segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Os Combatentes não são Racistas

 Acusações infundadas e repugnantes


 Movimento Cívico deAntigos Combatentes


4 de Agosto 2018, às 12:14 · 


Amigos Combatentes, com a finalidade de refrear a onda de acusações e incitamento ao ódio lançada sobre os Combatentes do ultramar, entendemos divulgar o seguinte:


 

 Exmºs. Senhores Jornalistas,


 

A trágica morte do actor Bruno Candé por desavenças com um antigo Combatente levantou uma onda de indignação com sentido acusatório inqualificável, porque não se procurou saber dos antecedentes da vida e do comportamento social dos intervenientes nem do seu estado psíquico. É sabido que o stress é um estado de debilidade mental que nos combatentes, treinados para matar, pode desencadear acções de agressividade extrema; no caso presente, consta que o dito actor Candé se passeava com um cão que atiçava aos transeuntes, mais abusivamente contra o Combatente que o matou. Ora, através de um rastreio realizado entre 2006 e 2008, por cerca de 386 voluntários, foram encontrados mais de 110 mil antigos Combatentes com indícios de stress de guerra, num universo de mais de um milhão que andaram em ambiente de guerra nas antigas colónias. Nunca foram devidamente tratados nem apoiados para recuperarem dos seus traumas.


 

Por natureza da sua formação, os militares combatentes não são racistas e repudiam a instigação ao ódio e à violência, apesar de estarem bem preparados para usar armas. O exemplar relacionamento e fraternal convivência com as populações autóctones foi elogiado por muitos jornalistas e entidades estrangeiras que fizeram trabalhos e acompanharam as nossas tropas.


 

Esperamos que o texto anexo seja devidamente tido em consideração para amenizar os ânimos, esclarecer os ignorantes, esbater as ondas de histeria e prevenir confrontos indesejáveis numa sociedade que se quer pacífica.


 

Com os cordiais cumprimentos.


Joaquim Coelho


(coordenador e dirigente associativo de combatentes)


(membro de dois grupos de reflexão cívica e social)


 


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 OS COMBATENTES…RACISTAS?


 


O caso da morte do cidadão de origem da Guiné-Bissau, Bruno Candé Marque, por desentendimento com um cidadão português, antigo Combatente em Angola, tem sido pretexto para atacar a dignidade dos Antigos Combatentes, trazendo à baila a questão do racismo. O descarado e maldoso aproveitamento do caso para agravar o crime tem sido escandaloso. Pois, há testemunhos das más relações entre os dois, em parte, devidas às impertinentes investidas da cadela de Bruno Candé, na presença deste; por outro lado, a vida e o comportamento do actor tem diversas nuances que não abonam em seu favor e deita por terra a idolatria histérica que se tem propagado.


1 - Conheci o dito Combatente Evaristo (parece que é esse nome) numa esplanada junto ao Estádio da Luz, aquando de uma reunião com o Pára-quedistaJ osé Pacheco e mais dois antigos Combatentes, com vista à preparação de uma manifestação de Combatentes no Marquês de Pombal. Percebi que o sujeito era pouco falador e tinha tiques de sofrer de stress pós-traumático de guerra. Nunca mais o vi. Talvez estejamos perante um caso evitável, se o comportamentodo actor fosse comedido e o antigo Combatente não sofresse de stress de guerra; este, sentindo-se humilhado e ofendido, não se conteve e desferiu os disparos fatais.


 


2 - Quanto ao comportamento dos militares portugueses, não precisamos reclamar de tal rotolagem malévola, que mostra sintomas de má-fé e está bem patente nas publicações jornalisticas!


Para desfazer tal atuarda, temos muitos milhares de exemplos da boa convivência com povos de diversas etnias e raças. Por outro lado, as centenas de jornalistas estrangeiros, que visitaram as nossas colónias e acompanharam os militares portugueses nas suas missões de patrulhamento, reabastecimento, combates e assistência médica e social, foram os primeiros a mostrar ao mundo que nunca fomos racistas. Perante a natural harmonia entre as nossas comunidades: brancas, negras e mestiças, elogiaram o comportamento exemplar dos nossos militares nas suas relações de proximidade e ajuda às populações autóctones, mesmo em tempo de guerra. É esse modo de convivência pacífica, partilhada com os antepassados e pais dos que agora nos hostilizam e insultam, que as organizações fomentadoras do caos e da devassa dos nossos princípios e valores estão a denegrir.


3 - Ora, o que se tem propagandeado nas televisões e nos jornais não é mais do que a demonstração pura e dura do avanço das forças doutrinadas para o caos e emergentes contra toda a forma de organização social e política dos países mais desenvolvidos, especialmente contra as comunidades dos povos e culturas ocidentais.


Se não forem tomadas medidas concertadas contra o preconceito estigmatizado entre as populações não brancas, protagonizado pelos manipuladores e comentadores oficiais ao serviço das forças extremistas com nebulosos interesses no desmantelamento das sociedades organizadas e humanizadas, corremos o risco de ficarmos reféns da nossa apatia, perdendo os valores culturais e a própria identidade, além da perda da história duma nação milenar.


4 - As forças antagónicas que nos estão a manietar os movimentos dentro das nossas fronteiras, também pretendem destruir os nossos costumes, as nossas tradições, os nossos conceitos de família e de nação. Destruindo e amarrotando a nossa história, estão a desvalorizar e a inverter os valores dos nossos feitos gloriosos, das nossas descobertas prodigiosas que levaram cultura, religião e inovação a outros povos espalhados pelos quatro cantos do mundo. Estamos em crer que a tormenta vai ser dolorosa, caso não tomemos as devidas cautelas, providenciando meios para acabar com a devassa dos nossos costumes e valores, afrontando, sem medo e com determinação, as forças e as organizações extremistas que estão por detrás da evolução de pseudo-manifestações contra o racismo, cujas caracteríscas e propósitos evidenciam acabar com a liberdade dos cidadãos nacionais, coartando o seu direito de movimentos em todo o território da própria Pátria. Depois de usurparem os direitos da nacionalidade de uma nação com meritória história milenar e socializante, não têm pejo em se insurgirem contra os valores da sociedade civilizada e contra as regras estabelecidas, insultando e maltratando os que lhes deram guarida e alimentam.


