, objectividade e isenção. Agostinho Costa disse-o perante o estupor, os gritos e insultos de uma mole de desvairados e, como se vê, nada do que então afirmou estava inquinado de parcialismo. Impressionante como cada palavra ganha hoje pleno significado." Clikar para VER Vídeo:

https://www.facebook.com/miguel.c.branco.5/videos/993396129353698

 

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O “Destino Manifesto” dos Estados Unidos da América

    Descendente de imigrantes e refugiados ingleses e irlandeses com divergências religiosas e políticas, o povo americano imergiu de uma caldeirada de gente aventureira, genericamente formatada para a exploração dos recursos humanos (mão de obra escrava), territórios com boa capacidade de produção agrícola e exploração de matérias-primas territoriais com vista ao enriquecimento a qualquer custo.

   Transformaram a ideia do “Destino Manifesto”, idealizado nos escritos de Samuel, numa crença de que o povo estadunidense foi o escolhido por Deus para conquistar todos os territórios até ao Oceano Pacífico, e que as nações fracas deveriam ser dominadas pelas mais fortes. E é esse o designo que tem avançado a “ferro e fogo” em todo o mundo, cada vez com mais força, intensidade e crueldade.

    Assim nasceu e prospera a maior potência económica e política global, fomentadora de guerras, destruidora de nações, interventiva nas políticas internas e causadora de desigualdades sociais e genocídios à escala mundial.

VER em:  https://picadas2.blogs.sapo.pt/nascimento-dos-estados-unidos-da-48359

    Quase no final da guerra no Vietnam, a CIA e o Secretário da Defesa estavam menos crentes do que o poderoso loby militar, e percebiam a ineficácia dos bombardeamentos massivos contra o território vietnamita e as populações. Entre os decisores do avanço das guerras americanas existe muita insinceridade nas partilhas de informação. A lógica das falsas comunicações e falsos testemunhos é aceite sob o ponto de vista do Manifesto prodigioso quando refere que as mentiras por boas causas são permitidas.

    Desde os primórdios da fundação das primeiras colónias na América, os fundadores sonhavam com um Estado imperialista americano. Desde aí, as políticas, os diplomatas e os chefes militares sempre seguiram a doutrina do imperialismo, tendo como principais objetivos investir em enormes instalações militares por todo o mundo.

     Seguindo a doutrina do Manifesto, os americanos são o povo escolhido para dominar o mundo, começando por dominar os Índios, conquistar territórios mexicanos e expandir o seu poder pelo mundo, assimilando ou impondo as regras nas nações mais fracas.

    Assim, o grupo guerreiro exige mais dinheiro, mais sistemas de armas modernas, mais intervenção militar. Invocando as emoções do patriotismo e virilidade dos militares, os chefes militares exercem pressões permanentes sobre os políticos e decisores burocráticos para atingirem os seus objectivos profissionais e imperialistas. E, precisamente quando os generais e estrategas da guerra no Vietnam diziam ver “progressos em todo o cenário de guerra no Vietname… as esperanças do inimigo estão falidas. Embora o inimigo tenha conseguido uma vantagem psicológica temporária, sofreu uma derrota militar…”  Pois, dois anos depois, as tropas americanas tiveram que fugir do Vietnam em condições de derrota vergonhosa.

     Ora, a tragédia do Vietnam é a tragédia do catastrófico prolongamento da aplicação de princípios e ideias da segurança colectiva e do evangelismo liberal, com sentido new-dealismo compulsivos, estimulados pelas ilusões da superpotência, enriquecidos por um anticomunismo absolutista e premidos pelas exigências da nova classe guerreira, na pretensão do universalismo americano, numa fase messiânica. Dizia o Presidente Johnson: “A história e as nossas próprias realizações lançaram sobre nós a principal responsabilidade da protecção e liberdade sobre a terra… Nenhum outro povo teve em qualquer tempo tão magnífica oportunidade de trabalhar e arriscar-se pela liberdade de toda a humanidade.” Estas frases perderam o sentido dos meios e dos fins ao massacrar um povo, usando meios de destruição desproporcionais (mais de 3 milhões de bombas lançadas provocaram a ruína de todo o território vietnamita).

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    A hipocrisia dos decisores militares que destruíram mais um país e abandonaram o seu povo à mingua da desgraça dos efeitos do veneno lançado sobre os campos agrícolas e para desflorestação excessiva, não é mais do que as exemplares intervenções belicistas na América Latina e outras partes do globo onde o poder americano vai pisando com as botas da desgraça.

