sábado, 8 de maio de 2021

Guerras Ultramarinas, por quem?

 


OS PORTUGUESES NAS GUERRAS ULTRAMARINAS


1 – Fundamentos do discurso patriótico


Por natureza, nenhum ser humano deseja a guerra. Os antepassados transmitiam o espírito de luta aos mais novos, por razões de sobrevivência, na disputa dos territórios e dos bens necessários ao consumo humano. Naturalmente que as pessoas tendem a defender aquilo que lhes pertence, mas ninguém tem vocação para o sofrimento que as guerras impõem aos seus participantes directos.


Admite-se que muitos soldados têm relutância em combater, especialmente quando desconhecem a causa do combate. Mesmo o discurso do patriotismo não funciona para todos os cidadãos de igual modo, tendo em conta as mudanças sociais, a idade, o estatuto social ou a identidade com a Pátria.


No caso português, quase todos os combatentes foram empurrados para a guerra em circunstâncias adversas aos seus interesses, com fundamento na preservação do território português, tão propagado pela comunicação social e nos discursos oficiais. As características do povo português têm pouco de guerreiros, mas muito de inocência ou moralismo ancestral, porque sempre fomos um povo mal compreendido pelos governantes com o complexo de superioridade justificado no compromisso mais absurdo da condição humana. A pregação dos superiores hierárquicos nunca foi capaz de justificar as razões da guerra nas terras ultramarinas, gratificante para alguns que colheram bons proventos, mas desgastante e dolorosa para a generalidade dos combatentes.


Para evitarem embarcar para a guerra ou por razões de melhoria de vidas, muitos jovens mancebos abandonaram o país a caminho da emigração clandestina, correndo sérios riscos, passando as fronteiras a salto. Questões controversas, mas atendíveis perante o impasse e o demasiado prolongamento da guerra, sem que se vislumbrasse alguma forma de negociações com os movimentos independentistas.


2 – Razões solidárias, sem consciência heroica


Por pressão dos poderosos interesses estrangeiros, por conveniências políticas e interesses militares, o abandono das terras ultramarinas criou graves prejuízos a muitos milhares de cidadãos que lá viviam, sendo a culpa da descolonização atirada para cima dos combatentes desmobilizados e abandonados à sua sorte. Por isso, aqueles que conseguiram integrar-se na sociedade, trabalhar e participar no desenvolvimento do país, tiveram o mérito de galgar as dificuldades e viver; já o mesmo não aconteceu com os que nunca conseguiram limpar da sua mente os traumas dos momentos difíceis, os quais continuam a carregar dentro de si as imagens terríveis dos mortos e esfacelados caídos a seu lado. Todos merecem respeito e reconhecimento, mas estes merecem, também, solidariedade pública.


Admitindo que muitos dos combatentes entenderam a sua missão fundamentada no sentimento de solidariedade para com os portugueses daqueles territórios, raramente o fizeram com o espírito de luta pela pátria, com consciência heróica. Freud soube definir as premissas que podem levar “os heróis ao espírito de luta” como justificativo da defesa duma comunidade que conduza ao conflito com significado moralista ou de defesa; daí se possa concluir que ninguém vai à guerra para ser herói, porque o sacrifício da própria vida não o justifica, especialmente quando os governantes desprezam a elite de homens que revelaram um estado de espírito altruísta e abnegado em circunstâncias severamente adversas na defesa das causas da Pátria.


3 – Efeitos da guerra na Vida dos Combatentes


Com o movimento de muitos milhares de mancebos das terras de origem para locais e ambientes que nunca tinham imaginado encontrar, muitos deles rudes camponeses e iletrados, a fim de receberem os mínimos de ensinamentos e instrução militar e logo embarcados para as longínquas terras africanas, Portugal teve que gastar avultados recursos financeiros no esforço de guerra, o que proporcionou um inesperado desenvolvimento social e industrial.


Ora, as circunstâncias do ambiente de guerra, em meios desconhecidos e hostis, com graves carências de subsistência, perante o risco de serem feridos e morrer, causaram grandes transformações na formação da personalidade e no desenvolvimento cognitivo dos combatentes; os efeitos nefastos na saúde mental dos militares destacados nos postos avançados, em locais inadequados para viver longos meses em isolamento, sofrendo os efeitos dos bombardeamentos inimigos, alteraram comportamentos e deixaram marcas para o resto das suas vidas. Esses efeitos são mais notáveis na mudança de sensibilidade, no apego à vida, no sentido da solidariedade e da camaradagem cimentada em condições de grande dificuldade e perigo.