 


5 - Além do espanto e da tristeza, incomoda-nos a arrogância dos participantes nas manifestações, especialmente os “lusitanos” rapazes e meninas, bem vistosas, vociferando palavras de ódio e de vingança, gravemente ofensivas da dignidade dos seus concidadãos e antepassados, misturados numa caldeirada de marionetes ornamentadas com aberrantes trajes e piercings que donotam personagens indisponíveis para trabalhar e contribuir para o seu próprio sustento. Grande parte destes ociosos, além de sugarem e delapidarem os recursos das prestações sociais, recusam adaptar-se aos costumes e às regras do país que lhes dá acolhimnetro, tentando impor os hábitos das suas origens e regras das religiões e filosofias que lhes dão jeito. E se não fizermos uma séria e oportuna reflexão para nos impormos contra tais propósitos nocivos ao nosso modo de vida em sociedade saudável, perderemos a condição de Combatentes patriotas e não nos livramos da maldosa rotulagem de “peste grizalha”.


 


6 - Pois, esta questão das populações não europeias ou lusitanas é muito mais séria do que as manifestações de ódio e de ameaças à nossa identidade de nação milenar e, até, à nossa integridade física; os preconceitos são de tal modo visíveis nas suas palavras e manifestações que denotam um feroz desprezo por aqueles que trabalham e sustentam a Segurança Social que alimenta essa cambada de ociosos, malfeitores, racistas e indigentes, que certas organizações mundiais e locais apoiam e manipulam.


 


Grupo de Patriotas e Combatentes por Portugal, com Joaquim Coelho


 Seguem Anexos de amostragem do “racismo” nos tempos das guerrasultramarinas.


 



 


 



 



 



 



 



 


  


 

A Pandemia anula a Constituição?

 Cortesia do autor:


PUBLICAÇÃO MARCADA


Ricardo Graça - Advogado


 


Muitas vezes, perguntam-me se é legal  terem que usar máscara. Existirem horários de fecho dos estabelecimentos comerciais, de venda de bebidas e demais medidas que têm sido utilizadas pelo Governo e DGS em catapulta e sem qualquer nexo.


 


Temos que começar por distinguir dois momentos, o do Estado de Emergência e o de Calamidade pandémica.


 


A obrigatoriedade do uso de máscara, remonta ao Estado de Emergência, a um DL de Março de 2020, que foi alterado várias vezes, sendo a última alteração dada pelo Decreto-Lei n.º 39-A/2020 de 2020-07-16, em vigor a partir de 2020-07-17.


 


Portanto, o célebre artigo 13ºB do Decreto-Lei n.º 10-A/2020 de 2020-03-13, que versa sobre o uso de máscaras e viseiras, foi "repescado" do Estado de Emergência para os meses seguintes ao fim do Estado de Emergência que o Estado classifica como Estado de Calamidade pandémica.


 


Ora, se durante o estado de emergencia ALGUNS direitos fundamentais podiam ser restringidos, no tal Estado de Calamidade Pandémia NENHUM PODE SER. Nesse sentido teremos que citar a Constituição da Republica Portuguesa, nomeadamente o importantissimo artigo 19º que no nº 1 estatui que " Os órgãos de soberania não podem, conjunta ou separadamente, suspender o exercício dos direitos, liberdades e garantias, salvo em caso de estado de sítio ou de estado de emergência, declarados na forma prevista na Constituição."; e o nº 2 obriga a: "O estado de sítio ou o estado de emergência só podem ser declarados, no todo ou em parte do território nacional, nos casos de agressão efectiva ou iminente por forças estrangeiras, de grave ameaça ou perturbação da ordem constitucional democrática ou de calamidade pública." Por sua vez, o nº 3 do mesmo artigo concretiza que "O estado de emergência é declarado quando os pressupostos referidos no número anterior se revistam de menor gravidade e apenas pode determinar a suspensão de alguns dos direitos, liberdades e garantias susceptíveis de serem suspensos." E o nº 4 consagra que "A opção pelo estado de sítio ou pelo estado de emergência, bem como as respectivas declaração e execução, devem respeitar o princípio da proporcionalidade e limitar-se, nomeadamente quanto à sua extensão e duração e aos meios  utilizados, ao estritamente necessário ao pronto restabelecimento da normalidade constitucional.


 


Mas este importante artigo da C.R.P. não se fica por aqui, esclarece no nº 5 que: "A declaração do estado de sítio ou do estado de emergência é adequadamente fundamentada e contém a especificação dos direitos, liberdades e garantias cujo exercício fica suspenso...." Por último note-se que o nº 6 obriga a que "A declaração do estado de sítio ou do estado de emergência em nenhum caso pode afectar os direitos à vida, à integridade pessoal, à identidade pessoal, à capacidade civil e à cidadania, a não retroactividade da lei criminal, o direito de defesa dos arguidos e a liberdade de consciência e de religião."


 


Então, facilmente concluimos que o Estado de Emergência, violou e reiteradamente TODOS os números deste artigo da C.R.P.


 


Aliás, nem sequer existiam casos de Covid 19 em Portugal (a ambiguidade e falta de credibilidade dos testes que perdura até hoje, tal como a falta de isolamento do virus à data da declaração do Estado de Emergência, não permite juridicamente, a associação factual segura, que os números de eventuais infectados seriam, realmente de Covid-19) quando foi declarado o Estado de Emergência, logo nem sequer podia ter sido declarado. Mas se fosse, teria que se cumprir todos os numeros que citei, e ABSOLUTAMENTE NENHUM FOI CUMPRIDO.


 


Logo, dúvidas não existem, a meu ver, que o Estado desde o primeiro anúncio do Estado de Emergência violou este artigo em vários numeros e, logo também, os respectivos Direitos Fundamentais Constitucionais e até os Direitos do Homem na Carta Europeia.


 


Durante o Estado de Calamidade, então, a situação é por demais escandalosa, dado que só poderiam existir recomendações. Apesar disso este Governo continua a legislar a seu belo prazer sobre tudo e a aplicar coimas ilegais. Como também, a provocar problemas vários nas forças de segurança, que poderão ser alvo de procedimentos disciplinares dos cidadãos mais bem informados juridicamente. As forças de segurança não podem apenas obdecer, mas sim verificar a legalidade dos diplomas, porque de forma alguma podem emitir coimas baseadas em legislação inconstitucional ou contra direitos humanos, ou seja coimas ilegais.