    Para esta visão imperialista não há lugar à neutralidade! Para manipular os que tentem ser neutros, são preparadas e bem difundidas mentiras, pervertendo a moral e os valores tradicionais de um povo nação, iludindo a verdade “com mentiras ditas por boas causas. Esmagamos um povo vietnamita iludido e confiante, mas não se preocupem, tudo está bem!”… dito pelo Secretário de Estado dos Estados Unidos Rusk.

    Então, após o colapso no Vietnam, o imperialismo começou a temer a ascensão do nacionalismo na afirmação da identidade nacional dos países do Terceiro Mundo. Vem do tempo da segunda guerra mundial esta ideia do nacionalismo defendido por Churchill, ao ver toda a Europa despedaçada e em ruínas, economicamente falida, politicamente desmoralizada e indefesa militarmente… completamente dependente dos Estados Unidos da América. Ora, foi a suprema oportunidade da América se impor com o Plano Marshall, lançando o processo de recuperação e reconstrução económica e social com protecção militar efectiva e imposição de novas regras!

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    Mas, há sempre alguém que não aceita o jugo… o General de Gaulle considerou a ingerência americana exagerada e extravagante e defendeu o orgulho europeu nas tradições e capacidades de realização, com vontade de defender e reafirmar a independência europeia. Mas muitos apaniguados rendidos aos americanos rejeitaram o nacionalismo de De Gaulle e criaram muitos obstáculos às tentativas de restaurar a França.

    Com o renascer do nacionalismo por todo o mundo, os blocos imperialistas tiveram que se esforçar por controlar nações numa visão geoestratégica ao sabor de cada bloco, destacando-se os países do Terceiro Mundo. Naturalmente, cada nação pretende viver segundo a sua própria identidade; mas, sendo países subdesenvolvidos, sentem a falta de técnicas eficientes de modernização e vivem entre o insucesso das suas políticas e a aceitação dos apoios dos países desenvolvidos que os deixam reféns de princípios e políticas nefastas para o seu povo.

    Com a perda de poder das duas principais superpotências mundiais, temos a China em ascensão progressiva e firme, numa determinação de desenvolvimento participativo, negociando e construindo grandes projectos de infra-estruturas, encorajando e ajudando financeiramente os países mais atrasados, num novo espírito de desenvolvimento sustentado e planeado para melhoria de vida das pessoas. Se assim continuar, mesmo em confronto com os blocos antigos, protagonista dum novo bloco “os BRICS”, talvez consiga convencer e vencer a letargia das nações em definhamento e trazer esperança de mais prosperidade para os seus povos.

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    Depois das guerras da devassa de governos legítimos, como nos Balcãs (desmantelamento da Jugoslávia), como no Iraque, Egipto, Líbia, Síria, Tunísia, onde ficaram os povos desamparados, no meio de escombros e ruínas, temos as guerras de fricção programadas para imposição de doutrinas castradoras dos direitos humanos. Na Ucrânia joga-se o futuro da Europa e arruína-se a riqueza duma nação histórica. No médio oriente, está à solta a fúria odiosa duma casta de poderosos financiadores de guerras, onde os massacres e genocídios de populações inocentes acontecem sem dó nem piedade, perante os olhares de palestrantes cobardes e hipócritas, tendencialmente mais sanguinários do que aqueles que acusam de terroristas.

    O perigo deste alastrar de guerras no Médio Oriente, onde o governo israelita se comporta como os mais tenebrosos terroristas e sanguinários, vemos dezenas de milhares de crianças a ser derretidas pelas bombas lançadas a granel, sem que o mundo dito “dos direitos humanos e da liberdade e democracia” se imponha para acabar com o genocídio de povos que vivem à mingua de ajudas externas, porque não lhes dão paz para recomporem a sua terra e viverem sossegados. O Presidente Biden, com seu sorriso hipócrita, confirma todo o apoio a Israel, o tigre que vai desafiando o Irão, coberto por duas esquadras de porta-aviões americanas… cujos objectivos são bem mais perigos do que parecem!

    Perdida a martirizada Ucrânia, na sua condição de trampolim para depauperar a economia, destruir as fontes de energia russas e desferir o golpe mortal no Império soviético, os Estados Unidos da América e seus vassalos europeus ficariam com campo livre para desmantelarem o que restava da União Soviética e apoiar os estados-satélites até à sua castração ideológica e tradicional, impondo novos regimes deformadores da história e tradições e contra a vontade das populações ancestrais.

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    O mais evidente perigo, é vermos esses mesmos lunáticos apoiantes da guerra na Ucrânia preparam um novo cenário que possa levar à derrota da Federação Russa, como se isso fosse possível!

