Embora acredite na regeneração da sociedade, os problemas não se resolvem com o tempo... mas sim com atitudes concretas! Deixo um texto que a imprensa não quis publicar, já lá vai um tempo...
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Para nosso mal pessoal e comunitário, a integridade física fica em perigo a partir do momento em que começamos por gostar mais daquilo que nos maltrata, destrói e mata! Enquanto não percebermos que estamos rodeados por uma corja de ladrões na actividade política, nos bancos e um bando de agiotas a gerirem a economia e a fazer as leis que nos regem, uma legião de pessoas com indícios de frustração e alguns mal formados a educar os jovens, uma cambada de oportunistas a gerir os organismos reguladores e fiscalizadores dos bens que consumimos; enquanto não forem devidamente castigados os perigosos delinquentes que nos põem em perigo todos os dias, bem como a cáfila de camelos a conduzir potentes automóveis e motos como armas mortíferas nas estradas, a liberdade de movimento está demasiado condicionada e é preciso muita sorte para não irmos parar ao cemitério.
Tudo isto me faz ver a sociedade em decadência e perigosa, onde a integridade dos cidadãos está à mercê dos vândalos. As pessoas já não têm vontade própria; vivem ao sabor da grande força da publicidade, ao arrepio dos códigos de conduta.
Os cidadãos não têm muito por onde escolher, perante a avalanche de produtos importados, de muito má qualidade; com a gravidade de serem alimentos perigosos para a saúde. Entramos nos hipermercados e temos a sensação de estarmos em países estrangeiros, tal é a quantidade de produtos importados, em prejuízo do produto nacional. Então para que serve a ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar)? Pela amostragem, percebemos que estamos entregues aos gananciosos que buscam o lucro a qualquer preço. A saúde dos pacatos cidadãos está constantemente em perigo, enquanto as autoridades reguladoras dormem à sombra das chorudas mordomias.
Antes de nos preocuparmos na competição do querer ter algo primeiro do que os outros, devíamos protestar contra a importação de produtos desnecessários, quando a produção nacional é posta de lado, com graves repercussões para a economia e o emprego. Mas há oportunidades e oportunistas; os bem instalados, e com amigos nos poderes públicos, com dinheiros próprios ou alheios, vivem espantosamente bem; enquanto os outros, desprotegidos, vão caindo, cada vez com mais estrondo nas sarjetas onde só conseguem vasculhar os caixotes do lixo. Chamam a isso o mundo da globalização, onde todos têm as mesmas oportunidades! Realmente, somos cada vez mais iguais em olhar o sol, mas cada vez mais diferentes nos acessos aos meios de trabalho e bem-estar. Se o povo tivesse mais condições de acesso à cultura com qualidade, saberia escolher e a sociedade não seria tão cruel e o poder tão iníquo. Mas onde está a dignidade humana?
O poder político vergou-se às imposições dos agiotas internacionais, com a perda de influência dos governos! Nada consegue suster o arrebatamento mercantil e a sua corrente económica que desgraça os mais débeis da sociedade, na sua marcha imparável e desumana. Vemos os alicerces a ruir no mundo em decadência; o futuro é uma incerteza e os sonhos deixaram de ser efémeros – são utópicos!
Destruído o círculo fraternal e da solidariedade, pouco restará da generosidade humana. Perdida a origem dos valores humanos e fraternais, nada mais perdura e tudo acabará no caos; até mesmo o mercantilismo venenoso tem agravado a derrocada dos valores regeneradores da sociedade civilizada. Pelo menos, tenhamos a coragem de escolher o produto nacional, de denunciar as irregularidades dos malfeitores e protestar contra as injustiças e todo o tipo de prepotências.
DIAS DE SOFRIMENTO
Tantas noites mal dormidas
por causas que me são alheias
tão graves como as feridas
que tolhem as minhas ideias.
Tantas crianças mal nutridas
tantos doentes maltratados
tantos homens sem trabalho
tantas dúvidas acumuladas
tantos dias de sofrimento.
Os injustiçados vão acordar
vão juntar forças e protestar
vão escorraçar todos os medos
não mais vão ficar quedos…
vão quebrar as últimas vidraças
que os separam da gamela
vão partir o cenário das praças
que envergonha a farpela
vão esbarrar a má governação
que nos empobrece a nação…
longe da vida sem adornos
vão pegar os bois pelos cornos.
Temos de reclamar da justiça
severa punição a quem atiça
fogos na floresta sem concerto,
e causa morte a quem é pobre…
aos que humilham por decreto,
nojo de escumalha que encobre
a ganância e a indignidade
que causam tanta infelicidade.
Sem raiva e sem desespero
vamos cultivar lisura e esmero…
vamos castigar os prevaricadores
(tantos ladrões entre doutores),
vamos lutar em campo aberto
contra os trapaceiros perversos,
antes que nos deixem no deserto
vou proclamar os meus versos.
Maia, Maio de 1994
Joaquim Coelho..

1 comentário:
Caro camarada: Sou um antigo combatente que prestou o serviço militar na Guiné nos anos de 1967/1969, acabo de ler alguns dos teus poemas e, desde já recebe os parabéns por tal, pois deliciei-me com eles. Espero que não tenhas rasgado como tu dizes esses versos, pois seria lesar um património que precisa de estar bem vivo.Um abraço
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