quinta-feira, 6 de junho de 2024

Nascimento dos Estados Unidos da América

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1 – Colonização da América do Norte:


   Cristóvão Colombo acreditava que poderia encontrar uma rota para as Índias navegando em direção ao oeste. Financiado pela coroa espanhola, Colombo deixou a Espanha em 3 de agosto de 1492, iniciando a sua famosa viagem e a tornar-se o primeiro europeu conhecido a pisar o continente americano.


   Porém, futuros navegadores europeus que exploraram a região rapidamente descobriram que a região descoberta por Colombo era um novo continente a que deram o nome de Novo Mundo. Colombo morreu em 1506, ainda acreditando que havia chegado às Índias.    Entretanto, a Espanha e Portugal iniciaram os esforços de colonização e conquista de novas terras para oriente e ocidente.


   A descoberta das Américas causou grande furor na Europa. O Novo Mundo oferecia novas oportunidades de poder, riqueza e aventuras. Rapidamente, diversos países europeus começaram a explorar e a colonizar o continente americano. A primazia desses esforços da colonização das Américas pertenceu a Espanha e Portugal. Segundo o Tratado de Tordesilhas, assinado entre os espanhóis e os portugueses, todas as terras a oeste da Linha de Tordesilhas pertenceriam à Espanha, e todas as terras a leste pertenceriam a Portugal.


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   Durante as primeiras décadas do século XVI, os espanhóis derrotaram os astecas, os maias e os incas. Os espanhóis colonizaram uma enorme área desde o sul da América do Sul até o que é atualmente o sul dos Estados Unidos. A primeira comunidade europeia em território americano foi fundada em 1526, na atual Carolina do Sul. Os espanhóis também fundaram a primeira comunidade permanente, St. Augustine, em 1565, no atual Estado de Flórida.


   Os portugueses, depois de consolidarem a colonização do Brasil e territórios de Angola e Moçambique, rumaram para oriente e colonizaram as Índias e terras na Ásia.


   Durante a segunda metade do século XVI e do século XVII, uma nova geração de potências coloniais surgiu: a Inglaterra, a França e os Países Baixos. As terras que constituem atualmente o leste dos Estados Unidos tornaram-se regiões atrativas para a instalação de novas colónias, por parte destas novas potências coloniais. Embora estas terras estivessem relativamente próximas à Europa, a Espanha e Portugal tinham pouco interesse nelas.


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   Entretanto, estas novas potências coloniais financiavam grupos de corsários e piratas (foras da lei), fornecendo navios para assaltarem as caravelas e naus portuguesas e espanholas, roubando todos os pertences valiosos, como o ouro e outros metais preciosos.


   Ingleses e franceses continuaram a exploração do leste da América do Norte desde o século XVI e instalaram postos comerciais nessa costa. A partir do início do século XVII, tanto os ingleses quanto os franceses começaram a instalar populações permanentes na América do Norte. A região colonizada pelos franceses tornou-se conhecida como Nova França, que incluía os atuais Estados americanos de Maine e Vermont.


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   As primeiras tentativas inglesas bem-sucedidas de colonização da América do Norte ocorreram no início do século XVII, por várias razões: o nacionalismo inglês cresceu e a ameaça de uma possível invasão do Reino Unido por parte da Espanha, bem como por causa do militarismo protestante e da adoração da monarca Rainha Elizabeth I. Pois, a Inglaterra nunca aceitou que o mundo fosse dividido entre Portugal e Espanha, conforme o tratado de Tordesilhas.


   As principais causas que levaram à colonização da América do Norte por parte dos ingleses foram o desenvolvimento da agricultura em boas terras para o cultivo e comércio de tabaco e de chã, a crescente superpopulação da nação, a busca por liberdade religiosa e a crescente desconfiança das forças políticas do velho mundo. A colonização foi entregue a duas grandes empresas inglesas que acabariam por falir, devido a má organização e disputas entre os seus dirigentes.


