O REI VAI NU e a EUROPA não viu...
D. Vance foi a Munique afirmar o princípio da força como fundamento do poder, o princípio da unidade do poder e negar as bem-intencionadas teses da divisão tripartida dos poderes, executivo, legislativo e judicial de Montesquieu. O vice presidente dos EUA foi a Munique expor a realidade em que assenta o poder nos Estados Unidos: a lei dos xerifes do Oeste: a lei sou eu e o meu revólver. Os poderes tradicionais e os não tradicionais devem estar submetidos ao detentor do poder executivo. J. D. Vance explicou que o êxito dos Estados Unidos e a vitória de Trump resultam do facto de o poder ser exercido por uma conjugação de tirania e oligarquia, na classificação de modos de governo estabelecido por Platão em "República".
Perante uma assembleia de funcionários políticos europeus (raros políticos eleitos), o vice-presidente dos EUA afirmou que o governo de Trump respeita a hierarquia de Platão, de que a oligarquia é preferível à democracia, que durante milénios foi eficaz para os poderosos exercerem o seu poder e gozarem os seus privilégios, que a oligarquia constitui o único sistema de governo que o que atualmente (desde o final da Segunda Guerra Mundial) é designado por “democracia” são versões de oligarquias adaptadas aos meios para as legitimar.
Matos Gomes
OXIGÉNIO PRECISA-SE PARA UMA UE DOENTE
Na ala de urgências da Europa, há um paciente em estado crítico: a Alemanha. Chegou pálida, com a pressão económica em queda e a temperatura industrial abaixo dos 36 graus. A enfermeira-chefe, Ursula von der Leyen, tenta aplicar uma injeção de fundos e sanções, mas o doente não reage.
No monitor, os números tremem: produção industrial, exportações, confiança empresarial - tudo em linha descendente. Do outro lado da cama, um médico francês observa, de estetoscópio pendurado, mas ele próprio cambaleia com tonturas fiscais e febre social. É o Dr. Macron, especialista em diagnósticos grandiloquentes e em reformas que causam mais convulsões do que curas.
Na sala de espera, os restantes membros da União observam a cena com aquela expressão de quem já sabe que o seguro de saúde não cobre tudo. A Itália pede calma, a Espanha finge estar melhor, a Hungria fuma no corredor e a Polónia ameaça mudar de hospital. No fundo, ninguém tem oxigénio suficiente para si, quanto mais para o outro.

O caso da Alemanha é paradigmático: Décadas a viver do músculo industrial e da energia barata russa, e agora descobre-se dependente de baterias chinesas e burocracias de Bruxelas. A máquina produtiva está presa a tubos verdes - impostos climáticos, metas ambientais, e regulamentos que exigem painéis solares até nos telhados das fábricas falidas. O diagnóstico é unânime: anemia energética crónica.
Mas o tratamento é controverso. Uns dizem que precisa de transfusões de gás russo; outros, de terapias verdes mais intensivas.
Enquanto isso, a economia perde sangue e o paciente murmura baixinho: “Vielleicht war es besser mit Nord Stream...”. A França, no leito ao lado, não está muito melhor. O pulso político é irregular, entre protestos e dissoluções parlamentares. O coração europeu da igualdade e da fraternidade bate em arritmia, e cada nova tentativa de Macron de reformar o sistema provoca uma nova inflamação nas ruas.
Ambos, França e Alemanha, os outrora “motores da Europa”, agora lembram dois carros híbridos avariados à beira da autoestrada, à espera de um reboque que nunca chega.

Entretanto, Bruxelas organiza reuniões de emergência - verdadeiros simpósios de cardiologia orçamental. Os ministros das Finanças debatem pacotes de estímulo, fundos de resiliência, planos de transição, e tudo termina em comunicados otimistas redigidos em linguagem que nem os tradutores acreditam. É o natal longínquo da esperança europeia, com presentes embrulhados em PowerPoints e promessas de “coordenação fiscal” que nunca se concretizam.
E enquanto o soro financeiro pinga lentamente, o mundo gira lá fora. Os Estados Unidos cobram tarifas e vendem gás caro, a China disputa o mercado elétrico, e a Rússia observa tudo com o ar paciente de quem sabe que, mais cedo ou mais tarde, o hospital fechará por falta de fundos.
Se houvesse justiça poética, alguém abriria a janela e deixaria entrar um pouco de ar fresco - oxigénio, enfim. Mas em Bruxelas, o protocolo exige máscara de formalidade e luvas de tecnocracia.
A Europa asfixia lentamente, presa entre dogmas e dívidas. E a única máquina que ainda funciona é a de ventilação política, que repete sem parar: "A recuperação está a caminho... a recuperação está a caminho..."
22-10-2025 João Gomes

E TUDO a União Europeia ACEITOU
Há quem diga que a Europa é um velho continente cansado. Eu diria antes que é um continente crédulo - e de uma flexibilidade moral invejável. Depois de anos a marchar ao som da banda da NATO, entre discursos inflamados e bandeiras azuis estreladas, eis que, subitamente, a proposta de paz vem de Trump — sim, o mesmo que Bruxelas tratou como bufão populista, ameaça à democracia e, em certos jantares de comissários, quase como um bárbaro à porta do império.
Mas agora, com Kiev e os seus aliados a aceitar que a linha atual da frente seja o ponto de partida das negociações, a retórica heroica da União Europeia soçobrou como um balão furado. Afinal, não era a Ucrânia “a muralha da Europa”? Não estava Putin prestes a marchar sobre Varsóvia, Paris e quem sabe até Bruxelas (onde, ironicamente, já reina a confusão há muito tempo)?
Durante dois anos, a Comissão Europeia transformou a guerra num drama moral e identitário, onde quem pedisse diálogo era cúmplice do Kremlin, e quem falasse de paz era acusado de ingenuidade geopolítica. Agora, confrontada com a realidade militar - e com Trump, o novo maestro em Washington, a Europa engole em seco, muda o discurso e... aceita.

Aceita que a Ucrânia não vai reconquistar Donetsk. Aceita que a NATO não manda mais na agenda global. Aceita que os seus planos de “autonomia estratégica até 2030” soam a promessa de ginásio: boa intenção, zero execução.
E tudo, claro, com ar sério e institucional, como se fosse exatamente isto que tinham planeado desde o início. A arte europeia da incoerência diplomática está viva e recomenda-se.
Entretanto, a retórica do “inimigo às portas” serviu bem: justificou aumentos orçamentais para a defesa, contratos milionários com as indústrias de armamento e o adiamento conveniente de debates sobre pobreza, energia e desigualdade. Agora que a paz volta à mesa - não pela mão da Europa, mas de Trump, em Bruxelas instala-se o silêncio constrangido de quem percebeu tarde demais que andou a fazer política externa com hashtags.
No fundo, a história é simples: a UE não conduz, segue. Segue Washington quando é democrata, segue Trump quando regressa.

Segue a Ucrânia enquanto convém, e deixa-a seguir sozinha quando a realidade militar aperta. E quando tudo muda, a Europa faz o que melhor sabe fazer: aceita. Aceita com gravidade, com comunicados oficiais, com um ar de quem sempre teve razão. Aceita, porque recusar exigiria pensar por conta própria - e isso, convenhamos, não cabe nos tratados.
E ninguém se demite? Não: as mordomias salariais são muito boas e tapam todas as vergonhas...
Por: João Gomes
1 comentário:
"a UE não conduz, segue. Segue Washington quando é democrata, segue Trump quando regressa." -------------------- democrata quer dizer na realidade liberal-socialista e globalista.
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