O fadário daqueles mancebos começou com o recrutamento, período de instrução e aprendizagem de coisas novas, embarques e longas viagens sobre o mar, entre 8 a 25 dias, atulhados nos porões de navios teimosamente lentos. Mas, o abandono a que foram votados depois do cumprimento do seu dever patriótico, também foi doloroso e penoso, levando muitos a tentar melhorar a vida na emigração.


4 - Abandono ou Reconhecimento


Embora não fossem bem compreendidos na sua missão, os Combatentes não desertaram… e cumpriram o sagrado dever que a Pátria lhes impôs, transmitindo à sociedade os valores duma elite moral e cívica que é cada vez mais rara entre a juventude. É por tais razões que os combatentes são merecedores do respeito e do reconhecimento da Nação, especialmente dos organismos oficiais que devem proporcionar condições de vida tranquila, criando centros de apoio social, psíquico e psicológico para reparar as feridas invisíveis, mas que podem ser detectadas em muitos dos intervenientes na guerra. O reconhecimento passa também pelos apoios sócio-económicos para os que não conseguiram integrar-se na vida profissional activa devido às mazelas resultantes da permanência em ambiente de guerra, que, objectivamente, causou estragos irreversíveis no miocárdio e no cérebro, levando ao desgaste prematuro destes órgãos, bem como à perda de proventos adequados à sua vida normal.


Finalmente, para os que assumiram o compromisso da defesa das causas da pátria, o reconhecimento dos esforços dos combatentes pode ser gratificante, em vez da repulsa e do negativo sentimento de abandono, prejudicial ao espírito de unidade nacional que se pode reflectir na sociedade civil e nas novas gerações. Compreender o passado é fundamental para os alicerces do futuro.


Maia, 10 de Junho de 1995


Joaquim Coelho


Combatente e repórter em Angola e Moçambique


 


Parte das Fotos das minhas reportagens na guerra


 


Manifestação em Luanda, população pede ajuda

 


 


As atrocidades dos terroristas da UPA em Angola

 


 


 


 


 


 


 





 


 


 

 



 


 



 



 



 



 



 



 










 


 











 












 








 



 




 




 





 




 



 



 


 



 


 


 



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domingo, 21 de março de 2021

Poemas - Dia Mundial da Poesia

 



 

 

       


        NUNCA VOS ABONDONEI


 …


Meus amores


desencontrados nos caminhos da mocidade


mostramos todo o vigor da tenra idade


nas escolas onde formamos as ideias


florescentes no vigor das nossas vidas


nas festas e romarias das aldeias


nos cruzamentos das estradas e avenidas


do meu percurso em sobressaltos


nos paraquedas enfunados, aos saltos;


meus amores de todos os tempos


da longa caminhada desta vida


rumos paralelos ou convergentes


dias cheios de bons momentos


deliciosamente felizes e contentes…


    eu nunca vos abandonei


porque os astros sempre me alumiaram


outros locais por onde vos encontrei


sempre gostosos e delicados


onde perdoamos nossos pecados.


 …


Meus filhos diletos


criados com sentida comunhão de afectos


num mundo em transformação acelerada


onde nos soubemos inserir ao natural


cultivando a auto-estima consensual


transpondo fronteiras para o saber


desfrutando da vida com prazer…


    eu nunca vos abandonei


porque sentia a vossa presença


entre a luz do sol e a claridade da lua


brincando dentro de casa ou na rua


mesmo nos dias de bruma teimosa


vivemos os melhores momentos de férias


nas terras longínquas de trás-os-montes


onde o carinho dos vossos avós e primas


se refletia na intensidade dos olhares


e na ternura desmedida da mãe Cila


também nos afagos do pai Macedo


partilhando momentos de gratidão


da natureza humana com emoção;


     nunca vos abandonei…


até na lonjura das viagens decretadas


na contingência do dever profissional


sentia a falta das noites animadas


com o afastamento do amor paternal


e até nos encontros com o progresso


visível nos olhares com emoção


das vossas carinhas mais larocas…


o reencontro em cada regresso


recompensava a generosa satisfação


com toda a pujança do amor liberto


na hora de vos abraçar com ternura


caminhando sempre no rumo certo;


brincávamos com alegria desmedida


no fervilhar da vossa inocência...


mesmo escrevendo ternurentos versos


moldados no desencanto da ausência


senti os vossos sorrisos travessos


   mas nunca vos abandonei.   