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2 - Nova Inglaterra - Divergências Religiosas:


   Após a fundação de Jamestown, os ingleses iniciaram o processo de colonização da costa nordeste dos Estados Unidos. A segunda comunidade inglesa foi fundada na Nova Inglaterra, por dois grupos religiosos diferentes, em 1587. Ambos os grupos eram a favor de uma reforma geral na Igreja e da eliminação de elementos católicos na Igreja da Inglaterra. Enquanto os “peregrinos” buscaram sair da Igreja da Inglaterra, os “puritanos” queriam reformá-la, através da instalação de uma santa comunidade numa sociedade que viria a constituir o Novo Mundo.


   O primeiro e menor dos dois grupos religiosos, os “peregrinos”, teve origem numa pequena congregação protestante em Scrooby Manor, Inglaterra, de onde os membros partiram rumo aos Países Baixos para fugir a perseguições. À época, os Países Baixos possuíam a reputação de que o reino era uma nação cada vez mais aberta aos que sofriam perseguição. Os emigrantes, porém, tornaram-se cada vez mais insatisfeitos com a crescente influência dos neerlandeses em suas crenças e com baixas condições económicas. Depois de se juntarem a um grupo maior de separatistas que haviam continuado a morar na Inglaterra, organizaram uma expedição e navegaram rumo ao Novo Mundo, autonomeando-se "peregrinos".


   Estes homens e mulheres embarcaram no navio Mayflower, com a intenção de conseguirem destinos de vidas mais rentáveis para os “peregrinos” e desembarcar no litoral norte da região que era então conhecida como Virgínia, atualmente localizada na cidade de Nova Iorque. Porém, o Mayflower foi obrigado a mudar de rumo durante a viagem, por causa de uma tempestade, e foram desembarcar no que é atualmente o Massachusetts. Antes de desembarcarem, os “peregrinos” escreveram o "Mayflower Compact", um documento no qual estes davam a si próprios grandes poderes de auto-governo. Em 21 de dezembro de 1620, estabeleceram uma comunidade permanente onde atualmente se localiza a cidade de Plymouth. Mas, estes colonos não tiveram tempo suficiente para cultivar quaisquer plantações e, ao longo do inverno, a maioria deles morreram de fome - incluindo o líder James Carver – e pelo frio. William Bradford foi escolhido para substituir Caver na primavera de 1621. Neste ano, os colonos tiveram a ajuda de Squanto e Samoset, dois nativos americanos que haviam aprendido a falar inglês. Graças a esta ajuda, o outono deste ano trouxe grandes colheitas.


   O estabelecimento de comunidades dos “peregrinos”, considerados os “pais fundadores” da América, é um marco importante celebrado no feriado “Dia de Acção de Graças”, que se realizou pela primeira vez, em Massachusetts, no ano de 1621.


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- Os puritanos – protagonistas do rumo americano


   Um segundo grupo de colonos estabeleceu a Colónia da Baía de Massachusetts em 1629. Este grupo foi o dos “puritanos”, que buscava reformar a Igreja Anglicana através da criação de uma nova e pura igreja no Novo Mundo. Esta comunidade consistiu-se em 400 puritanos, convocados pela Companhia da Baía de Massachusetts. Em dois anos, outros dois mil puritanos desembarcaram na América, em ondas sucessivas de imigração conhecidas como a "Grande Migração". No Novo Mundo, os puritanos criaram uma sociedade profundamente religiosa, mas politicamente inovadora e liberal, com princípios que ainda perduram atualmente nos Estados Unidos.


   Popularmente, acredita-se que os puritanos vieram para a América em busca de liberdade religiosa, mas a sua doutrina era de "dominação religiosa"; acreditavam que o Novo Mundo fosse uma "nação de redenção", mas não tencionavam estabelecer tolerância religiosa. Pretendiam levar esse tipo de sociedade ideal dos puritanos, como exemplo, para a Europa e estimular a conversão em massa para o puritanismo.