    Tudo se conjuga para que Israel entre em guerra aberta com o Irão, tendo por detrás o as Forças Armadas americanas e os aliados da NATO. Sendo a Rússia um importante aliado do Irão, poderá avançar em seu auxílio militar… como pretendem os americanos. Logo, teremos em confronto aberto a NATO comandada pelos americanos, para tentarem derrotar os russos. Mas, há demasiado armamento atómico que, sendo usado, o mundo pode acabar numa catastrófica fornalha de cadáveres, por causa dos demónios fazedores de guerras, gananciosos vendedores de sofisticadas armas aos genocidas por eles alimentados.   

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    Os povos do mundo conturbado estão fartos de guerras, porque as guerras não servem os interesses das populações; as guerras servem para roubar e matar inocentes… só trazem desgraça e destruição, causam muito derramamento de sangue inutilmente, deixam um rasto de desolação nas terras contaminadas pelos detritos e venenos das bombas.

    Neste final de ano de 2024, temos esperança de que venham melhores ventos que iluminem os beligerantes com a lucidez para que ponham fim ao ambiente belicista; outros interesses comerciais e mais vantajosos para os americanos vão prevalecer e as guerras serão suspensas, enquanto arrecadam os milhões com a desgraça das nações palcos do genocídio a qualquer custo. Muitas voltas dará o sol até que uma nova ordem entre em crescimento na crença que o mundo vai melhorar com sentido mais humanista e a justiça prevalecerá.

Vila Nova de Gaia, 5 de Outubro de 2024

NOTA FINAL - Muito bem diz o Amigo Carmo Vicente:

Carmo Vicente - 13-02-2025

Muitos de nós andámos a dizer isto desde o primeiro dia desta guerra. São os dirigentes covardes e inaptos que têm a responsabilidade por todo este desastre, uns por ânsia de poder, outros por ódio (também por procuração) à Rússia. E não irão pagar pelos seus erros. Continuarão no poder indiferentes ao tapete de cadáveres que estenderam da Ucrânia ao Médio Oriente. Guerreiros de sofá dispostos a derramar sangue alheio sem que tal lhes perturbe o sono. Miseráveis é um nome suave que me ocorre chamar-lhes. E pertencem à raça humana (?)...

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domingo, 9 de fevereiro de 2025

Como Tentam Manipular a Vontade

O bárbaro mundo contemporâneo

    A cultura afunda-se no pântano. Os dramas dos trabalhadores e dos deserdados da vida, a desgraça moral do capitalismo, os sonhos utópicos foram rasurados da literatura, do cinema, das artes visuais.

    Há uma história chinesa sobre um monge, considerado o mais sábio entre todos, que se distinguia pelo seu hermético silêncio enquanto a idade avançava. O monge, perto do fim da vida, permanecia no seu irredutível mutismo. Os monges ávidos da sua ciência rodeavam o seu leito, pedindo-lhe uma palavra, uma só palavra que concisamente sintetizasse todo o seu saber. Num último alento o monge diz: Fogo. O mosteiro imediatamente começou a ser consumido pelas chamas. Os monges, surpreendidos pela combustão, vão combatê-la, abandonando o sábio. Se este sucesso acontecesse nos nossos dias é mais que provável que os monges submergidos pela peste da algaraviada da comunicação social e das redes sociais, com a perda da força cognitiva que nivela a linguagem pelas fórmulas mais genéricas e anónimas, pelo imenso ruído que, a todas as horas, apaga o fogo das palavras, não conseguissem perceber o monge e fossem consumidos pelo incêndio.

    Esse é o estado de sítio actual. Um processo insidioso que se começa a desenhar nos últimos decénios dos anos 50 e que foi avançando até finais dos 80 com os estados a demitirem-se da definição de políticas públicas transitando-as progressivamente para o sector privado que tem por máxima a lógica inexorável do mercado, em que a única hierarquia é o que é vendável com impacto máximo e obsolescência quase imediata. São os anos em que a globalização se impõe. É a situação histórica da passagem do modernismo para o pós-modernismo.

«Enquanto, numa extensão sem precedentes, cada vez mais habitantes do planeta perdem a esperança e são atirados para a exclusão, a riqueza global vai-se concentrando num número cada vez menor de mãos. Nada é mais desigual que a igualdade entre desiguais nem há democracia possível com tamanha desigualdade»