 


Outra questão se coloca prontamente, como podem os cidadãos reagirem às coimas e a outros procedimentos ilegais e empleno erro legislativo do Governo?


 


Através de contestações às coimasi nvocando o que mencionei nesta publicação e outras que, se aconselha a consulta de um advogado de Direito Administrativo, Constitucional e Europeu.


 


Mas sem prejuizo do que ficou dito anteriormente, é notória a inconstitcionalidade e erro legislativo de quase todos os diplomas pós Covid emitidos pelo Governo e Assembleia da Republica.Tal situação permite, aos cidadãos intentarem acções de indeminização contra o Estado. Dentro deste quadro assume particular relevo o periodo de confinamentoe o impedimento dos cidadãos trabalharem, nomedamente nos horários de alguns estabelecimentos comerciais e no encerramento de outros.


 


Relembrando por último, que mesmo ao dia de hoje os mortos de Covid e com Covid, são um numero completamente absurdo e comparável às mortes por gripe ocorridas todos os invernos, que por algum acaso ou não, desapareceram da página da DGS.


 


Em jeito de conclusão, aconselha-se os cidadãos a recorrerem aos meios judiciais nacionais e internacionais para serem ressarcidos pelo Estado, dos graves prejuizos e destruição da vida económica e até familiar, liberdade e inúmeros direitos que mais abaixo enumero. Que sublinho mais uma vez, não podia dar origem a declarações de Estado de Emergência, confinamentos, e QUALQUER redução dos Direitos Humanos depois do fim do Estado de Emergência.


 


Para compreenderem melhor, deixoalguns dos direitos fundamentais e humanos e artigos da C.R.P. violados que, ameu ver, foram e são violados diariamente por legislações ilegais e aberrantespara o Estado de Direito e Democracia:


 


a) Artigo 3.º - (Soberania elegalidade)


 


1. A soberania, una e indivisível,reside no povo, que a exerce segundo as formas previstas na Constituição.


 


2. O Estado subordina-se àConstituição e funda-se na legalidade democrática.


 


3. A validade das leis e dos demaisactos do Estado, das regiões autónomas, do poder local e de quaisquer outrasentidades públicas depende da sua conformidade com a Constituição.


 


b) Artigo 27.º - (Direito à liberdadee à segurança)


 


1. Todos têm direito à liberdade e àsegurança.


 


2. Ninguém pode ser total ouparcialmente privado da liberdade, a não ser em consequência de sentençajudicial condenatória pela prática de acto punido por lei com pena de prisão oude aplicação judicial de medida de segurança.


 


5. A privação da liberdade contra odisposto na Constituição e na lei constitui o Estado no dever de indemnizar olesado nos termos que a lei estabelecer.


 


c) Artigo 38.º - (Liberdade de imprensa e meios de comunicação social)


 


4. O Estado assegura a liberdade e aindependência dos órgãos de comunicação social perante o poder político e opoder económico, impondo o princípio da especialidade das empresas titulares deórgãos de informação geral, tratando-as e apoiando-as de forma nãodiscriminatória e impedindo a sua concentração, designadamente através departicipações múltiplas ou cruzadas.


 


d) ARTIGO 41.º - (Liberdade deconsciência, de religião e de culto)


 


1. A liberdade de consciência, dereligião e de culto é inviolável.


 


2. Ninguém pode ser perseguido,privado de direitos ou isento de obrigações ou deveres cívicos por causa dassuas convicções ou prática religiosa.


 


e) Artigo 43.º - (Liberdade deaprender e ensinar)


 


1. É garantida a liberdade deaprender e ensinar.


 


f) ARTIGO 44.º - (Direito dedeslocação e de emigração)


 


1. A todos os cidadãos é garantido odireito de se deslocarem e fixarem livremente em qualquer parte do territórionacional.


 


g)  ARTIGO 45.º - (Direito de reunião e de manifestação)


 


1. Os cidadãos têm o direito de sereunir, pacificamente e sem armas, mesmo em lugares abertos ao público, semnecessidade de qualquer autorização.


 


h) Artigo 58.º - (Direito aotrabalho)


 


1. Todos têm direito ao trabalho.


 


i) Artigo 63.º - (Segurança social esolidariedade)


 


1. Todos têm direito à segurançasocial.


 


2. Incumbe ao Estado organizar,coordenar e subsidiar um sistema de segurança social unificado edescentralizado, com a participação das associações sindicais, de outrasorganizações representativas dos trabalhadores e de associações representativasdos demais beneficiários.


 


3. O sistema de segurança socialprotege os cidadãos na doença, velhice, invalidez, viuvez e orfandade, bem comono desemprego e em todas as outras situações de falta ou diminuição de meios desubsistência ou de capacidade para o trabalho.


 


j) Artigo 64.º - (Saúde)


 


1. Todos têm direito à protecção dasaúde e o dever de a defender e promover.


 


2. O direito à protecção da saúde érealizado:


 


a) Através de um serviço nacional desaúde universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais doscidadãos, tendencialmente gratuito;


 


3. Para assegurar o direito àprotecção da saúde, incumbe prioritariamente ao Estado:


 


a) Garantir o acesso de todos oscidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicinapreventiva, curativa e de reabilitação;


 


b) Garantir uma racional e eficientecobertura de todo o país em recursos humanos e unidades de saúde;


 


l) Artigo 66.º - (Ambiente equalidade de vida)


 


1. Todos têm direito a um ambiente devida humano, sadio e ecologicamente equilibrado e o dever de o defender.


 


m) Artigo 86.º - (Empresas privadas)


 


1. O Estado incentiva a actividadeempresarial, em particular das pequenas e médias empresas, e fiscaliza ocumprimento das respectivas obrigações legais, em especial por parte dasempresas que prossigam actividades de interesse económico geral.


 


n) Artigo 204.º - (Apreciação dainconstitucionalidade)


 


Nos feitos submetidos a julgamentonão podem os tribunais aplicar normas que infrinjam o disposto na Constituiçãoou os princípios nela consignados.