   Na estrutura política das colónias puritanas os oficiais eram eleitos pela comunidade, mas apenas pessoas brancas do sexo masculino, membros de uma igreja congregacionalista podiam votar. Segundo padrões atuais de política da Europa, as colónias puritanas eram politicamente liberais - mais do que qualquer país europeu. Por isto, a estrutura política da sociedade puritana pode ter assumido a forma de uma democracia, com ênfase na virtude cívica que caracterizaria a sociedade americana pós-revolucionária.


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   Socialmente, a sociedade puritana era conservadora. Ninguém podia viver sozinho, por medo que as suas tentações levassem a uma corrupção moral de toda a sociedade puritana. Porque o casamento ocorria dentro da localização geográfica da família, dentro de várias gerações em diversas "cidades", pareciam clãs, compostos por várias grandes famílias inter-casadas. Como a força da sociedade puritana se refletia nas suas instituições: igrejas, sedes de município e força militante, caracterizava-se como repressiva; os seus princípios foram a base dos valores americanos, em virtude cívica e no desenvolvimento da democracia.


   Economicamente, os puritanos foram bem-sucedidos, porque expropiavam as terras das comunidadess índias, impunham o trabalho escravo. A indústria de tabaco e outros produtos agropecuários começaram na agricultura de subsistência, mas rapidamente passaram à exportação. Baseada nos esforços de fazendeiros individuais, que cultivavam suficientes colheitas para gerar o alimento necessário para abastecer sua família, mais um excesso que podia ser trocado com outros comerciantes por outros produtos que os fazendeiros não podiam produzir por si mesmos. A qualidade da economia da Nova Inglaterra era próspera; os líderes de cidades da Nova Inglaterra poderiam literalmente alugar famílias pobres da cidade para qualquer pessoa que podia arcar com os custos de aluguel e de alimentação destas famílias, como uma forma barata de mão-de-obra. Além de ser um importante centro agrário, a Nova Inglaterra tornou-se também um centro mercantil e fabricador de navios importantes, com grande porte e, frequentemente, servia como centro operacional para o comércio realizado entre o Sul americano e a Europa.


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3 – A construção dos Estados Unidos da América


   Descendentes de imigrantes e refugiados ingleses e irlandeses, com divergências religiosas e políticas, o povo americano imergiu de uma caldeirada de gente aventureira, genericamente formatada para a exploração dos recursos humanos (mão de obra escrava), territórios com boa capacidade de produção agrícola e exploração de matérias-primas territoriais, com pretenção do enriquecimento a qualquer custo.


   Transformaram a ideia do “Destino Manifesto”, idealizado nos escritos de Samuel, numa crença de que o povo estadunidense foi o escolhido por Deus para conquistar todos os territórios até ao Oceano Pacífico, e que as nações fracas deveriam ser dominadas pelas mais fortes. E é esse o designo que vemos avançar a “ferro e fogo” em todo o mundo, cada vez com mais força, intensidade e crueldade.


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Assim, nasceu próspera, a maior potência económica e política global, fomentadora de guerras, destruidora de nações, causadora de desigualdades sociais e genocídios à escala mundial, bramindo a bandeira da "liberdade" e da "democracia".


- Guerra da Independência:


A independência dos Estados Unidos foi declarada em 4 de julho de 1776 e reconhecida pelos ingleses em 1783, após cinco anos de guerra.


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- A Conquista do Oeste:


   Não lhes bastando a exploração dos recursos nos territórios costeiros, muitos colonos organizados em grupos e protagonizados pelos mais poderosos senhores de terras, aproveitando a sua organização militar, desenvolvimento industrial e produção de armamento, avançaram pela imensidão dos planaltos, das pradarias e savanas, galgando montes, rios e vales até chegar à costa do Oceano Pacífico.


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   Pelo caminho, assaltaram terras dos índios, exploraram minas de ouro e outros metais preciosos, estabeleceram colónias de fazendeiros e construíram igrejas e instalações agrícolas, para seu benefício pessoal; escravizaram os fracos e os indígenas (índios americanos) – foram dizimados e mortos mais de quinze milhões de índios.