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    Em nome da racionalização e da modernização da produção, está-se a regressar ao barbarismo dos primórdios da revolução industrial. Uma nova ordem económica emerge e começa a impor-se com violência crescente. O objectivo é a conquista do mundo pelo mercado dos poderosos gananciosos. Nessa guerra os arsenais são financeiros e o objectivo da guerra é governar o mundo a partir de centros de poder abstractos. Megas pólos do mercado que não estarão sujeitos a controlo algum excepto a lógica do investimento. A nova ordem é fanática e totalitária. Para esta nova ordem capitalista são de importância equivalente o controlo da produção de bens materiais e o dos bens imateriais. É tão importante a produção de bens de consumo e de instrumentos financeiros como a produção de comunicação que prepara e justifica as acções políticas e militares imperialistas através dos meios tradicionais, rádio, televisão, jornais e dos novos, proporcionados pelas redes informáticas, como é igualmente importante a construção de um imaginário global com os meios da cultura mediática de massas, as revistas de glamour, a música internacional nos sentimentos e americana na forma, os programas radiofónicos e televisivos prontos a usar e a esquecer, o teatro espectacular e ligeiro, o cinema mundano, a arte contemporânea em que a forma pode ser substituída por uma ideia e a personalidade do artista enquanto garante do valor da mercadoria artística que atravessa fronteiras, em que a arte, as artes e as letras, são usadas a mais das vezes para legitimar empresas e marcas do capitalismo, a informática inicia um processo irreversível de popularização, o conservadorismo moral procura impor os seus códigos. É a universalização da cultura anglo-saxónica com os EUA no comando, que a usam como instrumento de subjugação, com o objectivo extremo de dispensar a necessidade de exércitos de ocupação. Vive-se num «casino cósmico», como o definiu concisamente Georges Steiner.

    Um «casino cósmico» em que se promoveu a estetização do mundo social, político, económico, em que tudo é espectáculo. O crescimento do consumo estetizou e generalizou a percepção, o olhar exigente e crítico, cegando-o num voyeurismo obcecado pelo hiperconsumo sempre em viagem pela vertigem bulímica das novidades. Foi esse o trabalho das indústrias culturais e criativas, bem percepcionado por Adorno e Horkheimer e ainda mais bem clarificado nas teses de Lukács sobre a manipulação social, em que a cultura e arte se tornaram elementos de normalização e controlo social e de legitimação das empresas capitalistas, até a cultura se transformar num turbilhão de resíduos que invade o quotidiano multiplicando-se «gloriosamente no vazio contra o qual nos protege dissimulando-o», como Blanchot teorizou.

    Um labirinto construído muro a muro, impasse a impasse, em que se procura aprisionar definitivamente a humanidade. Para isso muito contribuíram as teses pós-modernistas que, travestindo-se de muito avançadas, são uma operação ideológica que renuncia às lutas de classe, desqualificando-as, encerrando-as nas micro e macro estruturas da linguagem, que negam a relação dialéctica entre infraestrutura e superstrutura, com a consequência política de desembocarem numa amálgama de conformismo e acomodamento com o estado de sítio da sociedade actual, de onde se deserta do exercício da crítica e de uma transformação radical da sociedade, como os marxistas têm enunciado e que está impressa nas lutas empreendidas pelas esquerdas consequentes.

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    Os labirintos são espaços em que nos perdemos, mas também onde também nos defendemos, como nos mostra Stanley Kubrick no filme Shining. O minotauro da ideologia burguesa do neoliberalismo também o sabe, pelo que a porta de saída do seu labirinto abre para o campo de concentração do mundo digital onde distribuem em doses industriais o novo ópio da humanidade. Em que as redes sociais são o seu princípio mais activo, onde a alienação se espalha como um cancro por todas as actividades humanas até ao extremo limite da alienação de si próprio que voluntariamente se assume no consumo digital, em que, nas redes sociais, a vida de cada um se expõe como um reality show aberto aos continentes sem limites de seguidores e amigos virtuais – a alienação dos amigos reais – que se colhem como papoilas e de quem se esperam aprovações ou desaprovações em emojis e comentários. É o grau zero do social em que tudo acaba por ser idêntico sem experiência alguma, sem conhecimento algum. É a mimetização, ainda que subconsciente ou mesmo inconsciente, dos tiques que fazem os famosos, famosos. Uma degradação do star-system com que o cinema fabricou produtos para serem consumidos, em que coexistiam estandardização e singularidade, para produzir fascínio, desejo, emoção, prazer.

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    Uma inflação de oferta consumidora em que trabalham as indústrias culturais e criativas criando produtos com estilo sempre a gritar o último grito, vendendo um entretenimento pronto a usar e a esquecer nos jogos de sedução filtrados pelas estratégias do marketing que sobrevaloriza a distracção para destruir as políticas culturais de democratização da cultura substituindo-as por uma cultura do divertimento submetida ao capitalismo artístico de uma hipercultura comunicacional e comercial em que tudo se degrada.

Por: Manuel Augusto Araújo - artista em arquitectura e cinema

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