 …


Meus amigos confirmados


o tempo mostra que sois incondicionais


mesmo os que foram abandonados


pelos poderes duma nação desfigurada


continuam no meu imaginário secreto


   porque nunca vos abandonei…


o meu universo é longe e presente


voando enfunado num lindo sonho


onde o amor anda mais ausente...


no mundo controverso e enfadonho


envolto no bulício das incertezas


mostramos que temos um passado


confirmado entre matas e capinzais


nas agruras das guerras infernais


onde resistimos com valentia e coragem


selada com salutar camaradagem


cujo elixir da sentida amizade


nos fortalece os laços de vida repartidos


nos momentos dolorosos dos feridos


e dos amigos mortos em combate…


     porque nunca vos abandonei


sentimos que a vida tem outro sabor


emoldurada nos pergaminhos com vigor


onde recordamos os tempos passados;


com o avanço do tempo em nossas vidas


que vivemos como presente fervoroso


encontrei colaboradores empenhados


no trabalho profícuo e rigoroso


produzindo riquezas e salários …


comungamos dos mais altivos valores


que nos formaram em seres solidários


mantendo a ousadia que abracei


nos convívios mais prazenteiros


para conforto dos dias derradeiros,


     porque nunca vos abandonei.


     Vila Nova de Gaia, 21 de Julho de 2020


          Joaquim Coelho


        


 






 


 


 

Negócios da Pandemia - Confinamentos e Apatia

 


Como será o resto das nossas Vidas


 


A sequência de confinamentos abusivos está a causar mais estragos sociais e mentais do que danos na economia. Estamos a perder a noção do tempo e a utilidade dos pequenos negócios que se debatem com tremendas dificuldades perante a criminosa lei do confinamento, cheia de incongruências desconexas.


O mundo fecha-se nas catacumbas dos destruidores de sonhos. Pouco nos resta para respirar com esperança de manter a lucidez intacta a tanta maldade que nos atinge no íntimo das nossas vidas.


A realidade é tremendamente uma incerteza, mas temos de acreditar que o presente está nas nossas mãos e o futuro é uma incógnita que não podemos deixar de desvendar; basta que estejamos unidos contra os poderes que nos maltratam, dando as mãos com sentido de reposição dos direitos de liberdade criminosamente usurpados, para deixarmos de ver o mundo pela vidraça da janela do nosso lar familiar, onde nos querem prisioneiros sem sentença confirmada.


Não podemos continuar a sofrer os efeitos dos planos malévolos que nos afligem e entorpeçam, criando a sensação de insatisfação sem reagir concertadamente até à reposição de todos os direitos e bens extorquidos; só assim escaparemos à aparente derrota imerecida, fugindo ao estigma da solidão por falta de consensos na razão do nosso ideal de vida.


Se nos isolamos uns dos outros, damos campo de manobra ao inimigo comum para nos trucidar nas engrenagens dos poderosos. Devemos criar cada vez mais motivos de empatia, eliminando a aparente distância de interesses comuns, para evitarmos o perigo do individualismo que nos empurra para um buraco da sociedade que nos pode causar grande sofrimento e desconforto. 


A realidade que nos rodeia é de aparente apatia; sensação de que a luta é inútil, porque as pessoas não se dão conta que o isolamento limita o seu lugar no mundo global que nos cerca irremediavelmente. Cada um a seu modo, em perfeita sintonia de grupo, deve tomar consciência desta realidade e agir em conformidade contra o perigo do estado de apatia generalizada.  


A apatia social pode ocorrer em qualquer época do ano, mas com os continuados confinamentos, passamos mais tempo em casa, num isolamento doentia e perigoso, porque a perda dos relacionamentos, das conversas nos convívios, das piadas provocadoras de risos divertidos é terrivelmente perigosa para a saúde e pode confirmar o aprisionamento tenebroso urdido nos malévolos decisores das novas regras da sociedade.


Vila Nova de Gaia, 30 de Dezembro de 2020


 Joaquim Coelho


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terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Liberdade Censurada

 NOTA-PRÉVIA:


Os poderes que nos pretendem dominar estão avançando perigosamente...


isto é nas redes sociais, nas televisões e nos jornais.


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Joaquim Coelho


18-1-2021


Conteúdo partilhado com: Público


Prezados Amigos do Facebook, estou a procurar outra plataforma de divulgação de ideias e opiniões, porque aqui estou a ser boicotado pelo "superior controlador da rede".


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Para além de outros posts, vejam o que bloquearam:


Joaquim Coelho


14 de janeiro 2021, às 11:27 · 


Conteúdo partilhado com: Público


Negócio das Vacinas. A verdade que nos escondem. Haja bom senso.


YouTube, vídeo sobre problemas das vacinas·


(Bloqueado pelo Facebook)



 


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sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

O Natal nas Memórias de Africa

 


BOAS  FESTAS


aos Companheiros da jornada africana.