 


o) Artigo 266.º - (Princípiosfundamentais)


 


1. A Administração Pública visa aprossecução do interesse público, no respeito pelos direitos e interesseslegalmente protegidos dos cidadãos.


 


2. Os órgãos e agentesadministrativos estão subordinados à Constituição e à lei e devem actuar, noexercício das suas funções, com respeito pelos princípios da igualdade, daproporcionalidade, da justiça, da imparcialidade e da boa-fé.


 


p) ARTIGO 272.º - (Polícia)


 


1. A polícia tem por funções defendera legalidade democrática e garantir a segurança interna e os direitos doscidadãos.


 


2. As medidas de polícia são asprevistas na lei, não devendo ser utilizadas para além do estritamentenecessário.


 


3. A prevenção dos crimes, incluindoa dos crimes contra a segurança do Estado, só pode fazer-se com observância dasregras gerais sobre polícia e com respeito pelos direitos, liberdades egarantias dos cidadãos.


 


q) Artigo 277.º - (Inconstitucionalidadepor acção)


 


1. São inconstitucionais as normasque infrinjam o disposto na Constituição ou os princípios nela consignados.


 


DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOSHUMANOS


 


a) Artigo 2.º Todos os seres humanos podem invocar os direitos e asliberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma,nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opiniãopolítica ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento oude qualquer outra situação. Além disso, não será feita nenhuma distinçãofundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do territórioda naturalidade da pessoa, seja esse país ou território independente, sobtutela, autónomo ou sujeito a alguma limitação de soberania.


 


b) Artigo 3.ºTodo o indivíduo temdireito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.


 


c) Artigo 5.º Ninguém será submetidoa tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.


 


d) Artigo 7.º Todos são iguaisperante a lei e, sem distinção, têm direito a igual protecção da lei. Todos têmdireito a protecção igual contra qualquer discriminação que viole a presenteDeclaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.


 


e) Artigo 13.º Toda a pessoa tem odireito de livremente circular...


 


f) Artigo 18.º Toda a pessoa temdireito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direitoimplica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como aliberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto empúblico como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos.


 


g) Artigo 22.º Toda a pessoa, comomembro da sociedade, tem direito à segurança social; e pode legitimamenteexigir a satisfação dos direitos económicos, sociais e culturaisindispensáveis, graças ao esforço nacional e à cooperação internacional, deharmonia com a organização e os recursos de cada país.


 


h) Toda a pessoa tem direito aotrabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e satisfatóriasde trabalho e à protecção contra o desemprego.


 


i) Artigo 24.º Toda a pessoa temdireito ao repouso e aos lazeres...


 


j) Artigo 25.º Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente paralhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto àalimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quantoaos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, nadoença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meiosde subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade.


 


l) Artigo 27.º Toda a pessoa tem odireito de tomar parte livremente na vida cultural da comunidade, de fruir asartes e de participar no progresso científico e nos benefícios que desteresultam.


 


m) Artigo 30.º Nenhuma disposição dapresente Declaração pode ser interpretada de maneira a envolver para qualquerEstado, agrupamento ou indivíduo o direito de se entregar a alguma actividadeou de praticar algum acto destinado a destruir os direitos e liberdades aquienunciados.


 


14-08-2020


 


Ricardo Graça


Pandemia sem Direitos

 


 


Joaquim Coelho no Facebook


5 de agosto 2020, às 18:53 · 


 


Caros Amigos, à sombra da pandemia em declíneo, estamos a ser esbulhados dos nossos direitos básicos. Não há consultas médicas nos Centros de Saúde... não há atendimento nos balcões da Segurança Social nem nas Finanças (telefone e marque... mas ninguém atende)... não há informações nas Lojas do Cidadão! Masque é isto? Até onde nos querem reféns do Covid-19, quando já morreram mais de12 mil pessoas por falta de tratamento e cirurgias urgentes. Amigos nos Hospitais dizem que nunca houve tantas camas vagas... reservadas para doentes COVID, em que mais de 80% diagnosticados vão para casa e são quase abandonados à sua sorte! Estamos perante um criminoso atendado aos nossos direitos constitucionais! Serviço de Saúde em perda de qualidade.


Lamentavelmente, dezenas de Amigos e familiares me pedem para enviar mails aos "médicos de família" e "centros de saúde" para enviarem o receituário por mensagem, para doenças que não são controladas há mais de oito meses, porque não são consultados pelos respectivos médicos... onde está o brio e o sentido de responsabilidade destes médicos? Será isto sensato e compatível com o Serviço Nacional de Saúde?


 


https://www.facebook.com/410493056021970/videos/214556349962316


 


  


 

  

 

 


 


segunda-feira, 27 de abril de 2020

Tempo de Liberdade

Só entende o valor da Liberdade, 

quem algum dia sofreu injusta clausura...

 

 


 

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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Porque fomos à guerra?

 


O Despertar dos Combatentes


– em Tempo de guerra


     Nestes tempos sombrios da actualidade portuguesa, é nosso dever realçar os feitos extraordinários dos antepassados, que nos podem reanimar a esperança de lutarmos com convicção para melhorarmos o rumo da nossa vida colectiva, dentro duma nação com história e valores de dimensão mundial.


     Os Combatentes, portugueses nas guerras ultramarinas, foram os continuadores das memoráveis descobertas e souberam partilhar muito das suas vivências com as populações das terras para onde foram destacados. Mas a guerra é sempre incómoda e destrutiva; razão porque é natural que nenhum ser humano deseje a guerra.


     As lembranças da guerra fazem parte de nós… são o espólio que não conseguimos entregar no quartel aquando da desmobilização; fazem parte do nosso espólio de combatentes participantes numa guerra estranha e mal compreendida! Na embriagues do destino, fomos atirados para a guerra e confrontados com situações de espantar! Uns mais que outros, todos sentiram a mordedura da guerra nas suas vidas, tanto nos acampamentos e destacamentos espalhados entre as savanas e matas, ou nos aquartelamentos das vilas ou aldeamentos mais protegidos.


