quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Os Desafios à Humanidade

Como os poderosos nos tramam

   Há uma elite mundial, o grande clube, que usa todas as formas de mentiras e manipulação para tramarem os cidadãos comuns, tendo como finalidade a exploração e escravidão.

   São eles que provocam as crises, de onde saem mais ricos e os trabalhadores mais pobres. Porque contratam os mais dotados especialistas financeiros, psicólogos e técnicos, bem pagos, para lhes dizerem como organizar conflitos e arruinar as pequenas empresas até ao colapso. Estão bem preparados para ganhar com a falência dos pequenos.

   Como diz Maquiavel, tudo o que eles querem é paz e segurança e um povo manso sem pensar e sem reflexão. Planeiam tudo e estão cientes dos resultados: criam um mundo ilusório, propagam distrações fascinantes, criam problemas na assistência social e na educação, espalham as drogas e implantam lixo nas caixas cerebrais. Depois, apresentam-se como salvadores, fingindo governar ou proteger os interesses dos povos.

   Todos os sistemas financeiros, comerciais e sociais são controlados por entidades ocultas, trabalhando silenciosamente em cooperação, com tal poder que amedrontam os magistrados e membros das instituições ditas de fiscalização; e, assim toda a corrupção prospera, enquanto o povo empobrece e perde a lucidez.

   Portanto, aconselho as pessoas sérias a ler boas obras de autores credíveis, que ensinem a relacionar o que nos preocupa na sociedade e as razões da nossa pequenez. Se entendermos o mundo que testemunhamos e relacionarmos tudo com lucidez deixamos de ter medo de protestar e reclamar os nossos legítimos direitos. Quando dissiparmos esses medos de agir com razão, viveremos bem melhor; porque, viver com medo não é viver.

Joaquim Coelho - 21/07/2020

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O bárbaro mundo contemporâneo

Por: MANUEL AUGUSTO ARAÚJO

Estamos submergidos no imenso roído das tramas insidiosas dos poderosos que controlam a humanidade, numa espécie de mutismo solitário dentro das redes sociais.  Assim consumimos informação mentirosa e alienante, sem percebermos porque os estados-nação se demitem das definições de políticas de interesse público que, progressivamente as vão transferindo para o sector privado, que tem por máxima a lógica inexorável do mercado, em que a única hierarquia é o que é vendável com impacto máximo e obsolescência quase imediata. São os tempos em que a globalização nos domina e deprime.

«Enquanto, numa extensão sem precedentes, cada vez mais habitantes do planeta perdem a esperança e são atirados para a exclusão, a riqueza global vai-se concentrando num número cada vez menor de mãos. Nada é mais desigual que a igualdade entre desiguais nem há democracia possível com tamanha desigualdade»

Em nome da racionalização e da modernização da produção, está-se a regressar ao barbarismo dos primórdios da revolução industrial. O objectivo é a conquista do mundo pelo mercado dos poderosos gananciosos, onde as armas são financeiras e o objectivo da guerra é governar o mundo a partir de centros de poder abstractos. Megas pólos do mercado que não estarão sujeitos a controlo algum, excepto a lógica do investimento. Assim usam comunicação para preparar e justificar as acções políticas e militares imperialistas através dos meios tradicionais, rádio, televisão, jornais e redes informáticas, como é igualmente importante a construção de um imaginário global com os meios da cultura mediática de massas, usadas para legitimar empresas e marcas do capitalismo, onde o conservadorismo moral procura impor os seus códigos. É a universalização da cultura anglo-saxónica com os EUA no comando, que a usam como instrumento de subjugação, com o objectivo extremo de dispensar a necessidade de exércitos de ocupação. Vive-se num «casino cósmico», como o definiu concisamente Georges Steiner.

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A cultura e arte tornaram-se elementos de normalização e controlo social e de legitimação da exploração pelas empresas capitalistas, até a cultura se transformar num turbilhão de resíduos que invade o quotidiano. Um labirinto construído muro a muro em que se procura aprisionar definitivamente a humanidade, com a consequência política de desembocarem numa amálgama de conformismo e acomodamento com o estado de sítio da sociedade actual. Os labirintos são espaços em que nos perdemos, mas onde também nos defendemos, como nos mostra Stanley Kubrick no filme Shining. O minotauro da ideologia burguesa do neoliberalismo também o sabe, pelo que a porta de saída do seu labirinto abre para o campo de concentração do mundo digital onde distribuem em doses industriais o novo ópio da humanidade. Em que as redes sociais são o seu princípio mais activo, onde a alienação se espalha como um cancro por todas as actividades humanas até ao extremo limite da alienação de si próprio que voluntariamente se assume no consumo digital, em que, nas redes sociais, a vida de cada um se expõe como um reality show aberto aos continentes sem limites de seguidores e amigos virtuais – a alienação dos amigos reais – que se colhem como papoilas e de quem se esperam aprovações ou desaprovações em emojis e comentários. É o grau zero do social em que tudo acaba por ser idêntico sem experiência alguma, sem conhecimento algum. Uma degradação do star-system com que o cinema fabricou produtos para serem consumidos, em que coexistiam estandardização e singularidade, para produzir fascínio, desejo, emoção, prazer, numa  oferta consumidora em que trabalham as indústrias culturais e criativas, vendendo um entretenimento pronto a usar e a esquecer nos jogos de sedução filtrados pelas estratégias do marketing que sobrevaloriza a distracção para destruir as políticas culturais de democratização da cultura, substituindo-as por uma cultura do divertimento submetida ao capitalismo artístico de uma hipercultura comunicacional e comercial em que tudo se degrada.

O vertiginoso processo do metabolismo político e sócio-cultural é um processo de submissão que refinadamente inculca a insustentável leveza de uma falsa sensação de liberdade, de facto controlada pelo olhar panóptico do algoritmo, que tem a férrea lógica política social e ética do pensamento dominante que é imposto pelos novos senhores feudais do universo digital, que ameaçam tanto o trabalho físico como o espírito humano para que a perda de esperança colectiva seja uma realidade. Para os mais lúcidos de bom senso é imperativo denunciar e desocultar o objectivo último das políticas neoliberais: fazer coincidir a dominação com essa ilusão de liberdade. Um complexo e sofisticado mecanismo que faz com que os envolvidos, por via de regra, pareçam não entender exactamente no que estão envolvidos enquanto protagonistas e que Mészàros considera ter atingido um ponto praticamente incontrolável, e nem Orwell, com toda a sua lucidez, sequer conseguiu antever.

O trabalho, no neoliberalismo, aprofunda a escravizante subordinação dos indivíduos à divisão do trabalho e da divisão entre trabalho intelectual e manual, em que a alienação e desrealização dos trabalhadores atingem o seu alfa e o seu ómega na lógica ultra-perversa da uberização (desvalorização do trabalhador) em que o trabalhador se torna um explorador de si-próprio.

(Artigo de opinião Resumido)

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