 



 

Clik na Imagem para VER:

 


natal na guerra 2.jpg



 


natal na guerra3.jpg



 

 

 


 

O Natal dos tempos da guerra,

marcou as emoções dos soldados
que estavam longe da sua terra
com a saudade partida em bocados.


 


                        JoaquimCoelho

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Nosso Tempo em Perigo

Por causa da evolução descontrolada


 



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  O presente do nosso tempo representa um grave declínio do humanismo e dos valores que sustentam a sua renovadora filosofia na solidariedade e no respeito pelos outros.


Cada vez mais pessoas trabalham para sobreviver e não vivem para trabalhar com empenho e gosto de aplicarem a sua sabedoria. As escolas são um local triste, caminhando para formar pessoas medíocres, em vez do ensino do desenvolvimento das capacidades natas e da criatividade nos ensinamentos adequados à vida profissional com qualidade.


O Estado perde-se nos meandros do compadrio e está refém de uma grande quantidade de agentes acomodados, medíocres dirigentes e camaleões insurgentes a perturbar a vida dos cidadãos que precisam dos seus serviços para a normalidade do serviço público.


As empresas banalizam a natureza dos seus empregados, privando-os do necessário apoio formativo e evolutivo, tornando-os um bem amorfo e desinteressado na evolução dos conhecimentos de aprendizagem


Muitas das famílias vivem a um ritmo desenfreado atrás do consumismo, que nem se apercebem do disfarce que encobre as suas debilidades perante a agressividade da propaganda dos bens supérfluos em desfavor dos essenciais. É uma corrida que deforma as mentes da juventude e despreza os alicerces para uma vida saudável e de sucesso.


Caminhamos para o colapso da família, para o abismo da depressão de contornos de loucura, para a escravatura à mercê do capitalismo monstruoso capaz de triturar o que resta da sociedade social, tornando o horizonte sombrio e preocupante, para não dizer trágico.


Perante este cenário terrível, continuamos a assistir a uma chusma de comentadores idolatrados pelos distraídos e acomodados, perigosamente ao serviço dos grandes impérios do poder oculto que se prepara para nos trucidar sem retorno. Se os órgãos de informação estão cada vez mais concentrados e controlados pelos grandes grupos económicos e financeiros, os servis comentadores são os coveiros que ajudam a cavar as covas onde os desprotegidos cidadãos acabarão por sucumbir.


Dificilmente conseguiremos barrar o caminho da desgraça que se avizinha, porque a nossa fragilidade e, até, indiferença perante a sanha tenebrosa que progride a olhos vistos, nos torna vulneráveis às consequências do desastre económico e humanitário que se afigura no horizonte da humanidade.


A cobardia dos acomodados, aliada à timidez do cidadão comum e aproveitada pelos poderes instalados ao serviço da corrupção, são as maiores causas do avanço do populismo, dos oportunistas sem escrúpulos e dos matadores de sonhos dos que ainda conseguem lutar por causas nobres.


Só uma vanguarda de gente sem medo, com sentido de entreajuda comunitária e visão de futuro mais promissor, conseguirá travar o avanço do domínio do supérfluo e da mediocridade. O progresso não deverá, nunca, fazer dos seres humanos instrumentos de arremesso contra as alterações sociais, desvalorizando as suas capacidades de afirmação profissional e de evolução social.


Falam de crises… mas crises há muitas e de diversos matizes. O encanto pelas novas tecnologias sem ponderação e bom senso poderá ser o desastroso desencanto da essência da pessoa humana. As artimanhas escondidas nos argumentos dos defensores da propagada “inteligência artificial” são nocivas e perigosas, porque pretendem atrofiar a inteligência dos mais atentos e atirar para a sarjeta da sociedade os menos preparados para a consequente evolução tecnológica. Tratar a questão das oportunidades como um desafio é um sofisma a que temos que estar atentos, atendendo à leviandade com que se propagamas ideias abstractas dos seus mentores.


Devemos estar atentos para entender e desvendar as personagens sinistras que se escondem por detrás das máscaras que se movimento nas catacumbas dos poderes ocultos. Perante a avalanche de restrições à nossa liberdade de seres humanos com direitos, mais do que em outros tempos, precisamos de unir as nossas capacidades de resiliência para juntarmos as forças das pessoas comuns numa sagrada união de luta pela sobrevivência comum. Enquanto não perdermos as forças e os poucos elos que nos unem, precisamos de coragem e imaginação para enfrentar as forças do mal que nos atrofiam a condição de seres humanos com direito a sermos felizes.    


Temas actuais.


Valongo, Março de 2002


Joaquim Coelho


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