     Quantas vezes as deslocações se tornavam num inferno, tal a intensidade de fogo inimigo ou a potência das minas e dos fornilhos enterrados nas picadas. As morteiradas sobre os aquartelamentos eram um fadário angustiante, com as vidas pendentes enquanto não cessassem os vómitos das bocas-de-fogo e o zumbido da metralha nos ouvidos. Quando as camaratas eram atingidas e as camas desfeitas, os destroços de nada valem; tínhamos que fazer tudo de novo. As memórias da guerra são arrepiantes para muitos dos intervenientes directos.


     Os danos da guerra são dolorosos e deixam feridas difíceis de curar. Além da destruição dos bens, perdem-se amizades e as relações entre seres humanos não valorizam a vida e a sua essência. É contra todas essas perdas que procuro reagir dando valor à riqueza que nos resta - fortes laços de amizade e camaradagem, porque, entre os intervenientes nas guerras, esses valores foram a trave mestra a segurar a frágil condição humana de muitos combatentes, nos primeiros tempos de missão. Alguns perderam a bússola das suas vidas, numa agitação anormal da consciência e das emoções; não fora a mística do companheirismo, a desgraça dos traumatizados teria atingido uma dimensão muito mais grave e penosa para a sociedade portuguesa.


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       Os jovens que um dia partiram das suas terras, arrancados do seio das suas famílias, foram desembarcados nos confins das terras de África, onde sobreviveram às angústias e aos perigos da guerra, também saberão responder adequadamente aos governantes que os desprezam como gente reles da sociedade. Saberão honrar as memórias de todos os que morreram ao serviço da Pátria, porque são os guardiões dos nobres valores da Nação civilizada e porque juraram defender a bandeira de Portugal contra os traidores que a amarrotam e envergonham; a força da ética e da moral militares são válidas em todos os escalões da sociedade, tanto na formação dos cidadãos como na aplicação da justiça. Pena é que muitos façam por ignorar tal factor de estabilidade social e equilíbrio emocional.


     Ninguém se esqueça que os combatentes foram empurrados para a guerra em circunstâncias adversas aos seus interesses, com fundamento na preservação do território português, tão propagado pela comunicação social e nos discursos oficiais. As características do povo português têm pouco de guerreiros mas muito de inocência ou moralismo ancestral, porque sempre fomos um povo mal compreendido pelos governantes com o complexo de superioridade justificado no compromisso mais absurdo da condição humana. A pregação dos superiores hierárquicos nunca foi capaz de justificar as razões da guerra nas terras ultramarinas, gratificante para alguns que colheram bons proventos, mas desgastante e dolorosa para a generalidade dos combatentes. Por razões de conveniência partidária, política e interesses militares, o abandono das terras ultramarinas criou graves prejuízos a muitos milhares de cidadãos que lá viviam, sendo a culpa da descolonização atirada para cima dos combatentes desmobilizados e abandonados à sua sorte. Por isso, aqueles que conseguiram integrar-se na sociedade, trabalhar e participar no desenvolvimento do país, tiveram o mérito de galgar as dificuldades e viver; já o mesmo não aconteceu com os que nunca conseguiram limpar da sua mente os traumas dos momentos difíceis, os quais continuam a carregar dentro de si as imagens terríveis dos mortos e esfacelados caídos a seu lado. Todos merecem respeito e reconhecimento, mas estes merecem, também, solidariedade pública.


     Freud soube definir as premissas que podem levar “os heróis ao espírito de luta” como justificativo da defesa duma comunidade que conduza ao conflito com significado moralista ou de defesa; daí se possa concluir que ninguém vai à guerra para ser herói, porque o sacrifício da própria vida não o justifica, especialmente quando os governantes desprezam a elite de homens que revelaram um estado de espírito altruísta e abnegado em circunstâncias severamente adversas na defesa das causas da Pátria. Embora não fossem bem compreendidos na sua missão, não desertaram… e cumpriram o sagrado dever que a Pátria lhes impôs, transmitindo à sociedade os valores duma elite moral e cívica que é cada vez mais rara entre a juventude.


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     O CONVÍVIO com os camaradas dos tempos da guerra é a melhor terapia para acalmar o corpo e reanimar a alma. Confraternizar em ambiente animado pela vivência dos tempos difíceis é um bálsamo que a todos deve interessar.


Muitos fecharam-se no silêncio dos seus traumas, mesmo quando os filhos perguntam porque se escondem as verdades do tempo dos embarques sem retorno, da guerra sem fim à vista. Ainda jovens, não conseguiam entender a dimensão da sua desgraça. A memória parece que hibernou nas catacumbas do sofrimento, enquanto o corpo sobrevive ao trauma das angústias incrustadas nas emoções oprimidas.


É tempo de acabar com o silêncio e correr com os fantasmas que os medos não conseguiram expulsar; os soldados atirados para as longínquas savanas e brenhosas matas africanas foram os homens mais válidos da Pátria, no contexto da engrenagem dos interesses económicos e estratégico-políticos dos anos sessenta.


Com o despertar dos Combatentes para a realidade dos valores do seu tempo, talvez ainda tenham tempo de viver sem o “nevoeiro” que lhes tolhe a alma e amofina o corpo, entrando assim numa espécie de terapia colectiva. Os convívios são uma prova irrefutável do novo pulsar da alma dos Combatentes!


Antes que os Combatentes percam a dignidade de estarem vivos, é preciso restaurar a memória sem ressentimentos do tempo que não podemos redimir; resistir à desmemória que nos tentam infligir por causa da descolonização atabalhoada é outra blasfémia lançada sobre os Combatentes.


Se alguém ficou a perder, foram os filhos da Nação que embarcaram nos porões dos navios e viveram com os ratos até ao desembarque em terras distantes! As queixas dos demais devem dirigir-se noutras direcções e nunca contra os nossos soldados. Com os contornos bem aclarados, só gente de má fé poderá duvidar do patriotismo dos combatentes do ultramar.


     É por tais razões que os combatentes são merecedores do respeito e do reconhecimento da Nação, especialmente dos organismos oficiais que devem proporcionar condições de vida tranquila, criando centros de apoio social, psíquico e psicológico para reparar as feridas invisíveis mas que podem ser detectadas em muitos dos intervenientes na guerra. O reconhecimento passa também pelos apoios sócio-económicos para os que não conseguiram integrar-se na vida profissional activa devido às mazelas resultantes da permanência em ambiente de guerra, que, objectivamente, causou estragos irreversíveis no miocárdio e no cérebro, levando ao desgaste prematuro destes órgãos, bem como à perda de proventos adequados à sua vida normal.


