quinta-feira, 9 de março de 2023

A Abominável Cultura da História

     Resultado do "Facilitismo" no Ensino


    A onda selvagem do “modernismo” fundamentado na mediocridade duma sociedade em decadência mental e cultural, com base na cultura rasca e no pragmatismo odioso de tudo que sustenta a razão existencial de uma Nação, de uma Pátria, de um Povo, parece alastrar por aí como fogo em fúria. Talvez, por carência de cultura criativa, de formação das pessoas com capacidade produtiva e visão do ensino inclusivo numa sociedade que sustente os valores fundamentais dos direitos e deveres dos cidadãos, livres dos preconceitos odiosos e depreciativos dos feitos grandiosos dos nossos antepassados, ainda existam espaços de debate sério, capaz de expurgar os malefícios do ensino para o “facilitismo” que os ditames da vida não consentem.


    Olhando o panorama produtivo deste tempo sombrio e cheio de incongruências, vemos a cultura a definhar, por falta de capacidade intelectual dos mentores da nossa praça; promoção de temas musicais e poética duma pobreza inqualificável; meios de diversão como autênticos antros de promiscuidade, onde se fomentam os vícios das drogas e dos encontros de parceiros em sessões de sexo selvagem e violento; nas noites de convívio sem lastro de amizades partilhadas, alastram os confrontos físicos em forma de desforra ou ajuste de contas, onde as matanças são um perigo crescente e sem controlo.


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    Mas, o que mais me incomoda é a falta de respeito pelo nosso passado e pelos feitos que sustentam os valores duma Pátria milenar que muito contribuiu para o desenvolvimento do mundo. É ver gente, tendencialmente maldosa, sem qualquer valor intelectual e produtivo para o bem estar dos cidadãos que merecem respeito e sossego numa sociedade inclusiva e igualitária que valorize a amizade, o respeito pelas diferenças e o bem estar colectivo, em vez de fomentar o odioso e as disputas com aparências enganadoras, cheias de preconceitos e vícios nocivos. Em conclusão: o extremismo cultural é fomentado por quem nada produz e nada acrescenta ao que já existe.


    O texto que segue, de forma irónica, é mais uma tentativa de combater este mal pernicioso que alastra por aí e que devemos conter com cuidadosa precaução.


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A “ominosa” Praça do Império


    Vão por aí raios, coriscos e trovões a propósito da Praça do Império e dos seus brasões "colonialistas". O pensamento vanguardista exige que a praça mude de nome e que se retirem os brasões, sejam eles feitos de buxo ou reproduzidos por pedrinhas da calçada à portuguesa.


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   Pelo que me respeita, o que eu tenho a dizer é que sempre tentei respeitar o pensamento dos meus semelhantes, por muito que ele possa diferir do meu. Por isso, compreendo muito bem que os anticolonialistas queiram modificar a praça e suprimir os brasões.


   Dito isto, o que eu mais gostava era que este pensamento pudesse ser levado ao seu grau máximo de coerência. Analisados os pressupostos desta lógica, chegaremos à conclusão que o presente e todas as suas realidades se deva substituir ao passado e a todas as suas infâmias.


   Não se vê motivo para travar o pensamento iluminado, a meio do seu caminho intelectivo. O mosteiro dos Jerónimos, bem vistas as coisas, também está a mais e é um ultraje. Recorda os tempos ominosos em que Portugal foi clerical e monárquico. Ora, isto não pode ser! O presente, todo ele validamente laico, exige que esta lepra da ilusão religiosa e do poder concentrado sejam raspados com a telha do bom senso.


   Portugal falhou deploravelmente o seu Destino e a sua História. Olhe-se bem para esse Portugal português do nosso tempo. Que vergonha! Um país do século XXI coalhado de ermidas, igrejas, conventos, mosteiros! Pode lá ser! Apliquemos a todo o Portugal o sabão da fúria com que se pretende retirar da Praça, vergonhosamente chamada do Império, os brasões "colonialistas"! Abaixo as igrejas! Destruam-se os mosteiros e as ermidas! Pode lá tolerar-se que num Portugal lavadinho e modernaço sobrevivam estes lixos de épocas obscurantistas. Pode lá conceber-se que exista em Portugal uma Torre dos Clérigos, um mosteiro do Lorvão e da Batalha, uma Torre de Belém, evocando os inícios desse deplorável colonialismo. Os Poderes Públicos deverão agir prontamente, decretando para muito breve a lei do camartelo para aquilo tudo.


   Mas há mais: a própria Cultura Portuguesa necessita imperativamente de correções "joacínicas", de surtidas antirracistas, carecendo e suplicando um banho lustral de desalienação. Pode lá admitir-se que se possam ensinar nas escolas poesias e prosas tão reacionárias como "Os Lusíadas", de um tal obscuro Camões, como a "Peregrinação”, desse mentiroso compulsivo, que dava pelo nome de Fernão Mendes Pinto, como a Carta de Pero Vaz de Caminha, como a "Mensagem" desse badameco imbecil chamado Fernando Pessoa! Pode lá tolerar-se que se diga, em fraseologia sem suporte dialético e sem largueza de apreciação, que um jesuíta palavroso como o Padre António Vieira seja apresentado como o "imperador da língua portuguesa"! Cá está a palavrinha "imperador" a denunciar tudo o que é retrógrado, regressivo, aprisionado ao ontem!


   O que Portugal está carecido, como pão para a boca, é de uma "revolução cultural" idêntica à que foi feita por um génio chinês da política, chamado Mao Zedong, infelizmente já falecido. Esse prodígio mental lançou uma campanha, no seu tempo, contra os pardais que comiam muito grão nas searas. Toda a China andou atrás dos famigerados pardais. Nos anos seguintes as colheitas caíram a pique na sua produtividade, porque o portento intelectual não se lembrou que os pardais também comiam as lagartas. Morreram milhões de pessoas, mas salvou-se um dos nomes axiais do comunismo. Ou seja: nem tudo se perdeu!


   Também entre nós, iremos salvar o Bairro da Pampulha, mas não a Praça do Império; o Borda d'Água, mas nunca os "Lusíadas"; o estádio do Benfica, mas jamais a Torre dos Clérigos; os discursos das Manas Mortágua, mas com exclusão autoritária do aranzel de Pero Vaz de Caminha...e assim por diante.


   Quando nos falarem de Afonso Henriques, haveremos de dizer, sensatamente: "esse bruto até na mãe batia" ; se ouvirmos o nome de D. Dinis, iremos obtemperar: "era tão atrasado que nunca soube organizar eleições"; no caso de falarem na "Ínclita Geração dos Altos Infantes", obtemperaremos: "nunca ganharam o torneio de futebol dos Campeões Europeus"; e se nos vierem com a crueldade de D, João II, responderemos: "teria de estagiar com Estaline ou Putin, para ser coisa que se visse".


   A Praça do Império, onde hoje se deslocam estrangeiros, por ser um local próximo da fábrica dos Pastéis de Belém, necessita ser suprimida com a máxima urgência. A bem da nossa Cidadania e a bem do Progresso. Ponham lá um monumento ao futuro. Sugiro que tenha a forma de um manguito. E depois coloquem lá o Beijocas a vender "selfies".


   Com esta gente, acho que não iremos merecer mais!


(Amadeu Homem, in Facebook, 26/02/2023


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