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   Mas, os indígenas tinham alguns chefes valentes que organizaram a Confederação dos Lagos Ocidentais chefiada pelo índio Casaco Azul da tribo Chawnee, que conseguiram grandes vitórias contra as tropas americanas nos anos 1790 e 1791; alarmado com tais vitórias indígenas,  o presidente George Washington nomeou um veterano da Revolução, General Anthony Wayne, para comandar o novo exército “Legião Americana”, que enganou os chefes índios com um prazo de tréguas para negociações de paz, enquanto treinou as suas tropas para voltar ao confronto e cercou os índios no Forte Washington do Cincinnati, em 1793. Em consequência, os índios perderam todas as terras ao longo do rio Ohio e, sem o apoio inglês, falharam as tentativas de negociações com as tropas americanas e foram sendo dizimados e empurrados para as terras de ninguém…


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   A derrota dos índios levou à assinatura do Tratado de Greenville, em 1795, com a cedência do território de Ohio aos americanos - nasceu um novo estado, em 1803.


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   Apesar das derrotas, o que restava do exército índio não se rendeu e teve o apoio de um grupo de milicianos canadenses; aproveitando as dificuldades da cavalaria americana em progredir devido a grandes árvores derrubadas por uma tempestade, conseguiram chegar ao Forte Miami, posto avançado dos ingleses, onde foram reabastecidos de alimentos e munições. Outros chefes índios juntaram-se a Casaca Branca e continuaram a guerrear os americanos até serem completamente derrotados. As tropas americanas destruíram todas as suas aldeias e os milicianos canadenses conseguiram fugir ao massacre, retirando para as suas terras.


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   O aparecimento de grandes jazidas de ouro na Califórnia, e as taxas de impostos ditados pelo governo inglês, incentivou o governo americano a lutar pela independência da Inglaterra, no século XIX, sob a presidência de George Washington. Depois de consolidados dez Estados, como Alabama, Texas, Mississipi, Flórida, continuaram no assalto dos territórios do México e colónias indígenas ainda existentes, matando ou expulsando-os para terras pouco produtivas.


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   Quase metade do México passou a fazer parte dos Estado Unidos da América, em 1848. De seguida, o Hawai também foi anexado.


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   Os interesses dos governos dos Estados Unidos da Américo ficaram bem vincados nestas anexações ilegais, mas tinham como finalidade conquistar e anexar territórios que permitissem a formação de uma grande potência global, cujos recursos naturais dominassem o poder económico, político e ideológico. Contra tudo e contra todos, o poder das armas é o suporte expansionista americano, fulcro do seu desígnio existencial.   


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- A Guerra Norte e Sul:


   A prosperidade do Norte industrializado era mais fluente que no Sul agrícola. Com a chegada do presidente Abraham Lincoln ao poder, os estados federados do Norte ditaram a abolição da escravatura. Mas, os estados do Sul não aceitavam tal lei, porque as culturas de algodão predominavam com mão-de-obra dos escravos africanos.


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   Em abril de 1861, fazendo valer o seu alto desenvolvimento económico e poderia em fabrico de armas, as tropas confederadas do Norte fizeram um bloqueio aos portos marítimos do Sul, sendo o estado da Carolina do Sul o mais castigado. Assim se desencadeou a “Guerra de Secessão”, que terminou em 1865, com mais de 600 mil mortos. Com tal desenvolvimento político e militar, a expanção para o mundo tomou outro sentido, sempre com as bandeiras de libertação dos povos, espalhando o slogam: pela "Liberdade" e "Democracia" (com armas, derrube de governos e exploração).  


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Temas Político-sociais.


NOTA: Fim da 1ª Parte; a 2ª Parte da História dos Estados Unidos da América, compreende a sua expansão militar e política até final de 2023 e será aqui publicada.


Recolha de dados históricos e factuais: Alfredo Calheiros – CB


Coordenação: de Joaquim Coelho


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