     Finalmente, para os que assumiram o compromisso da defesa das causas da pátria, o reconhecimento dos esforços dos combatentes pode ser gratificante, em vez da repulsa e do negativo sentimento de abandono, prejudicial ao espírito de unidade nacional que se pode reflectir na sociedade civil e nas novas gerações.


     Quando já ecoam os gritos dos que resistiram ao desgaste prematuro das suas vidas, é tempo dos governantes mostrarem algum apreço por esses homens, antes que a morte os sossegue irremediavelmente. Ainda há tempo para restaurar algumas vidas com dignidade. 


     Vamos em frente… marche!


10 de Junho de 2016


Joaquim Coelho


– Combatente em Angola, por devoção; em Moçambique por imposição!

Conceito de Poesia

 


À Assistente Doutora Luciana Silva,

 

Directora da Comissão para  a “Antologia de Poesia da Guerra Colonial”.

 

 

Porque escrevo para descrever alguns estados de Alma?

 

Quando acompanhava o poeta Pedro Homem de Melo, na apreciação dos Ranchos Folclóricos que deveriam ser escolhidos para exibição na Televisão, deambulei por diversas terras do interior do Minho e das Beiras, onde fui sensibilizado para escrever algo em forma de poema. As paisagens e o ambiente rural desenvolveram em mim a mística da simplicidade dos camponeses e comecei a escrever versos para os Ranchos Folclóricos. O Professor Pedro Homem de Melo ficava horas e horas sentado à beira dos riachos a meditar; de quando em vez, também escrevia. Foi um tempo de grande aprendizagem, até porque este homem de Afife também foi meu professor.

 

Os primeiros poemas foram publicados na revista INICIAL do Colégio João de Deus, do Porto, e depois na revista “Notícia” de Angola e com crítica bastante favorável. Outros foram publicados em Moçambique “Jornal da Beira”, “Diário de Moçambique”, onde tive problemas com a Censura; também publiquei no boletim militar “Boina Verde” e jornais portugueses.  

 

Conhecia o poeta Egito Gonçalves de quando frequentámos o Teatro Experimental do Porto, no tempo em que era dirigido pelo grande António Pedro, entre 1957-60. Tempos depois de regressar da tropa (1969), falei-lhe nos poemas do diária de guerra e logo ele se prestou a colaborar na preparação de um livro com a finalidade de concorrer ao concurso da Editorial Inova. Decorria o ano de 1972. Escolhidos os poemas, organizou-se o livro que foi levado a concurso. Eram 168 poemas, quase todos sobre o tempo da guerra do ultramar e fui premiado com  direito a publicação do livro. Dias após da decisão do Júri, soube que a Comissão de Censura interferiu e a PIDE apreendeu o molho dos meus poemas. Nunca mais soube deles, porque ninguém arriscava dar-me informações. Fui aconselhado a ficar quieto. Até o “Prefácio” que abria o livro “Tempo Presente, poemas da guerra e da paz” foi confiscado. Junto fotocópia da capa e o texto do Prefácio.

Veio a revolução do 25 de Abril; tudo começou a mexer nos textos apreendidos. Também fui à procura, tendo encontrado 21 dos 168 poemas. Ao tempo não havia condições de fotocopiar e parte dos rascunhos estavam destruídos. Desanimei na divulgação, mas fui passando a limpo os rascunhos do diário que escrevi nas horas difíceis da vida em tempo de guerra. Ainda não está tudo pronto, mas deu para organizar cinco livros de poemas e três de texto narrativo do ambiente no meio da guerra. Poemas, são cerca de 430 de Moçambique, mais de 340 de Angola e mais de 840 de Portugal.

Foram escritos por impulso e sem respeitar qualquer regra literária. São a expressão dos estados de alma nos momentos mais delicados das minhas vivências temporais. Há de tudo um pouco, desde ideias filosóficas, deslumbramento de amores, angústias e incertezas no meio da guerra e intervenção social. Quanto a publicação dos livros, as editoras têm pouco interesse em o fazer às suas custas. Mas tive duas que o fizeram com sucesso, tendo ganho um prémio da Academia francesa, com o “Despertar dos Combatentes”.

Atendendo a que a guerra colonial me marcou para o resto da vida, tenho procurado mostrar que houve uma guerra que mexeu com a vida de mais de quatro milhões de bons portugueses (entre militares e respectivas famílias), matou cerca de dez mil, estropiou mais de trinta mil e traumatizou mais de duzentos mil. Enfim, aniquilou os sonhos de muitos homens duma geração. Coisa que tem sido escamoteada e desvirtuada pelos governantes e pelos decisores da sociedade, inclusive, pelos “senhores coronéis e generais” que ao tempo comandavam as tropas. 

Grande parte dos escritos conhecidos sobre a guerra colonial são de gente que não teve intervenção directa e, como tal, não sofreu na pele os efeitos da guerra. Em alguns casos, de Manuel Alegre e António Lobo Antunes, aparecem afirmações que são autênticos insultos aos verdadeiros Combatentes. Os antigos combatentes estão indignados com as mentiras e o modo redutor e infiel como são tratados. Até a RTP, no seu programa “A Guerra”, deu mais tempo de antena aos comandantes (muitos deles responsáveis por terem ficado abandonados mais de três mil mortos nas terras africanas) e aos mentores das chacinas que atingiram muitos civis portugueses, especialmente em Angola, não dando palavra àqueles que participaram nas mais complicadas operações de guerra. No meu caso, disponibilizei mais de três mil fotografias e prestei depoimento gravado durante 35 minutos e só apresentaram 50 segundos numa questão de reduzido interesse factual. Mas, alguns dos representantes da UPA-FNLA que aparecem na Televisão são bem conhecidos na arte de mandar massacrar inocentes indefesos no Norte de Angola; deviam ter sido julgados por genocídio e crimes de guerra. 

Ora, como podem entender, não acredito que a recolha de temas sobre a “Poesia da Guerra Colonial” venha a interessar aos combatentes, já que tudo quanto se fez até ao presente foi para servir de amostragem e deleite duma pseudo-elite intelectual que nada tem feito em prol das necessidades dos combatentes traumatizados pelas vivências no meio da guerra. Mesmo assim, estou disponível para colaborar, desde que a Antologia de Poesia da Guerra Colonial seja um instrumento de divulgação em homenagem aos antigos combatentes.




 

Valongo, Março de 2010

 

Joaquim Coelho

 


 


 

 



 

 

domingo, 31 de dezembro de 2017

Memórias dos Tempos Ultramarinos



OS MEUS RECADOS em memória

 

Com o passar dos anos, sinto vontade de desafiar as confrangedoras regras do mundo.

Num mundo dominado pela exclusão dos bons princípios e dos valores universais, é conveniente procurar outras formas de viver em conformidade com a nossa consciência, preservando o que de melhor nos convém. Os desafios são imensos mas vale a pena.

Quando vem à memória a trágica condição da guerra, as lembranças estão vivas e as imagens são reais. Naqueles tempos de Angola e Moçambique, encontrei muitos homens bons, com desempenho e sentimento, com os quais convivi agradavelmente, sempre com elevado sentido de camaradagem e companheirismo, bem integrados nas acções operacionais; alguns, até, choraram comigo os momentos de angústia na espera dos helis de evacuação que chegaram tarde demais!

Também encontrei algumas mulheres… sensuais e atrevidas, que me animaram nos dias de tédio e fazem parte do meu percurso de vida com sonhos de liberdade, entre amor e aventura. Delas ficaram apenas os momentos de desprendimento nas coisas boas da vida. Muitas verdades escondidas por transgredirem os costumes coloniais, por estarmos em tempo de guerra e podermos ser traídos pelos sabores do prazer nas camas clandestinas.

Daqueles tempos com largos horizontes e incertezas do futuro, c om muita energia e desejo de aventura, restam as boas recordações, muitas lágrimas e suor, muitas vidas destroçadas, muitos cadáveres por resgatar, muitas lutas e a embriaguez do cumprimento do dever. Ajudei a colmatar insuficiências logísticas, a sarar muitas feridas emocionais, confortei muitos camaradas de armas, promovi aulas de formação académica, ajustei as ilusões à realidade dos mais eufóricos; tive prazenteiros amores, a servir de musas ardentes a espevitar a inspiração na criatividade poética; escrevi páginas de diários onde descarreguei as minhas dores, em forma de desabafo tenso.

De todos os meus tempos da guerra, tenho mais saudades dos momentos de Luanda e dos afagos das namoradas que comigo deambularam em círculos visionários de gozo. De tudo isso ficaram os meus versos que agora são publicados em livros. Este livro que vos deixo como recado para bem viverem as vossas vidas, com sabedoria e satisfação.

 


Março de 2006


                    JoaquimCoelho  







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Musas do meu Imaginário


 ENCRUZILHADAS DA VIDA


 

Quando o desejo é uma caricatura da ilusão que reforça a identidade que procuro na natureza humana, fico com a sensação de que estou a resvalar para uma relação mais contemplativa do que fundida nas feições duma mulher.

A mulher é mais do que um corpo feminino, é uma inspiradora de sentimentos e afectos que gosto de compartilhar. Às vezes procuro encontrar-te neste universo apaixonante dos sentidos e vejo uma ilha que qualquer vendaval pode destruir. Ao tentar descobrir o que te vai na alma, mesmo com o auxílio da imaginação, percebo que te debates contra a sociedade e a desumanidade das pessoas que se tornaram egoístas. Das palavras, dos olhares, dos gestos e dos sentimentos transmites um pesado sentimento de revolta por te sentires injustiçada. Ao tentares descobrir as causas, sentes-te oprimida e desiludida por não te reconhecerem e pagarem o mérito do teu trabalho, por teres que gerir a vida familiar com escassos recursos, por te limitarem nas relações amorosas, onde o ritual de aproximação e usufruto das carícias ternurentas de alguém pode ser um jogo de incertezas e de angústias.

A questão do amor é mais complexa do que pode parecer; é através do sentido de amar que descobrimos o nosso eu mais profundo, como quem embarca numa viagem nos labirintos da vida que nos conforta na descoberta dos outros que nos são afins. Mas a multiplicidade de sentimentos cruzados pode criar um ambiente de alucinação que nos comove e emociona até perdermos o sentido da realidade. Então, podemos ser enganados pela ilusão incutida pelos manipuladores da verdade e dos sentidos que nos deixam incapazes de perceber o mundo de aparências fantásticas que nos atrofiam a vontade e o discernimento para entender os enredos que nos vão manietando caprichosamente.

Nas relações entre homem e mulher, há cada vez mais malabarismos flutuantes que ambos podem usar para criar a ilusão do mundo fantástico. Quem alimentar esses desvios da natural convivência humana, está a contribuir para a destruição dos valores que frutificam no espaço do amor. Os desencontros são cada vez mais dramáticos e arrasadores para os seres mais débeis, deixando um rasto de sofrimento e desespero difícil de consertar. Perdida a liberdade de discernimento pela razão, os pesadelos podem ficar encrostados na nossa mente e condicionar as tentativas de retorno ao mundo real que nos rodeia.

Por natureza, preciso de conviver com as mulheres! Nos últimos tempos, comportamentos adversos ao meu modo de viver excluíram-me da convivência salutar onde a mulher desempenha importante papel na partilha e na cumplicidade dos momentos eróticos. Faz parte da natureza humana, sendo até um complemento primordial para o equilíbrio emocional e hormonal, a troca de carícias e o entrelaçar dos corpos nos actos de amor.

A mulher é uma espécie de monumento sagrado, pouco acessível, que muitos homens não compreendem o que têm dentro nem sabem esculpir nela a imagem da sua preferência. Em vez de a observarem com sentido de partilha de algo que podem ter em comum, procurando aperfeiçoar e harmonizar a relação, por razões de machismo tosco, o homem tenta manipular as fragilidades da mulher até à consumação do seu desejo de conquista e posse. É este sentimento possessivo que não se enquadra nos trâmites actuais das relações humanas que leva ao descambar de muitos casamentos ou relações maritais aparentemente estáveis.

Há! como eu gostava de agarrar a vida com a frescura de quem ama! Mesmo que num momento fugidio do casual encontro, imagino prender-te pela cintura, acariciar teu corpo e assimilar o teu sentir relaxante com o turbilhão de mimos que nos deliciassem os corpos desprendidos no silêncio da solidão. O prelúdio do momento ficará sempre na lembrança de quem o alimenta. Pressinto que vamos vencer os constrangimentos e a tua vida será mais feliz. Estamos em formação no espaço cósmico!

 

    Kartoamando 

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segunda-feira, 3 de julho de 2017

Combatentes indignados


À Comunicação Social 

OS COMBATENTES indignados 

Nós não estamos a pedir mais do que nos é devido. Nós queremos que nos devolvam o que a guerra nos tirou: anos de vida, pelo desgaste prematuro; a dignidade estigmatizada no desprezo a que fomos votados pelos governantes da Pátria que juramos defender. Perdemos parte da juventude e dos nossos sonhos ao serviço da Pátria. A guerra nunca foi atraente. Estivemos lá porque somos pessoas de bem-querer à Pátria e a sociedade política nos obrigou. Muitos mergulharam no desespero e perderam a noção da realidade; outros sentiram o sangue a esvair-se sem retorno. Os que regressaram sentiram o abandono e o tormento das maleitas agarradas ao corpo e as visões das emboscadas e dos corpos esfacelados a perturbar as noites mal dormidas e completamente zonzos pelo stress sem redenção.

Confrontados com a imensa escuridão do regime que deu lugar à descolonização, às amplas liberdades e profundas alterações na sociedade, especialmente, com o retorno das populações desiludidas, escorraçadas e espoliadas dos seus bens e das raízes firmadas com denotado esforço de integração, sentimos os insultos e maldizer dos “retornados”, como se fossemos nós os responsáveis pela sua desgraça.

Os Combatentes foram desmobilizados e o estado descartou-se da responsabilidade de os integrar na sociedade, de onde os arrancou à força… e abandonou-os à sua sorte. Quanto aos “retornados”, foram devidamente apoiados na integração, receberam as ajudas merecidas e ocuparam empregos recusados a muitos dos Combatentes desmobilizados. Injusta desigualdade entre Portugueses; mas que diferença de tratamento e cuidados, senhores governantes!  

No imaginário desta realidade transcendental, resumida em mais de 100 mil Combatentes com vidas  lastimáveis e famílias em constante alvoroço devido às armadilhas do stress de guerra, somos forçados a elevar o nosso protesto e indignação até que sejam reconhecidos os préstimos à nação e recompensados pelo desgaste prematuro das nossas vidas. Sem aspirações a mártires nem heróis, apelamos à vossa sensatez e espírito humanitário para fazerdes o que há muitos anos deveria ter sido feito. Discutir e aprovar o “Projecto” de Estatuto dos Combatentes que o “Grupo deTrabalho” das Associações de Combatentes entregou, em Julho de 2016, aos Grupos Parlamentares da Assembleia da República.

Se não for feita a justiça que se impõe, acabaremos todos mortos e injustiçados. Aí, o Estado ficará eternamente coberto por um tenebroso manto de vergonha e os seus dignitários ficarão com tamanha carga na consciência que nem na tumba terão sossego.

5 de Junho de 2017

Joaquim Coelho, Presidente da Associação doMovimento Cívico de Antigos Combatentes

e Coordenador do “Grupo de Trabalho” dasAssociações

 


Aprovado por aclamação na Assembleia-Geralde 20 de Maio de 2017, nas Caldas da Rainha



 


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Povo Português nas Guerras Ultramarinas

O QUE SE DIZ DA GUERRA COLONIAL

 

No plano das narrativas, temos assistido a algumas bacoradas lançadas a público por meia dúzia de indivíduos que pouco fizeram durante a guerra, portanto sem relação com as vivências no terreno. Pela amostragem, aparecem quase sempre os mesmos, gente que esteve longe dos dramas e das angústias vividas no meio das matas e dos trilhos ou picadas onde o perigo das emboscadas e das minas era o tormento de todos os minutos.

Lamentavelmente, os indícios sobre a tentativa de branquear os erros dos governantes e minimizar o desempenho dos verdadeiros Combatentes são evidentes e fazem parte da vergonhosa campanha para justificar o desprezo pelos que sofreram no corpo e na alma os efeitos da guerra e são uma afronta à memória dos “nossos” mortos em combate.

Esses arautos da mentira esquecem-se que houve muitas situações trágicas que causaram a morte a mais de dez mil homens cuja missão era proporcionar segurança e bem-estar aos que trabalhavam na retaguarda.

Depois, temos uma casta de escritos a difundir a ideia dos desertores ou cobardes proscritos pela Pátria que a traíram. São enredos com palavras bonitas e bem colocadas mas vazias de conteúdo perceptível para a maioria dos portugueses que tiveram alguém envolvido numa guerra que marcou a vida duma geração e mexeu com mais de cinco milhões de famílias portuguesas. Fazem parte de um trabalho dirigido à elite intelectual dos senhores lobistas que vivem nas catacumbas parasitárias da cultura portuguesa; são família do mesmo lóbi que tem contribuído para agravar o definhar da sociedade, especialmente na educação e saber que são o fundamento dum povo a precisar de ideias e acções capazes de salvar o que resta dos valores da cidadania. 

Do que temos visto dos arautos da Guerra Colonial, são poucos os exemplos de patriotas com coragem para defenderem uma imagem digna dos Combatentes. Curiosamente, temos alguns maus exemplos nas pessoas de Vasco Lourenço, Manuel Alegre e António Lobo Antunes cujos textos e afirmações continuam a estar na estampa, mas as suas acções públicas deixam um rasto de insultos que indignam os verdadeiros Combatentes da guerra colonial. Destes “famosos” não se conhecem tomadas de posição que ajudem a resolver os principais problemas em aberto no contexto da descolonização: assistência e apoio efectivo aos traumatizados e a devolução, às terras de origem, dos restos mortais dos combatentes que ficaram nas terras remotas de África.

 

Junho de 2010 – Joaquim Coelho

 


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